Heráclito

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

Heráclito de Éfeso (540 – 475 a.C) foi um filósofo pré-socrático grego que, como seu nome demonstra, nasceu na cidade de Éfeso, então pertencente à região conhecida como Jônia.

Heráclito era de uma família descendente do fundador da cidade, o que lhes conferia um caráter de realeza. Tornou-se conhecido em toda a antiguidade por seu caráter orgulhoso, de modo a desprezar a plebe, os antigos poetas, os filósofos, a política de seu tempo e a religião, apesar de, segundo o filósofo e historiador antigo Diógenes Laércio, ter depositado seu escrito no templo da deusa Ártemis. Devido a seu modo crítico de ser, retirou-se da cidade e foi morar nas montanhas. Escreveu uma obra intitulada Sobre a natureza, da qual restaram para a posteridade apenas fragmentos. Esta obra foi escrita de forma tão concisa que lhe rendeu a alcunha de “O obscuro”. Diógenes Laércio afirma também que ela foi escrita de maneira difícil de propósito, a fim de poder ser compreendida apenas por homens capazes e não ser exposta ao desprezo pelo público. Um dos elementos que marcam sua importância é seu papel na transição entre os filósofos chamados milesianos (aqueles que floresceram na antiga cidade grega de Mileto) e os conhecidos como pluralistas. É considerado por muitos um dos maiores pensadores pré-socráticos por ter-se dedicado ao problema da unidade do Ser diante da mutabilidade e da pluralidade das coisas existentes do mundo. Estabeleceu a existência de uma lei universal que rege o mundo e determina sua harmonia (ao que ele chamou pela palavra grega Logos, que significa razão ou causa do mundo).

Em sua doutrina, assim como na doutrina de outros filósofos pré-socráticos, que buscavam o elemento original do qual surgiram todas as coisas, Heráclito afirmava que “todas as coisas são permutas de fogo”, o que significa que todas as coisas se originam no fogo e se resolvem nele. Isto se daria de acordo com uma série de transformações cíclicas, onde o fogo, por um processo de condensação, se transformaria em água e em terra que, depois, evaporariam, completando o ciclo e recomeçando-o. Esta transformação torna-se possível através da existência de contrários em constante conflito, como o quente e o frio, o úmido e o seco, etc. Assim sendo, sem um dos contrários não seria possível a existência do outro, de modo que o universo (cosmos) não existiria. Sobre isto, no fragmento de número 80, Heráclito afirma que “justiça (é) discórdia, e que todas (as coisas) vêm a ser discórdia e necessidade”.

É nessa tensão que, para o filósofo, o Logos estabelece a harmonia do mundo. “O divergente consigo mesmo concorda”, afirma. É uma harmonia de tensões contrárias, como a do arco com a lira (um instrumento antigo que funcionava do mesmo modo que os violinos, por exemplo).

Outro elemento importante e bastante conhecido de sua doutrina diz respeito à transitoriedade das coisas, que estão em constante movimento. Em um dos fragmentos de sua obra, o de número 49a, encontra-se a seguinte afirmação: “Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos”, e também, no fragmento de número 91, que “em rio não se pode entrar duas vezes no mesmo, nem substância mortal tocar duas vezes na mesma condição”. Estas duas citações atribuídas a Heráclito explicam, através da metáfora do rio, que as coisas nunca são as mesmas, ou seja, a cada segundo são novas as águas que passam pela corrente de um rio e, da mesma maneira, todas as coisas do mundo estão em uma condição diferente a cada instante que passa. Quer dizer, tudo está fluindo a todo momento.

REFERÊNCIAS:

AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. New York: Cambridge University Press, 1999.

BUNNIN, Nicholas; YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.

HERÁCLITO. Sobre a natureza. Trad. José Cavalcante de Souza. Em.: Os pensadores. Vol. 1. São Paulo: Abril S.A. Cultural e Industrial, 1973.

Arquivado em: Biografias, Filósofos