Destruição criativa

Destruição Criativa é uma teoria desenvolvida pelo economista austríaco Joseph Schumpeter para explicar as transformações que ocorrem no Capitalismo, que segundo ele jamais seria estático e está em constante evolução. O fenômeno da Destruição Criativa ocorre quando empreendedores criam novos produtos ou novas formas de produzir que florescem causando mudanças na economia.

Um exemplo do fenômeno da Destruição Criativa foi o desuso em larga escala do uso de velas, candelabros, tochas e lamparinas para dar lugar às lâmpadas incandescentes. Outro exemplo foi a invenção do celular, que pouco a pouco substituiu o uso dos telefones residenciais e posteriormente foi substituído pelos smartphones.

A Destruição Criativa tem dois lados. Se por um lado, há inovação e mais opções para as pessoas consumirem e empreenderem, por outro lado, os indivíduos ou instituições que trabalhavam em determinada área antes da inovação podem ficar temporariamente fora do mercado, nunca voltarem a se integrarem a ele ou nunca mais desfrutarem da prosperidade que tinham antes. Schumpeter demonstrou com sua teoria que a dor e o ganho do Capitalismo estão intrinsecamente ligados, pois o processo de estabelecimento de novas indústrias varre a ordem que existia antes.

As pessoas se beneficiaram quando cavalos e mulas deram lugar aos trens, carros e aos aviões, mas tal substituição não veio sem destruição. Como apontado pelo economista W. Michael Cox e pelo jornalista Richard Alm, em 1900 os Estados Unidos da América tinham 109.000 fabricantes de carruagens e arreios; em 1910, 283 mil americanos trabalhavam como ferreiros, e esses empregos hoje são praticamente obsoletos. As ferrovias perderam a concorrência com os carros e caminhões, e posteriormente com os aviões. Em 1920, 2,1 milhões de americanos trabalhavam nas ferrovias, em 2002 eram menos de 200 mil.

Outro efeito negativo presente na Destruição Criativa ocorre quando os inovadores não podem agir no mercado. Isso ocorre principalmente através de políticas e regulamentações governamentais. Um exemplo disso são as leis que visam proibir o uso de aplicativos de transporte para a proteção de taxistas e empresas de ônibus coletivos.

Devido o processo de Destruição Criativa costumar ocorrer em longo prazo, os governos sempre são tentados a bloquearem os agentes de inovação para salvarem empregos e indústrias já estabelecidos. Mas isso geralmente resulta em malefícios para os consumidores, para a própria sociedade. O que aconteceria se as indústrias de lâmpadas elétricas fossem proibidas de existir para salvar as fábricas de velas? Ou se o ensino à distância através da internet fosse proibido para proteger as escolas e universidades que operam de modo presencial? Cabe ainda ressaltar que as regulamentações que freiam a Destruição Criativa não apenas atrapalham o florescimento de inovações que já começaram a acontecer como também podem desencorajar novos agentes de inovação de surgirem.

REFERÊNCIAS:

ALM, Richard e COX, W. Michael. Creative Destruction. Disponível em: <http://www.econlib.org/library/Enc/CreativeDestruction.html>. Acesso em 26 de dezembro de 2018.

MOTA, Pedro Lula. Schumpeter: inovação, destruição criadora e desenvolvimento. Disponivel em: <https://www.terracoeconomico.com.br/schumpeter-inovacao-destruicao-criadora-e-desenvolvimento/>. Acesso em 26 de dezembro de 2018.

MURRAY, Ian. Unleash the Market's Creative Destruction. Disponível em: <https://fee.org/articles/unleash-the-markets-creative-destruction/>. Acesso em 26 de dezembro de 2018.

SCHUMPETER, Joseph. Creative Destruction. Disponível em: <https://fee.org/articles/creative-destruction/>. Acesso em 26 de dezembro de 2018.

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