Condromalácia patelar

Graduação em Fisioterapia (Faculdade da Serra Gaúcha, FSG, 2014)

A condromalácia patelar também é chamada de síndrome da dor patelofemoral (SDPF). Essa nomenclatura é empregada em casos onde ocorrem condições múltiplas associadas à dor patelofemoral. Consiste em uma condição comum em pessoas fisicamente ativas, com algias intensas em região anteropatelar e retropatelar, referida durante a subida ou descida de degraus, andar de bicicleta, saltar, correr, agachar, dentre outros movimentos que exigem determinados graus de flexão e extensão da articulação do joelho.

A condromalácia patelar causa muitas dores nos joelhos. Foto: Stephane Noiret / iStock.com

Causas

Normalmente a dor relacionada à condromalácia encontra-se especificamente na região anterior do joelho. A principal característica da condromalácia se dá por conta de um amolecimento patológico da cartilagem articular, podendo originar um processo degenerativo da cartilagem articular. A condromalácia caracteriza-se por apresentar dor, edema e crepitação retropatelar, aumentando a sensibilidade local, associando-se ao desequilíbrio funcional da musculatura do quadríceps, gerando atrofia de vasto medial e encurtamento de trato iliotibial. Porém, a patologia pode se manifestar por conta de traumas esportivos, ocasionados pelo excesso de atividade física, sobrecarga de peso ou corridas excessivas, tendo como maior predominância a manifestação em mulheres jovens.

A condromalácia se dá a partir da ação compressiva anormal e repetitiva sobre a cartilagem articular. Essa compressão ocorre a partir da ausência de congruência e diminuição da área de contato femoropatelar, quando uma subluxação ou deslocamento patelar for causado por um contato anormal da anatomia e da biomecânica, podendo ser causada também por radiculopatia lombar ou pinçamentos de terminações nervosas periféricas. Algumas classificações podem ser observadas no que se refere à condromalácia patelar:

  • Grau I: amolecimento da cartilagem e edema;
  • Grau II: fragmentação de cartilagem ou fissuras menores que 1.3cm de diâmetro; fibrilação; frangeamento;
  • Grau III: fragmentação ou fissuras com 1.3cm de diâmetro ou mais; lesão parcial da cartilagem;
  • Grau IV: perda de cartilagem e dano ao tecido ósseo subcondral; lesão total da cartilagem;

A cartilagem articular da patela é estruturalmente a mais espessa do corpo, não seguindo o contorno do tecido subcondral. Com o passar do tempo, tende a se tornar menos espessa, mesmo que não haja nenhuma patologia, no entanto as alterações decorrentes do processo de envelhecimento tendem a deteriorar o tecido e diminuir a funcionalidade. Quanto às propriedades mecânicas, é importante destacar que a cartilagem hialina possui grandes habilidades, como resistência às tensões, compressões, torções e extensibilidade, determinadas pelos componentes presentes na MEC (matriz extra celular). Porém, a integridade e função da cartilagem dependem da interação dos componentes da MEC e o fluido intersticial. Já a superfície articular promove a baixa permeabilidade de fluidos, servindo assim para restringir os fluidos exsudatos e aumentando a pressurização do fluido intersticial, tornando assim a articulação mais funcional, com maior suporte de cargas e mantendo as propriedades físicas e biológicas.

Sintomas, diagnóstico e tratamento

No caso da progressão da condromalácia patelar, as alterações iniciam na matriz extra celular, onde a composição colágena da cartilagem sofre rupturas, diminuindo progressivamente a quantidade de proteoglicanos. Dessa forma, há um prejuízo na MEC, comprometendo a função dos condrócitos, degenerando-os desde a camada mais superficial até a mais profunda. Com as alterações biomecânicas causadas pelo quadro degenerativo da patologia, percebe-se que o desequilíbrio patelofemoral resulta em uma combinação de sintomas que podem levar à diminuição drástica da funcionalidade, resultando em tensões desequilibradas entre os grupos musculares estabilizadores, diminuição de força muscular, excesso de tensão em estruturas ligamentares, falha mecânica, desvios posturais patelares e até mesmo dos segmentos superior e inferior à patela. Dependendo do estágio em que a lesão pode se encontrar ao ser diagnosticada, provavelmente o paciente estará incapacitado para o desenvolvimento desportivo de alto nível. Porém, vale lembrar que o processo de reabilitação, incluindo reforço muscular e alongamentos, tornam muito mais próximo de proporcionar ao paciente o retorno à funcionalidade e desenvolvimento das atividades desportivas, tanto de caráter de tratamento, visando a prevenção da manifestação de sintomas ou de patologias, quanto para a prática de forma geral.

Referências

NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

TORTORA, Gerard J. Corpo Humano – Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. Porto Alegre. 4ª ed. Artmed Editora. 2000.

http://www.luzimarteixeira.com.br/wp-content/uploads/2010/04/condromalaciaestruturamorfologia.pdf

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