Conflitos em Myanmar

Mestre em História Comparada (UFRJ, 2020)
Bacharel em História (UFRJ, 2018)

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Myanmar é um país situado no sudeste asiático e fez parte da colonização britânica sobre o continente até 1948, quando alcançou sua emancipação. Apesar de alcançar sua independência em relação à antiga metrópole, o país passa por diversos conflitos internos envolvendo, principalmente, questões étnicas e políticas.

O território apresenta fronteiras com outros países de grande importância para o continente, tais quais: China, Índia, Tailândia, Bangladesh e Laos. Além disso, Myanmar possui uma população de mais de 55,6 milhões de pessoas, com maioria budista e com presença de 135 grupos étnicos por todo território.

Localização de Myanmar na Ásia.

Formação e unificação do território

O que se sabe sobre os primeiros habitantes do território é, somente, sua ligação com a cultura paleolítica e a sua aparição há 11.000 anos. Entre os séculos I a.C e VIII a.C, no entanto, o povo Pyu foi responsável pela criação de cidades-reinos na região, principalmente na região norte. Enquanto isso, o povo Mon ocupava a região do sul.

Já os birmaneses, fixados em uma área mais seca ao norte, foram os principais responsáveis pela unificação do território. Durante a metade do século IX, a ascendência de sua capital, Pagan, resultou em uma dominação da região e, consequentemente, de sua unificação. Apesar da invasão Mongol no século XIII, que resultou na dissolução do território, no século XVIII houve a reunificação.

Guerras anglo-birmanesas

Durante o século XIX, a região passou por três guerras contra a Inglaterra na esperança de se defender do imperialismo inglês. A primeira, entre 1824 e 1826, terminou com a vitória da Inglaterra, a partir do Tratado de Yandabo. E, consequentemente, foi o momento inicial da influência inglesa sob aquele território.

A segunda, em 1852, teve como consequência a ocupação da “Baixa Birmânia” pelos ingleses, mesmo sem o reconhecimento da então Corte da Birmânia. A terceira guerra, em 1885, resultou na anexação da “Alta Birmânia” e do fim da dinastia Konbaung, a qual regia o território.

A independência da Birmânia e o pós-independência

A independência da Birmânia ocorreu em 1948. Sua emancipação está inserida em um contexto de pós-Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) e de dissolução do Raj Britânico que culminou na formação de novos países.

Entre os anos de 1948 e 1962, Myanmar foi governada através de uma república. Entretanto, em 1962, o país sofreu um golpe militar e entrou em um fase ditatorial de intensa violência e restrição da liberdade política. Em 1989, a ditadura renomeia o país para Myanmar.

Os Rohingyas e a limpeza étnica

Com a ação do colonialismo inglês houve a união de diferentes etnias em um mesmo território. Os Rohingyas, que constituem cerca de 1 milhão da população, fazem parte de uma minoria étnica. Pertencentes a uma origem muçulmana, suas existências são negadas a todo momento.

Por não fazerem parte de uma das 135 etnias oficiais de Myanmar, se tornaram, a partir da constituição de 1974, imigrantes ilegais do país. Dessa forma, se encontram com seus direitos negados pelo Estado, mesmo fixados na região há bastante tempo. Por conseguinte, muitos acabam migrando para outro país por conta da perseguição institucionalizada sob eles.

Além disso, em 2017, a Organização das Nações Unidas (ONU) denominou que as perseguições realizadas pelo governo em relação aos Rohingyas eram uma espécie de limpeza étnica. O estado tomou diversas medidas deliberadas contra estes povos, como a proibição de viagens, os incêndios intencionais às aldeias dos Rohingyas e a expulsão do território.

Myanmar no século XXI

Depois de quase quarenta anos em uma regime ditatorial e com pressões internas, o país iniciou um processo para a volta da democracia em 2011. Em 2015, portanto, ocorrem as eleições que colocam a Liga Nacional pela Democracia (LDN) no poder.

Novamente, em 2020, a LDN reassumiu o poder através das eleições, no entanto sofreu um golpe orquestrado pelo Exército Nacional. O novo golpe restabeleceu a repressão e a violência mesmo contra as manifestações de caráter pacífico e instaurou uma nova fase na História de Myanmar.

Bibliografia:

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DIAS, Maurício. Golpe Militar em Myanmar e seus Desdobramentos no Regionalismo

Asiático. Disponível em: http://observatorio.repri.org/2021/05/25/golpe-militar-em-myanmar-e-seus-desdobramentos-no-regionalismo-asiatico/

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NUNES, Mendes Daniel. LEONEL, Maria Eduarda Leite SILVESTRE, Vinícius Eduardo. A Limpeza Étnica em Mianmar e o Êxodo do Povo Rohingya. Disponível em: https://www.marilia.unesp.br/Home/Extensao/observatoriodeconflitosinternacionais/v.-5-n.-5-out.-2018---mianmar.pdf