Imigração Italiana no Brasil

Graduada em História (UFF, 2017)
Mestre em Sociologia e Antropologia (UFRJ, 2012)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2009)

No Brasil, desde a época de independência a imigração estava no centro da pauta dos intelectuais e políticos do país. Isso ocorria devido, principalmente, a três fatores:

  • Ocupação do território;
  • Necessidade de soldados para garantir a posse do país;
  • Estímulo ao trabalho livre (considerado superior ao escravo, conforme os princípios iluministas defendidos por parte da elite intelectual luso-brasileira, além das necessidades econômicas).

Já no final do século XIX com o projeto abolicionista ganhando contornos mais claros e o fim da mão-de-obra escrava se aproximando, a preocupação com o projeto imigrantista vai ganhando outras formas. Esse projeto é facilitado pela conjuntura internacional daquela época. Enquanto a Europa vivia a chamada “transição demográfica” com grande excedente populacional consequência das melhorias na agricultura, diminuição dos índices de mortalidade e com a mobilidade das pessoas facilitada pelas ferrovias e embarcação a vapor, o Brasil vivia o período de expansão da sua produção cafeeira, necessitando assim de mão-de-obra. Já que a mão-de-obra escrava estava com os dias contados, havia a necessidade da contratação de mão-de-obra livre.

Os braços livres escolhidos pelos políticos, intelectuais e produtores para levar adiante um projeto de civilização, era um projeto europeu. Havia iniciativas para trazer africanos livres e colonizar o território, mas o projeto vitorioso foi o de uma elite que considerava os imigrantes da Europa os únicos capazes de construir uma nação civilizada e moderna. Foi dentro deste contexto que ocorreu a imigração italiana para o Brasil, sendo eles 42% dos mais de 3 milhões de estrangeiros que entraram no Brasil.

Aproximadamente 62% dos imigrantes que entraram no Brasil na década de 1880 eram italianos, porém a etapa mais importante da imigração italiana foi no início do período republicano, em ligação direta com a expansão cafeeira e a política de imigração subvencionada em um momento que se dava preferência a entrada de famílias ao invés de indivíduos isolados.

Embora se faça referência a esse grupo como italianos, a Itália até sua unificação (1861-1870) era constituída por Estados independentes com culturas, climas, economias e até línguas diferentes, conforme demonstra a tabela abaixo:

Emigração italiana para o Brasil, por regiões (1976-1920)
Região N° de indivíduos Região N° de indivíduos
Vêneto 365.710 Sicília 44.390
Campânia 166.080 Piemonte 40.336
Calábria 113.155 Apúlia 34.833
Lombardia 105.973 Marchê 25.074
Abruzzos/Molise 93.020 Lazio 19.82
Toscana 81.056 Úmbria 11.818
Emília-Romana 59.877 Ligúria 9.328
Basilicata 52.888 Sardenha 6.113

Fonte: Annuario Statistico dell´Émigrazione italiana dal 1876 al 1925

Da região norte da Península (Vêneto) vieram pequenos proprietários de terra, meeiros e arrendatários, com famílias extensas de até 15 pessoas e não os miseráveis retratos na ficção. Até meados de 1880 os imigrantes que partiram do Sul da Península (Calábria), têm as mesmas condições retratadas anteriormente. É apenas no final do século XX que agentes brasileiros de imigração na Europa ligados aos barões do café arregimentam imigrantes trabalhadores braçais totalmente destituídos de capital, que vinham principalmente do sul da Itália.

Há de se destacar, por fim, a grande quantidade chegaram as grandes cidades. Eles tiveram ativa participação no processo de industrialização brasileira, representando no ano de 1901, 90% dos trabalhadores empregados nas industrias paulistas. Devido a esse grande número de trabalhadores que eram imigrantes italianos, esse grupo participou da formação do movimento operário brasileiro e da divulgação do movimento anarquista no Brasil.

Leia também:

Bibliografia:

Vainfas, Ronaldo (organizador) . Dicionário do Brasil imperial (1822-1889) / Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Revista Nossa História Ano 2/n°24 Editora Vera Cruz