Meningite tuberculosa

Mestre em Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas (FIOCRUZ, 2011)
Graduada em Biologia (UGF-RJ, 1993)

A Meningite tuberculosa é uma infecção das meninges (membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal) decorrente de uma tuberculose não tratada corretamente. Também é conhecida como tuberculose meníngea. É uma complicação da tuberculose, que é uma doença causada pelas bactérias do complexo Mycobacterium tuberculosis (M. tuberculosisM. bovis e M. africanum). Na meningite tuberculosa a bactéria sai do pulmão e se dissemina pela corrente sanguínea atingindo outros órgãos do corpo. Pode ser fatal se não tratada rapidamente. A doença possui 3 estágios. O primeiro, com duração de 1 a 2 semanas, apresenta com sintomas inespecíficos. No segundo estágio, aparecem sinais de lesão de nervos cranianos. No terceiro estágio os sintomas se agravam, podendo levar ao coma. O teste tuberculínico (teste cutâneo para determinar se o paciente te tuberculose) pode ou não ser reator.

Transmissão

A doença não é transmissível, a não ser que haja doença pulmonar ativa.

Sintomas

A doença pode ter início aos poucos ou ter um começo abrupto, com convulsões. No primeiro estágio, que tem duração de 1 a 2 semanas, os sintomas são inespecíficos e são representados por dor muscular (mialgias), sonolência, apatia, irritabilidade cefaleia, anorexia (peso abaixo do normal), vômitos, dor abdominal e mudanças súbitas do humor. No segundo estágio novos sintomas aparecem: sinais de lesão de nervos cranianos, estrabismo, irritação meníngea e hipertensão intracraniana. Ocorrem também sinais de encefalite, com tremores periféricos, distúrbios da fala, trejeitos. O terceiro estágio se caracteriza por déficit neurológico, rigidez na nuca, alterações do ritmo cardíaco e da respiração, podendo levar ao coma. Convulsões também estão presentes e qualquer estágio da doença.

Diagnóstico

Pesquisa da bactéria no liquor através da Citometria e bioquímica, pesquisa de BAAR (baciloscopia com coloração de Ziehl-Neelsen) e cultura no meio Lowenstein-Jewsen. A cultura de líquor é o método bacteriológico mais sensível e específico, mas demora de 30 a 60 dias para o resultado. O diagnóstico diferencial é realizado com outras doenças infecciosas que comprometem o sistema nervoso central como meningoencefalites virais, outras meningites bacterianas (Haemophylus influenzae, Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis) e meningite fúngica (Cryptococcus neoformans).

Tratamento

Para tratar a doença são utilizadas a isoniazida, rifampicina, pirazinamida e/ou etambutol. Corticoides sistêmicos também são prescritos para reduzir as complicações associadas com a doença. O tratamento é longo e dura pelo menos 6 meses. Em casos graves é necessária a internação hospitalar.

Prevenção

Deve-se controlar e tratar a tuberculose, para que a meningite tuberculosa não se desenvolva. A população deve ser estimulada a realizar a vacinação da BCG nas crianças.

Bibliografia:

http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=521
http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/1809/meningite_tuberculosa.htm

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