Semiótica

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

A semiótica, de maneira geral, é uma doutrina ou um modo de reflexão sistemática sobre os signos (aqui, naturalmente, não no sentido astrológico, popularmente adotado, mas no sentido em que aponta ou dá significado a algo), sua classificação, as leis que os regem e seus usos no âmbito da comunicação e seus significados. Em sentido mais estrito, adotado a partir do século XX, a semiótica passou a dizer respeito a uma disciplina acadêmica de caráter autônomo. Este termo foi amplamente utilizado no mundo de língua inglesa (Reino Unido e Estados Unidos), tendo sido introduzido pelo filósofo inglês John Locke (1632 – 1704), e também na Alemanha e no Leste-Europeu. Apesar de, por muitos anos, ter prevalecido o termo “semiologia” entre os chamados estruturalistas franceses, termo introduzido pelo linguista suíço Ferdinand de Saussure (1857 – 1913), o termo semiótica foi adotado definitivamente como padrão para os estudos dos signos a partir do ano de 1969.

O estudo da semiótica está inserido no interior da chamada teoria dos signos, uma teoria filosófica e científica que se ocupa de tudo o que carrega consigo algum sentido, que comunica algo e que transmite alguma informação. Uma semiótica pode ser, primeiramente, dividida em dois âmbitos: um específico e um geral. No âmbito específico, a semiótica tem um caráter gramático, dedicando-se a estudos linguísticos, de sistemas de sinalização (como no trânsito, por exemplo), de gestos, de notação musical, etc. No âmbito geral, por sua vez, a semiótica assume um caráter mais propriamente filosófico, não se dedicando à análise dos sinais já dados, mas construindo-os de modo teórico, a fim de explicar fenômenos que, por si, aparentam ser desiguais. Nesse sentido, alguns estudiosos compreendem um signo como algo que define um termo linguístico, uma imagem, um gesto, um sintoma físico. Outros teóricos ampliam ainda mais o sentido do signo, atribuindo a ele também fenômenos naturais, como a comunicação dos animais. Há, também, aqueles que limitam o signo aos artifícios criados pelos seres humanos exclusivamente para fins de comunicação (palavras, gestos, sinais de fumaça, etc.).

Outra divisão da semiótica também pode ser feita, no que diz respeito à linguística, em três áreas: pragmática, que estuda como as pessoas, as máquinas ou os animais utilizam os signos; semântica, que estuda a relação dos signos e de seus diferentes significados, independentemente dos modos como são utilizados; por fim, sintaxe, que estuda a relação dos signos em si mesmos, desconsiderando tanto o seu uso quanto seu significado.

Mais uma divisão encontrada dentro dos estudos da semiótica diz respeito ao sentido do termo “signo”, referido no primeiro parágrafo. Tal divisão distingue o signo entre símbolos, ícones e índices.

Um símbolo, também chamado de “signo convencional”, é comum às formas naturais de linguagem. É um signo cuja forma não tem qualquer correspondência direta com aquilo que ela se refere e que não indica necessariamente sua presença quando ele é utilizado. Nesse sentido, uma palavra escrita é um símbolo. Por exemplo: a palavra CÃO não se parece com um cachorro e pode estar escrita em algum lugar onde não há nenhum cachorro.

Um índice, ou “signo natural”, é um signo que é casual ou estatisticamente relacionado àquilo a que ele se refere e que não é produzido de maneira intencional. Nesse sentido, seguindo o exemplo anterior, um latido indica que há um cão.

Por fim, um ícone é um signo cuja forma corresponde àquilo a que ele se refere. Exemplo: uma placa com o desenho de um cão lembra, imediatamente, um cão.

Alguns dos principais teóricos da semiótica são Ferdinand de Saussure, Charles Peirce (1839 – 1914) e Umberto Eco (1932 – 2016).

Referências:

AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. New York: Cambridge University Press, 1999.

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. Trad. Alfredo Bosi e Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

BUNNIN, Nicholas; YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.

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