O Federal Reserve, conhecido como Fed, é o banco central dos Estados Unidos. Criado em 1913, ele define a taxa básica de juros americana, supervisiona bancos e atua para manter a estabilidade do sistema financeiro. Como o dólar é a principal moeda do comércio e das reservas internacionais, suas decisões afetam o câmbio, os juros e os investimentos no mundo todo, inclusive no Brasil.

Edifício Marriner S. Eccles, sede do Conselho de Governadores do Federal Reserve, em Washington. Foto: AgnosticPreachersKid / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0
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Origem
No século XIX e no início do XX, os Estados Unidos não tinham um banco central permanente e enfrentavam pânicos bancários frequentes, quando correntistas corriam para sacar seu dinheiro ao mesmo tempo. Depois da crise de 1907, o Congresso aprovou a Lei do Federal Reserve (Federal Reserve Act), sancionada pelo presidente Woodrow Wilson em 23 de dezembro de 1913.
O Fed falhou em sua primeira grande prova. Durante a Crise de 1929, deixou a oferta de moeda encolher e milhares de bancos quebrarem. O economista Milton Friedman considerou essa omissão uma das causas da Grande Depressão. A lição influenciou a resposta do banco às crises seguintes.
Estrutura
O Fed tem uma estrutura descentralizada, que combina um órgão público em Washington com bancos regionais:
- Conselho de Governadores: sete membros indicados pelo presidente dos EUA e aprovados pelo Senado, com mandatos de 14 anos. O presidente do Fed é escolhido entre eles, para um mandato renovável de quatro anos;
- 12 Federal Reserve Banks: bancos regionais com sede em cidades como Nova York, Chicago, São Francisco e Cleveland;
- Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc): decide a política de juros. Tem 12 votos: os sete governadores, o presidente do Fed de Nova York e quatro presidentes de bancos regionais, em rodízio.
O Fomc se reúne oito vezes por ano. O modelo lembra o do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, que também tem reuniões a cada cerca de seis semanas.
O duplo mandato
Diferentemente de muitos bancos centrais, que têm como objetivo principal o controle da inflação, o Fed tem, desde 1977, um duplo mandato: buscar a estabilidade de preços e o máximo emprego. Na prática, persegue uma inflação de 2% ao ano, medida pelo índice de gastos com consumo pessoal (PCE), meta formalizada em 2012.
Às vezes, os dois objetivos entram em conflito. Juros altos ajudam a conter a inflação, mas desaceleram a economia e podem aumentar o desemprego. Juros baixos fazem o contrário.
Como o Fed atua
O principal instrumento é a taxa dos fed funds, os juros que os bancos cobram entre si em empréstimos de um dia. O Fed a anuncia como uma faixa (por exemplo, de 3,75% a 4%) e a mantém nesse intervalo ajustando os juros que paga sobre as reservas dos bancos. É o equivalente americano da taxa Selic.
Em crises, o Fed usa ferramentas extraordinárias. Na crise de 2008 e na pandemia de covid-19, levou os juros para perto de zero e fez o chamado afrouxamento quantitativo (quantitative easing), comprando trilhões de dólares em títulos para injetar dinheiro na economia.
Independência e pressão política
O Fed é independente: suas decisões não precisam ser aprovadas pelo presidente da República nem pelo Congresso, embora o banco preste contas aos parlamentares. Essa autonomia já foi testada várias vezes. Durante seu segundo mandato, Donald Trump criticou duramente o então presidente do Fed, Jerome Powell, por não reduzir os juros com a rapidez que desejava. Ao fim do mandato de Powell na presidência do banco, Trump indicou Kevin Warsh para o cargo. Warsh tomou posse em 22 de maio de 2026.
Defensores da independência afirmam que ela protege a política monetária de interesses eleitorais de curto prazo. Críticos, por outro lado, argumentam que um órgão tão poderoso deveria responder mais diretamente a autoridades eleitas.
As decisões recentes
Depois de manter juros altos em 2023 e 2024 para conter a inflação do pós-pandemia, o Fed cortou a taxa quatro vezes desde janeiro de 2025. Em setembro de 2026, porém, voltou a subir os juros em 0,25 ponto percentual, a primeira alta em mais de três anos, em meio à disparada do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã.
Em 28 de outubro de 2026, o Fomc manteve a taxa na faixa de 3,75% a 4% ao ano. A inflação ao consumidor (CPI) estava em 3,7% em 12 meses, acima da meta. A decisão não foi unânime: a governadora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, votaram por uma nova alta. Warsh disse que o banco ainda não havia alcançado a estabilidade de preços.
Efeitos no Brasil
Quando os juros americanos sobem, os títulos do Tesouro dos EUA ficam mais atraentes para investidores do mundo todo. Parte do dinheiro sai de países emergentes como o Brasil, o que tende a valorizar o dólar e encarecer produtos importados. Isso pressiona a inflação brasileira e pode levar o Copom a manter a Selic alta por mais tempo. Por isso, as reuniões do Fed são acompanhadas de perto pelo mercado financeiro brasileiro.
Referências
- Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,75% a 4% ao ano a poucos dias das eleições para o Congresso – g1
- Who We Are – Federal Reserve
- Federal Reserve Act – Federal Reserve
- Federal Open Market Committee – Federal Reserve
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/economia/federal-reserve/