Apócrifos do Novo Testamento

Recebe o nome de apócrifo todo o relato que tem como objetivo narrar a vida de Jesus Cristo e seus ensinamentos, além de conteúdo relacionado a este, como relatos da vida e ensinamento de seus apóstolos, conteúdo filosófico sobre a natureza divina, e similares.

Importante salientar que as denominações cristãs não chegaram ainda a um consenso sobre quais livros devem ser considerados canônicos, ou seja, ainda não há uma definição que seja unânime, sistematizando quais documentos são aptos ou não para fazer parte dos livros sagrados contidos na Bíblia.

Popularmente, a ideia que predomina é de que os livros apócrifos (tanto Evangelhos como demais documentos do Novo Testamento) são simplesmente aqueles que estão excluídos da Bíblia, mas exatamente por esta falta de consenso dentro das várias denominações cristãs, cada uma costuma, de acordo com sua orientação filosófica e espiritual, incluir ou excluir documentos que em outro segmento cristão são perfeitamente válidos ou então desconsiderados. Exemplo clássico é o do livro do Apocalipse, em torno do qual há uma certa polêmica. A Igreja Católica Apostólica Romana, bem como a maioria dos segmentos protestantes consideram-no válido, ao passo que a Igreja Ortodoxa do Oriente desconsidera o mesmo livro em sua liturgia, vendo-o assim, como apócrifo.

Por outro lado, há vários documentos que permanecem fora da liturgia da maioria dos segmentos do cristianismo, em grande parte pelas teorias heterogêneas que apresentam sobre a vida de Cristo, sua natureza divina e o propósito de seus ensinamentos. Grande parte destes documentos pertencem a uma corrente já condenada pela Igreja nos primeiros séculos de cristianismo: o cristianismo gnóstico, que, a grosso modo, entendia que, ao invés de participar de uma instituição organizada, o cristão deveria antes conhecer os ensinamentos de Cristo por si mesmo, pesando no caminho, suas próprias convicções para a devida salvação. Os textos gnósticos empregavam conceitos esotéricos, aliados a uma linguagem muitas vezes enigmática, com conceitos "escondidos" em meio à linguagem do texto, vindo daí o termo "apócrifo", com o significado de "obscuro". Como a filosofia gnóstica foi combatida ainda no nascedouro do Cristianismo como religião organizada, muitos destes textos eram desconhecidos do público em geral, restando apenas os nomes, fruto de citação dos patriarcas da Igreja, condenando tais livros.

Em 1945 a descoberta de vários documentos preservados em cavernas na região de Nag Hammadi, no Egito, permitiu que uma boa parte destes textos banidos pela Igreja pudessem ser novamente lidos, ajudando no melhor entendimento acerca da fé cristã em seu início. À parte a questão espiritual, o estudo destes evangelhos apócrifos ajudam na pesquisa acerca do Jesus histórico, já que tão pouca documentação existe sobre sua vida.

Exemplos de documentos apócrifos, entre as dezenas de documentos existentes:

  • Evangelho de Tomé
  • Evangelho de Pedro
  • Evangelho de Maria
  • Evangelho de Judas
  • Apocalipse de Pedro
  • Atos de Pilatos
  • Atos de Pedro e os Doze Apóstolos

Bibliografia:
KNIGHT, Kevin. Apocrypha (em inglês). Disponível em http://www.newadvent.org/cathen/01601a.htm . Acesso em: 30 set. 2011.

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