Catedral de Notre-Dame

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

A Catedral de Notre-Dame de Paris é uma obra dedicada à Virgem Maria, cuja construção se estendeu entre 1163 e 1345, localizada na Île de la Cité, no rio Sena, centro da cidade de Paris, outrora, a cidade romana de Lutetia que se ergueu sobre ruínas de um antigo lugar de culto celta, depois templo de Júpiter e por fim, uma igreja dedicada à Saint-Étienne, datada do séc. VI d.C.

Em 1160, passou a dar lugar a uma nova igreja, sob a orientação do bispo Maurice de Sully, que ordenara a demolição da construção românica ali existente para que outra maior e mais alta pudesse ocupar seu lugar.

Seguindo o costume, a construção começou do coro para a nave (Leste-Oeste) a partir de 1163, tendo entre seus construtores, homens que trabalharam na basílica de Saint-Denis, reformada pelo abade Suger e daí, a influência da arquitetura gótica.

Catedral de Notre-Dame. Foto: Steven G. Johnson / Wikimedia.

Sua planta foi pensada na estrutura da cruz latina, com um amplo deambulatório em volta do coro (que separa o altar principal do corpo dos fiéis). Sua consagração se deu em 1189, podendo então ter missas realizadas ali.

A fachada ocidental é uma composição simétrica construída por volta de 1200: duas torres de mesmo tamanho, uma rosácea de 13 m de diâmetro e um pórtico composto por três portas (ao centro o Juízo Final, para o norte a Porta de Santa Ana e para o sul, a Porta da Virgem). Sobre os três tímpanos, encontra-se a Galeria real que une os reis bíblicos aos reis de França, situação que sublinha a legitimidade do poder real francês como um desdobramento da vontade divina.

Fachada principal da Catedral de Notre-Dame em Paris. Foto: TTstudio / Shutterstock.com

O transepto (braços da cruz no sentido norte-sul) foram trabalhados pelos arquitetos Jean de Chelles e Pierre de Montreuil, entre 1250 e 1267. A estrutura se orientou pela arquitetura gótica: paredes mais finas, sustentadas por contrafortes no exterior da igreja, permitindo a elevação dos arcos ogivais e a colocação de vitrais. Suas dimensões são 127m de comprimento por 48m de largura e 35m de altura no seu interior.

As rosáceas tem como temas: Virgem Maria e o menino Jesus (Oeste), Virgem Deus em majestade, posteriormente restaurada por Eugène Viollet-le-Duc no século XIX, o qual decidira representar Maria e o menino Jesus (Norte) e Juízo Final (Sul).

A estrutura do telhado era datada do século XIII, construída com madeira de cerca de 1300 carvalhos, o equivalente a aproximadamente 24 hectares de floresta. No século XV, o pináculo que ficava no ponto central dos telhados foi destruído por um incêndio e reconstruído durante o processo de restauração da catedral sob o comando do arquiteto Eugène Viollet-le-Duc no século XIX, fora uma estrutura de madeira esculpida, revestida posteriormente com chumbo.

Além da sede da diocese de Paris, a catedral foi o lugar da sagração do rei inglês Henrique VI, no contexto da Guerra dos Cem Anos, foi coroado rei da França em 16 de dezembro de 1431. Já no contexto posterior à Revolução Francesa, em 02 de dezembro de 1804, Napoleão Bonaparte foi coroado Imperador dos Franceses, inaugurando o período do Império Napoleônico (1804-1815).

Uma de suas referências mais populares é o romance de Victor Hugo, cujo título original foi “Notre-Dame de Paris”, de 1831, e depois ficou conhecido como “O corcunda de Notre-Dame”, um romance histórico ambientado em 1482.

Em 15 de abril de 2019, um incêndio sem vítimas destruiu a estrutura de madeira do teto, fazendo-o desabar, assim como o pináculo, porém não destruiu completamente a catedral, que se encontra num processo de reconstrução.

Bibliografia:

ERLANDE-BRANDENBURG, Alain. L’élan des cathédrales. Paris: Éditions Jean-Paul Gisserot, 2002.

SIMSON, Otto von. A catedral gótica: origens da arquitetura gótica e o conceito medieval de ordem. Lisboa: Editorial Presença, 1991, 1a. edição.

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