Conspiração dos Suassunas

Graduada em História (UFRJ, 2016)

O Brasil teve diversas revoltas tanto de caráter nativista quanto de caráter emancipacionista. A chamada Conspiração dos Suassunas ocorreu no ano de 1801, ou seja, já no século XIX, na Capitania de Pernambuco, mais especificamente em Olinda.

Esse movimento, assim como diversos outros anteriores, teve como base e inspiração as ideias iluministas e a Revolução Francesa. Também podemos citar como inspiração a Independência das Treze Colônias, que se tornaram Estados Unidos. Assim, no ano de 1796, algumas pessoas, incluindo Manuel Arruda Câmara, acabaram fundando a loja maçônica Areópago de Itambé, onde só participavam brasileiros e onde eram difundidas as ideias que permeavam a Europa. Havia também outro lugar onde essas mesmas ideias eram difundidas e discutidas em Olinda, que era o Seminário de Olinda, por padres e alunos seminaristas. O Seminário de Olinda foi fundado no dia 16 de fevereiro de 1800 e teve membros importantes, como o Padre Miguelinho, que viria a ter grande e importante participação na Revolução Pernambucana de 1817. É muito importante ressaltar que os únicos que possuíam acesso as novas ideias eram as pessoas com posses, os mais ricos, pois a maior parte da população do Brasil era analfabeta e não possuía posses para estudar nas universidades de Portugal, o que era muito comum na época em relação aos homens ricos. Ponto importante também era que havia falta de comunicação e de conexão entre as capitanias, pois elas eram muito distantes uma das outras. Assim, não havia como ser estabelecido uma unidade onde as capitanias se unissem e lutassem por um único ideal, pelo Brasil como um todo; então, era mais fácil e comum lutar pela independência das capitanias em si do que pelo país inteiro.

Todas as discussões filosóficas e políticas debatidas dentro dessas associações acabaram culminando na ideia de pôr um fim ao domínio português na colônia, mas num âmbito somente regional, ou seja, as ideias discutidas iam para a emancipação da capitania de Pernambuco. Esta capitania acabaria se tornando, através da revolta, um país independente cuja forma de governo seria a República. Essa ideia de estabelecer a emancipação da capitania de Pernambuco contaria, segundo os envolvidos, com a ajuda e proteção de ninguém menos do que Napoleão Bonaparte. Nomes como o de Luís Francisco de Paula, José Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque e Francisco de Paula eram alguns dos nomes da conspiração. Eles eram os irmão conhecidos como Irmãos Cavalcanti e o último irmão era proprietário do Engenho Suassuna, que deu nome ao movimento.

Mas essa revolta nem chegou a acontecer de fato, pois algum membro (não se sabe quem), acabou delatando o movimento e os líderes acabaram sendo presos, tendo essa delação sido ocorrida no dia 21 de maio de 1801. Um processo foi instaurado, mas ao final, nada havia sido provado e todas as pessoas que haviam sido presas foram soltas. Mas o areópago fundado alguns anos antes foi fechado no ano 1802 e sendo reaberto anos depois com o nome de Academia dos Suassunas, cuja sede era no próprio engenho que havia servido para as reuniões do antigo movimento.

Esse movimento se diferencia dos outros emancipacionistas como a Conjuração Baiana por conta de que teve seus líderes absolvidos e não considerados traidores e condenados a morte. As ideias dos Irmãos Suassuna permaneceram e voltaram a aparecer no ano de 1817 na Revolução Pernambucana.

Referências Bibliográficas:

CADENA, Paulo Henrique Fontes. Ou há de ser Cavalcanti, ou há de ser cavalgado: trajetórias políticas dos Cavalcanti de Albuquerque (Pernambuco, 1801 – 1844). Recife, 2011. Link em: http://repositorio.ufpe.br/bitstream/handle/123456789/7585/arquivo6580_1.pdf?sequence=1&isAllowed=y Acesso em 21/09/2017.

NEVES, Guilherme Pereira das. A suposta Conspiração de 1801 em Pernambuco: Idéias ilustradas ou conflitos tradicionais? Revista Portuguesa de História, tomo 33 (1999). Pp. 439 – 481.

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