Protestantismo clássico

Pós-doutorado em História da Cultura (Unicamp, 2011)
Doutor em Ciências da Religião (Umesp, 2001)
Mestre em Teologia e História (Umesp, 1996)
Licenciado em Filosofia (Unicamp, 1992)
Bacharel em Teologia (Mackenzie, 1985)

Iniciado com a Reforma Protestante, no dia 31/10/1517, na Alemanha, a partir das 95 Teses de Lutero, para debate e contrariando a autoridade da Igreja Católica naquele início de século 16, o movimento protestante se espalhou pelo mundo todo, com características próprias e com forte influência em nível mundial.

O Protestantismo clássico ou tradicional vem do século 16, com a influência de Lutero (Igreja Luterana), Calvino (Igreja Reformada ou Presbiteriana), John Knox e vários líderes ingleses (Igreja Anglicana).

Da Europa seguiram-se vários movimentos ou denominações protestantes que deram origem, principalmente nos EUA, aos protestantes pentecostais e outras subdivisões, são os também chamados de evangélicos. No Brasil, temos as Igrejas derivadas do protestantismo tradicional, clássico ou também chamado de “protestantismo de Missão” posto que trazido por missionários, como o das Igrejas Presbiteriana, Batista, Anglicana, Metodista, Luterana e Congregacional etc. Nas primeiras décadas do século 20, iniciaram-se as Igrejas pentecostais, como a Assembleia de Deus (1910) e a Congregação Cristã no Brasil (1911). Nos anos 1950, o movimento pentecostal foi acrescido de Igrejas como a Quadrangular, Deus é Amor e outras. Os chamados neopentecostais são a geração posterior, como a Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo, Vida Nova e tantas outras que têm surgido recentemente e com grande expansão e notoriedade, mas algumas sequer se identificam com seus movimentos originários ou mesmo são expressões reais do protestantismo.

O fenômeno protestantismo clássico já tinha diversas formas de afirmação e estilos diferentes de governo, liturgia, ministração dos sacramentos, ofícios e sacerdócio, mas entre as características deste protestantismo tradicional, destacavam-se:

  1. Criação de uma instituição válida e oportuna em busca de restauração de princípios básicos do cristianismo, assim como a reforma da Igreja que estava corrompida e sem propósitos àquela época.
  2. Restauração do rigor no estudo da Bíblica, como palavra de Deus, com um método moderno típico do Renascimento cultural em que se iniciou. Pode-se dizer que a Reforma protestante foi o lado espiritual e religioso da Renascença, bem como uma das grandes causas da modernidade. O método de retorno às pesquisas de textos em suas línguas originais, tradução para a linguagem inteligível pelo povo, bem como o debate com o monopólio das tradições do catolicismo, trouxeram ao mundo moderno a forma hoje chamada de científica de estudar os clássicos.
  3. O protestantismo foi, então, primeiramente um movimento para trás, para retomar o que havia sido perdido e esquecido, para depois dar um passo para a frente e reformar a Igreja, ou ainda, para restaurar seus princípios.
  4. Restaurou também a liturgia dos cultos conforme aos padrões bíblicos e a forma de administrar a Igreja cristã, diferindo da rígida estrutura imposta pelo catolicismo, descentralizando o poder e trazendo às comunidades cristãs maior participação nas decisões (Sacerdócio geral dos cristãos) e na teologia da própria denominação cristã (sola fides). Não mais o Papa, mas as Escrituras sagradas passaram a ser a maior autoridade eclesiástica (sola Scriptura).
  5. Somente pela graça divina (Sola Gratia) se obtém a salvação, por meio de Cristo (solus Christus), em mediações de santos, e por meio da fé (sola fides), sem a necessidade de obras para a salvação. As obras passaram a ser fruto e reconhecimento pela salvação obtida de graça e como forma de vida cristã coerente: obras para viver o cristianismo e não para obter ou barganhar a salvação recebida de graça (sola gratia).

REFERÊNCIAS:

CHAUNU, Pierre. O tempo das reformas (1250-1550): a Reforma protestante. Lugar na História, v. 49-50, Edições 70, 1993.

MARTINA, Giacomo. História da Igreja: de Lutero aos nossos dias. V. 1: A era da Reforma. São Paulo: Loyola, 1997.

SILVESTRE, Armando A. Calvino: o potencial revolucionário de um pensamento. São Paulo: Vida, 2009.

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