Guerra dos Manaus

Graduada em História (UFRJ, 2016)

Quando os portugueses chegaram à América, os indígenas já estavam nas terras que viriam a ser o atual Brasil. Mas como os portugueses queriam as terras para exploração, ocorreram muitos conflitos com os nativos.

A Guerra dos Manaus foi uma dessas guerras indígenas que ocorreu no século XVIII, mais precisamente entre os anos de 1723 a 1728. Os índios da tribo dos Manaus habitavam a região da povoação de Santa Isabel, no rio Negro e eram liderados por Ajuricaba. Importante saber que no século XVI diversos bandeirantes foram na direção do rio Negro, atrás do que eles acreditavam ser o El Dorado. Assim, vários povoados foram surgindo na região por conta dessa busca, que no fim, não foi encontrado. Os índios foram sendo expulsos de suas terras para dar espaço aos portugueses e colonos que vinham de diversas regiões. Alguns índios eram atraídos pelas armas e tecnologia que os portugueses possuíam, se tornando aliados destes.

O líder indígena, conhecido como Ajuricaba e que era conhecido na região, já desconfiava dos portugueses e tinha raiva destes pelos problemas que causavam em seu povo. Seu pai, Huiuebene, foi morto pelos portugueses, em razão de um desentendimento comercial (algumas tribos criaram relações comerciais com portugueses).

Para se ter ideia do quanto prejudicial era a presença lusitana na região e no Brasil como um todo, na primeira metade do século XVIII, a região do vale do rio Amazonas sofreu com uma grande epidemia de varíola, doença trazida pelos portugueses, acabando com os índios que eram escravizados e fazendo com que os portugueses fizessem nova campanha para a captura de mais índios. Foi assim que encontraram a tribo dos Manaus, em 1723, cujo líder era Ajuricaba. Desta maneira, o líder Ajuricaba se aliou aos holandeses, começando a resistência contra os invasores. Os índios barganhavam com os holandeses produtos extraídos da mata em troca de armas de fogo e facões. A tribo de Ajuricaba também ia atrás dos índios aliados dos portugueses, considerados traidores e os capturavam, vendendo para os holandeses como escravos.

Foi desta maneira, invadindo vilas e capturando os índios colaboradores dos lusitanos que Ajuricaba aumentou seu poder e influência a diversos domínios e tribos, chegando a contar com a ajuda de mais de trinta tribos, formando, assim, uma espécie de confederação indígena. Com todo esse poder, os índios liderados por Ajuricaba destruíram os núcleos dos colonos e estes foram obrigados a se refugiarem no Forte da Barra. O governador do Grão-Pará e Rio Negro, João da Maia da Gama, ficou assustado e admirado com tanto poder e pediu ajuda a Portugal para que este enviasse mais tropas para combater a tribo e Ajuricaba. Havia relatos de canibalismo e incesto nas tribos indígenas, sem provas no entando. Mas tudo isso também serviu como justificativa para o ataque e extermínio da tribo. O capitão João Paes de Amaral foi enviado para exterminar toda a tribo, tendo o líder indígena resistido por algum tempo com seus mais de mil guerreiros até que caiu prisioneiro. Mas, a caminho de Belém para ser julgado, Ajuricaba se jogou no rio e nunca tendo sido encontrado, nem vivo nem morto.

Esse foi mais um massacre indígena cometido pelos portugueses na Amazônia e que ganhou destaque e notoriedade histórica.

Referência Bibliográfica:

CANELLAS, Carlos Fernando. A Guerra de 1730 contra os Índios Manaó do Rio Negro. Texto integrante dos Anais do XVII Encontro Regional de História – O lugar da História. ANPUH/SPUNICAMP. Campinas, 6 a 10 de setembro de 2004. Link em: http://www.anpuhsp.org.br/sp/downloads/CD%20XVII/Paineis/Carlos%20Fernando%20Canellas.pdf

COSTA, Graciete Guerra da. Fortificações na Amazônia. Revista Navigator, 2014. Link em: http://www.revistanavigator.com.br/navig20/art/N20_art3.pdf

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