Vegetação de Pernambuco

Por Lucas Ebbesen
Categorias: Pernambuco
Ouça este artigo:
Este artigo foi útil? Considere fazer uma contribuição!

A vegetação de Pernambuco é dividida, basicamente, em quatro tipos: Formações Litorâneas, Floresta Tropical, Caatinga e Cerrado. A primeira marcada pela presença de restingas e manguezais. Já as florestas atlânticas se caracterizam por espécies perenes ou deciduais. Por fim, a caatinga, responsável pela cobertura de 83% do território pernambucano.

As Formações Litorâneas de Pernambuco se estendem ao longo de sua faixa costeira, que pode variar de poucos metros a alguns quilômetros. Nas proximidades do mar, predominam os vegetais mais rasteiros, além de gramíneas mais espessas como os capins. Junto às dunas, restingas acompanham os terraços litorâneos, incluindo, ocasionalmente, a presença de algumas pequenas árvores de copa larga e irregular. Os campos de restinga presentes registram a existência de uma vegetação mais arbustiva, mas com densidades variáveis. Nas desembocaduras dos rios, solos lodosos permitem a proliferação de mangues, especialmente nas cidades de Goiana e Igarassu.

Um pouco mais no interior do continente surge a Floresta Tropical Atlântica, um conjunto de florestas tropicais com vegetação tipicamente perene ou decidual. Ao longo de boa parte da Zona da Mata distribuem-se as espécies perenifólias com folhagem densa e escura que se desenvolveram graças ao clima úmido da região. Destacam-se ingás, vesgueiros, jatobás e maçarandubas. Por outro lado, em áreas de altitude mais baixa, a cobertura vegetal apresenta espécies caducifólias com caules relativamente longos, tais como camondongos, catolés e timbaúbas.

Nas regiões mais altas, acima dos 500 metros, houve o desenvolvimento de florestas perenifólias, cujo porte das árvores varia de 20 a 35 metros. Isso só foi possível em virtude das condições serranas, tipicamente mais frias e chuvosas. É interessante notar que tais áreas se situam em meio à zona da caatinga, podendo ocorrer assim os chamados “brejos de altitude” na continuidade da cobertura vegetal ao longo da extensão do território.

Na maior parte do estado, à exceção das porções mais altas do território, a vegetação predominante é a caatinga. As principais características de suas espécies são o porte médio a baixo, a adaptação aos períodos de seca e a presença de espinhos. Tal tipo de vegetação tem como importante variável a disponibilidade hídrica, o que leva a uma classificação entre vegetais hipoxerófilos (mais úmidas) ou hiperxerófilos (mais secas). Cactáceas e bromeliáceas são as famílias botânicas que mais se destacam na vegetação local.

Junto aos tabuleiros e às chapadas, os cerrados são os responsáveis pela cobertura vegetal. A vegetação é herbácea com pequenos arbustos de galhos tortuosos e folhas coriáceas, ou seja, grossas e facilmente quebráveis. Em geral, tais espécies se desenvolveram devido à ação humana, especialmente na região dos tabuleiros, já que ali predominavam os vegetais presentes na área úmida do estado.

A fim da conservação e do manejo da biodiversidade, foram criadas 81 Unidades de Conservação (UC) no estado, a maioria destinada à preservação dos mangues e da Mata Atlântica. Dentre elas, destacam-se os cinco parques estaduais, além das três estações ecológicas (Caetés, Serra da Canoa, Bita e Utinga). Pernambuco conta com outros 31 Refúgios da Vida Silvestre, 18 Áreas de Proteção Ambiental, 14 Reservas Particulares do Patrimônio Natural e oito Reservas de Floresta Urbana. Há também um Monumento Natural (Pedra do Cachorro) e uma Área de Relevante Interesse Ecológico (Ipojuca-Merepe).

O território pernambucano dispõe ainda de três Reservas Biológicas, uma Floresta Nacional (Negreiros) e dois Parques Nacionais. Um deles, o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, é composto por 2/3 da ilha principal e por todas as ilhas secundárias do arquipélago. A UC, criada em 1988, tem o objetivo de proteger os ecossistemas marinhos e terrestres, aliando isso a um turismo sustentável que preserve o patrimônio natural.

Referências bibliográficas:

ALMANAQUE Abril. São Paulo: Abril, 2015.

ANUÁRIO Estatístico de Pernambuco. Disponível em: <http://www.anuario.pe.gov.br/>.

CPRH – Agência Estadual de Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.cprh.pe.gov.br/>.

LIMA, Dárdano de Andrade. Estudos Fitogeográficos de Pernambuco. Anais da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, Recife, vol. 4, p. 243-274, 2007. Disponível em: <http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/34635/1/AAPCA-V4-Artigo-01.pdf>.

MANSO, Valdir do A. V. (et al.). Pernambuco. In: MUEHE, Dieter (org.). Erosão e Progradação no Litoral Brasileiro. Brasília: MMA, 2006. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_sigercom/_arquivos/pe_erosao.pdf>.

NUNES, Mônica. Metade da Caatinga está devastada. Disponível em: <http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/caatinga-metade-devastada-537181.shtml>.

PARQUE Nacional Marinho de Fernando de Noronha. Disponível em: <http://www.parnanoronha.com.br/>.

SANTOS, Patrícia Cardoso dos (et al.). Enciclopédia do Estudante: geografia do Brasil: aspectos físicos, econômicos e sociais. São Paulo: Moderna, 2008.

UNIVERSIDADE Federal de Santa Catarina – Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. Atlas Brasileiro de Desastres Naturais: 1991 a 2012. 2 ed. Vol. Pernambuco. Florianópolis: CEPED UFSC, 2013. Disponível em: <http://150.162.127.14:8080/atlas/Atlas%20Pernambuco%202.pdf>.

Este artigo foi útil? Considere fazer uma contribuição!