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Míssil balístico intercontinental (ICBM)

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O míssil balístico intercontinental, conhecido pela sigla em inglês ICBM (Intercontinental Ballistic Missile), é um míssil de longo alcance, geralmente acima de 5.500 quilômetros, projetado para transportar ogivas nucleares de um continente a outro. Depois de impulsionado por foguetes, ele sobe até o espaço e segue uma trajetória balística, isto é, guiada principalmente pela gravidade, até reentrar na atmosfera e atingir o alvo, em cerca de 30 minutos. Os ICBMs são a base da dissuasão nuclear das grandes potências desde a Guerra Fria.

Lançamento de teste de um míssil balístico intercontinental Minuteman III, dos Estados Unidos, em 2019

Staff Sgt. JT Armstrong (Força Aérea dos EUA) / Lançamento de teste de um ICBM Minuteman III na Base de Vandenberg, em 2019. Fonte. Licença: Domínio público

O que significa "balístico"

Um míssil balístico recebe propulsão apenas na fase inicial do voo. Depois que os motores se desligam, ele se desloca como um projétil lançado, sob a ação da gravidade. Isso o diferencia dos mísseis de cruzeiro, que voam baixo, dentro da atmosfera, com propulsão contínua e asas, como um avião não tripulado.

Os mísseis balísticos são classificados conforme o alcance. Os de curto alcance chegam a cerca de 1.000 km; os de médio e de alcance intermediário vão de 1.000 a 5.500 km; e os intercontinentais ultrapassam 5.500 km, limite usado em tratados de controle de armas entre Estados Unidos e Rússia. Alguns ICBMs atuais alcançam mais de 10 mil km.

As fases do voo

O voo de um ICBM costuma ser dividido em três fases:

  • Fase de impulso: dura poucos minutos. Os estágios do foguete queimam combustível e se separam, acelerando o míssil a uma velocidade da ordem de 7 km/s, mais de 20 vezes a velocidade do som.
  • Fase intermediária: é a mais longa. O míssil, ou a parte que carrega as ogivas, viaja pelo espaço em trajetória balística, podendo atingir mais de 1.000 km de altitude. Nessa etapa, mísseis com ogivas múltiplas liberam cada uma delas em direção a alvos diferentes.
  • Fase terminal: as ogivas reentram na atmosfera em altíssima velocidade, protegidas por escudos térmicos, e caem sobre os alvos.

A tecnologia de ogivas múltiplas é chamada de MIRV (Multiple Independently targetable Reentry Vehicle). Ela permite que um único míssil ataque várias cidades ou bases e dificulta a defesa antimíssil.

A física por trás do alcance

Em uma aproximação simples, que desconsidera a resistência do ar, a curvatura da Terra e a variação da gravidade com a altitude, o alcance R de um projétil lançado com velocidade v e ângulo θ em relação ao solo é:

O alcance máximo ocorre com ângulo de 45°, quando . Para chegar a 5.500 km nesse modelo, seria necessária uma velocidade de aproximadamente:

Na prática, o cálculo real é mais complexo, porque a Terra é curva e a gravidade diminui com a altura. Ainda assim, o resultado mostra a ordem de grandeza envolvida: os ICBMs atingem velocidades próximas às necessárias para colocar um satélite em órbita. Não por acaso, os primeiros foguetes espaciais derivaram de mísseis balísticos.

História

A origem dos mísseis balísticos está no foguete alemão V-2, usado na Segunda Guerra Mundial. Depois do conflito, Estados Unidos e União Soviética aproveitaram cientistas e tecnologia alemães. Em 1957, a União Soviética testou com sucesso o R-7, considerado o primeiro ICBM; uma versão adaptada do mesmo foguete colocou em órbita o Sputnik, primeiro satélite artificial. Os Estados Unidos colocaram em operação o Atlas pouco depois.

Durante a Guerra Fria, as duas superpotências acumularam milhares de mísseis em silos subterrâneos, lançadores móveis e submarinos nucleares. A instalação de mísseis soviéticos em Cuba, capazes de atingir o território americano, levou à Crise dos Mísseis de 1962, um dos momentos mais perigosos do período. A lógica da dissuasão baseava-se na "destruição mútua assegurada": qualquer ataque nuclear provocaria uma retaliação devastadora.

Caminhões lançadores do míssil intercontinental russo Topol-M em ensaio do desfile do Dia da Vitória em Moscou, 2012

Lançadores móveis do ICBM russo Topol-M em ensaio para o desfile do Dia da Vitória, em Moscou, em 2012. Foto: Vyacheslav Argenberg / CC BY 4.0

A tríade nuclear e os países que possuem ICBMs

As maiores potências nucleares mantêm a chamada tríade: mísseis lançados de terra, mísseis lançados de submarinos e bombardeiros estratégicos. Os submarinos são considerados a parte mais difícil de neutralizar, já que podem permanecer escondidos sob o oceano por meses.

Estados Unidos, Rússia e China têm ICBMs baseados em terra. França e Reino Unido dependem de mísseis lançados de submarinos com alcance intercontinental. A Coreia do Norte testou mísseis com alcance estimado suficiente para atingir os Estados Unidos, e a Índia desenvolve mísseis de longo alcance. Saiba mais sobre os países com armas nucleares.

Lançador móvel sobre rodas do míssil balístico intercontinental russo RS-24 Yars

Lançador móvel do ICBM russo RS-24 Yars. Foto: Ministério da Defesa da Rússia / CC BY 4.0

Controle de armas

Ao longo das décadas, Estados Unidos e União Soviética, depois Rússia, negociaram acordos para limitar seus arsenais, como os tratados SALT e START. O mais recente, o Novo START, limitava o número de ogivas estratégicas e de lançadores de cada lado e expirou em 5 de fevereiro de 2026, sem um acordo substituto. O Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares busca impedir que novos países obtenham a bomba atômica.

O teste russo de outubro de 2026

Segundo o g1, em reportagem de 29 de outubro de 2026, o Ministério da Defesa da Rússia informou na quarta-feira (28) que o submarino nuclear Generalissimus Suvorov, da classe Borei, lançou um míssil RSM-56 Bulava. O projétil percorreu cerca de 8,3 mil km, atravessou quase todo o território russo e caiu em uma área de testes na região de Arkhangelsk. Cada submarino dessa classe pode carregar até 16 mísseis desse tipo.

O teste ocorreu em meio a tensões entre a Rússia e países europeus por causa da guerra na Ucrânia. No início do mesmo mês, a França havia testado um míssil balístico M51.3, lançado de submarino.

Referências

Arquivado em: Física, Tecnologia