Rios subterrâneos

Licenciada em Geografia (UFG, 2003)

Os rios subterrâneos são porções de água que correm por baixo da superfície, por razão natural, formados por processos de intemperismo. Os rios subterrâneos ocorrem em condições geomorfológicas e hidrológicas específicas.

Existem três tipos de reservatórios de água subterrânea: Poroso, Fissural e Cárstico. É nesse último, que acontece o fenômeno dos Rios Subterrâneos. Inclusive o nome que karst (alemão), do qual “cárstico” é derivado do nome dado por habitantes, há uma região na antiga Iugoslávia, que possui muitos rios subterrâneos e cavernas.

A formação dos rios subterrâneos

Esses rios se formam a partir do intemperismo físico e químico no contato da água com as rochas. Sabe aquele ditado popular? “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Pois é assim, que os sistemas cársticos são constituídos. As rochas do tipo carbonáticas, ricas no mineral calcita, são mais suscetíveis a sofrerem dissolução pela água.

Com o passar dos anos, o contato da água e suas propriedades químicas vão desgastando a rocha e formando fendas no subterrâneo por onde os rios vão correr. No entanto, esse processo é lento, leva centenas, milhares de anos para que o processo dê origem um curso d’água subterrâneo. O local onde um rio da superfície passa a correr pelo subterrâneo, é chamado de sumidouro, pois se tem a impressão que o rio desapareceu.

A presença de rios subterrâneos está fortemente ligada à existência de cavernas em regiões com predominância do relevo cárstico. Mas para que esse tipo de rocha chegue a ser perfurada é necessárias três condições:

  1. O fluxo de água precisa correr em velocidade elevada (gradiente hidráulico alto). Isso ocorre geralmente quando a água percorre um relevo acidentado, e que a água “descendo” rápido terá maior força na retirada de resíduos e na decomposição das rochas no caminho do fluxo de água.
  2. As rochas necessitam ser de origem carbonática, especialmente calcários, mármores e dolomitos, que são mais propensas à dissolução em água. Além disso, essas rochas já precisam contar com fraturas, falhas e poros, por onde água vai passar e aos poucos aumentar o diâmetro dessas fendas até a dimensão que abrigue o fluxo de um rio.
  3. O clima precisa ser úmido. Em regiões onde há grandes volumes de chuvas frequentes (alta pluviosidade), a possibilidade da formação de sistemas cársticos é maior. Esses sistemas submetidos à alta umidade dão origem a cavernas, sumidouros e rios subterrâneos.

Pesquisadores dos sistemas cársticos, entendem que os rios subterrâneos são uma das feições possíveis, entre várias, que constituem os agrupamentos de drenagens de um sistema cárstico. Este é constituído por cavernas e galerias que abrigam águas subterrâneas em fluxos ou estáticas, como no caso dos lagos de caverna.

O conjunto desse tipo de sistema, revela-se potencialmente com aptidão para o turismo. Esta atividade no entanto, nesses locais, precisa ser realizada levando em conta a relevância geológica e de manutenção dos recursos hídricos que este tipo de formação possui.

Rio subterrâneo de Puerto Princesa, Filipinas. Foto: View Apart / Shutterstock.com

Você sabia?

Pesquisadores revelaram a descoberta da existência de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros, situado no subsolo localizado embaixo do Rio Amazonas. Percorrendo o mesmo sentido do Amazonas, o Rio Hamza, nome dado em homenagem ao pesquisador que o descobriu, guarda uma vazão de cerca de 3 mil m³/s de água, a mesma quantidade que o Rio São Francisco.

Fontes:

Ríos subterráneos y acuíferos kársticos de Venezuela: Inventario, situación y conservación Carlos GALÁN y Francisco F. HERRERA - http://www.aranzadi.eus/wp-content/files_mf/1442327598Total.RSV.webSCA.pdf

TEIXEIRA et al. 2000. Decifrando a Terra, Ed. Oficina de Textos, São Paulo.

https://www.mma.gov.br/estruturas/167/_publicacao/167_publicacao28012009044356.pdf

Rio Hamza - https://www.estadao.com.br/noticias/geral,cientistas-anunciam-rio-subterraneo-de-6-mil-km-embaixo-do-rio-amazonas-imp-,763351

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