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Semaglutida

A semaglutida é um medicamento para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Ela pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, substâncias que imitam a ação de um hormônio intestinal envolvido no controle do açúcar no sangue e do apetite. É o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, aplicados por injeção semanal, e do Rybelsus, em comprimidos, todos da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. No Brasil, só pode ser vendida com prescrição médica, e a farmácia retém a receita.

Estruturas químicas da semaglutida e da liraglutida comparadas

Estruturas da semaglutida e da liraglutida, outro agonista de GLP-1, com destaque para as diferenças entre as moléculas. Imagem: Luketheslovak / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

O que é o GLP-1

O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1) é um hormônio produzido pelo intestino depois das refeições. Ele faz parte das incretinas, um grupo de hormônios que estimulam o pâncreas a liberar insulina quando a glicose está alta. O GLP-1 natural dura poucos minutos no sangue, pois é rapidamente degradado por uma enzima chamada DPP-4.

A semaglutida é uma versão modificada dessa molécula. Pequenas alterações na cadeia de aminoácidos e a ligação a um ácido graxo fazem com que ela se prenda à albumina, uma proteína do sangue, e resista à degradação. O efeito dura cerca de uma semana, o que permite a aplicação semanal.

Como age no organismo

  • Pâncreas: aumenta a liberação de insulina e reduz a de glucagon, mas só quando a glicose está elevada, o que diminui o risco de hipoglicemia;
  • Estômago: retarda o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de estômago cheio;
  • Cérebro: atua em regiões do hipotálamo ligadas à fome e à saciedade, reduzindo o apetite.

A combinação desses efeitos explica por que um remédio criado para o diabetes também leva à perda de peso.

Indicações e nomes comerciais

Ozempic, Wegovy e Rybelsus têm o mesmo princípio ativo, mas indicações e apresentações diferentes:

  • Ozempic: injetável, indicado para adultos com diabetes mellitus tipo 2;
  • Wegovy: injetável, indicado para o tratamento da obesidade e do sobrepeso com doenças associadas, sempre junto de dieta e atividade física;
  • Rybelsus: comprimido para diabetes tipo 2, uma das poucas formas orais de um medicamento à base de peptídeo.

Nos estudos clínicos do programa STEP, pessoas com obesidade tratadas com Wegovy perderam em média cerca de 15% do peso corporal em pouco mais de um ano, contra cerca de 2% no grupo placebo. Outro estudo, o SELECT, publicado em 2023, encontrou redução de cerca de 20% no risco de infarto, AVC e morte cardiovascular em pessoas com obesidade e doença cardíaca prévia.

Efeitos colaterais e riscos

Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais: náusea, vômito, diarreia, prisão de ventre e dor abdominal. Costumam ser mais intensos no início do tratamento. Entre os riscos menos frequentes estão pancreatite, problemas na vesícula biliar e piora da retinopatia em pessoas com diabetes. O medicamento é contraindicado para quem tem histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide.

A perda de peso rápida também pode levar à perda de massa muscular. Além disso, o peso tende a voltar quando o tratamento é interrompido sem mudanças de hábito. Em 2026, reportagens mostraram usuários recorrendo por conta própria a suplementos para aliviar os efeitos colaterais, prática que médicos desaconselham sem orientação profissional.

Por que exige receita

A popularidade da semaglutida para emagrecer levou a uso sem indicação, falta do produto nas farmácias e circulação de canetas falsificadas e de versões manipuladas irregulares. Em 2025, a Anvisa passou a exigir a retenção da receita para todos os agonistas de GLP-1, como já ocorre com antibióticos. A decisão sobre usar o remédio, e em que dose, cabe ao médico, que avalia o histórico de cada paciente. A automedicação com esses produtos é desaconselhada pelas autoridades sanitárias.

Fim da patente e genéricos no Brasil

A patente da semaglutida no Brasil expirou em 20 de março de 2026, o que abriu caminho para versões de outros fabricantes. Em agosto de 2026, a Anvisa aprovou o primeiro genérico, da EMS, e um medicamento similar, o Semaclique, da Germed. Ambos são sintéticos, indicados para adultos com diabetes tipo 2 e apresentados em canetas de aplicação semanal, que devem ser guardadas em geladeira, entre 2 °C e 8 °C. Outras empresas, como a Biomm, em parceria com a indiana Biocon, também buscam registro.

A expectativa é que a concorrência reduza os preços, hoje altos para a maioria dos brasileiros.

Referências

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Arquivado em: Farmacologia, Medicina