Rios Subterrâneos

Define-se um rio subterrâneo como o rio que corre em sua totalidade ou parcialmente abaixo da superfície terrestre, incluindo seu leito. Estes rios podem ser ou inteiramente naturais ou o resultado da implantação deliberada de galerias construídas para canalizar o curso d'água da superfície para o subsolo, em geral como parte do desenvolvimento urbano.

Rio subterrâneo de Puerto Princesa, Filipinas. Foto: View Apart / Shutterstock.com

Rio subterrâneo de Puerto Princesa, Filipinas. Foto: View Apart / Shutterstock.com

Na topografia cárstica, que é a formação geológica moldada pela dissolução de uma camada ou camadas de rochas solúveis, geralmente rocha carbonática, como calcário ou dolomita, (mas também tem sido documentada em rochas resistentes ao intemperismo como o quartzito, dadas as condições adequadas) os rios podem desaparecer através de sumidouros, continuando no subsolo. Em alguns casos, podem surgir à luz do dia mais abaixo.

O processo de reverter um rio subterrâneo, fazendo com que seu leito passe a correr pela superfície é conhecida pela expressão "daylighting", equivalente em português a "fluxo de iluminação natural". Um exemplo bem-sucedido de daylighting é o rio Cheonggye no centro de Seul, capital da Coreia do Sul.

Alguns peixes como o amblyopsidae e organismos troglóbios (pequenos animais que se adaptaram ao ambiente escuro das cavernas) outros estão perfeitamente adaptados à vida em rios e lagos subterrâneos.

Em muitas cidades existem cursos d'água naturais que foram parcialmente ou inteiramente encobertos por construções as mais diversas, visando facilitar o tráfego urbano. Tal exemplo de rios subterrâneos urbanos são bem numerosos para listar, mas os exemplos incluem o rio Dommel, no trecho em que passa por 's-Hertogenbosch, cidade holandesa, ou o Fleet em Londres, o Bièvre, em Paris, ou ainda o Tank Stream em Sydney, Austrália. Estes são exemplos de rios subterrâneos artificiais.

Como exemplos de rios naturais, existem o Disu, em Du'an, Guangxi, China, o Križna, em Loška dolina, Eslovênia, o Lost River, nos Apalaches, Virgínia Ocidental, EUA, o Mojave, no sul da Califórnia, EUA, o Phong Nha no Vietnã, e o Puerto Princesa, na ilha de Palawan, Filipinas.

Os rios subterrâneos são curiosamente um tema recorrente tanto na mitologia como na literatura. Na mitologia grega são cconhecidos os rios Estige (o rio do ódio), Flegetonte (fogo), Aqueronte (tristeza), Cócito (lamentação), e Lete (esquecimento) como componentes do mundo subterrâneo. De acordo com Públio Papínio Estácio, eles beiravam os Campos Elísios, o lugar de descanso final dos virtuosos. Ovídio escreveu que o rio Lete fluía desde a caverna de Hypnos, deus do sono, cujo murmúrio induziria à sonolência. Dante Alighieri, em seu "Inferno", incluiu o Aqueronte, Flegetonte e o Estige como rios dentro de seu inferno subterrâneo. O rio Alph é o tema central do poema Kubla Khan, de Samuel Taylor Coleridge.

Bibliografia:
Subterranean river (em inglês). Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Subterranean_river>. Acesso em: 26 nov. 2011

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