Guerra anglo-espanhola

Mestre em História (PUC-SP, 2016)
Graduada em História (PUC-SP, 2010)

Elizabeth I, da dinastia Tudor, subiu ao trono inglês em 1558, após seus dois meio-irmãos mais velhos, Eduardo VI e Maria I, morrerem. Durante seu governo, que durou mais de quatro décadas, a Inglaterra tornou-se uma grande potência econômica e marítima, vivenciando um período de estabilidade.

Nos mares, sua principal concorrente era a Espanha, governada por Filipe II desde 1556. Filipe casou-se com Maria I, rainha inglesa antes de Elizabeth, em 1554, o que o tornou rei consorte da Inglaterra até 1558, ano em que Maria I morreu. Posteriormente, a partir de 1580, em razão União Ibérica, Filipe II tornou-se, também, rei de Portugal.

Em termos religiosos, Elizabeth I tornou o anglicanismo a religião oficial da Inglaterra – retomando os planos de seu pai, Henrique VIII, os quais não tiveram continuidade durante o reinado de sua Maria I que, buscando restaurar o catolicismo, perseguiu os protestantes.

Filipe II também seguia o catolicismo, e, fervoroso, empenhou-se na luta contra o crescimento do protestantismo. O monarca acreditava que havia sido enviado ao mundo por Deus para defender a religião católica.

Em termos políticos, Elizabeth, algum tempo depois de assumir o trono, investiu em atividades navais para enriquecer a Inglaterra e para dar uma resposta a bloqueios comerciais marítimos instituídos pela Espanha que prejudicaram as Ilhas Britânicas.

Para isso, contou com os navegadores John Hawkins e Francis Drake, custeando suas atividades, que incluíam o tráfico de escravizados e saques a navios espanhóis saídos da América com tesouros. É importante destacar que essas atividades eram corsárias, semelhantes à pirataria na prática, mas financiadas pelo governo, como mencionado.

Temendo perder seu domínio no Atlântico em tempos de colonização, a Espanha, em 1568, afundou navios ingleses em San Juan de Ulúa, no México, acentuando as tensões entre os reinos, as quais, alguns anos depois, desencadeariam a Guerra Anglo-Espanhola.

Mesmo após o ocorrido na América espanhola, a Inglaterra deu continuidade às tentativas de aumentar seu poder econômico e naval. Além disso, no período, a Inglaterra se aliou à França e a protestantes contra o domínio da Espanha nos Países Baixos, na Guerra dos Oitenta Anos.

Em 1585, ingleses saquearam colônias ibéricas na Índias Ocidentais. Como reação, em 1586, Filipe II proibiu o comércio entre a Península Ibérica e a Inglaterra. No ano seguinte, a católica Maria I da Escócia, acusada de tramar contra sua prima, Elizabeth I, foi executada na Inglaterra. Ainda em 1587, navios espanhóis foram queimados por corsários ingleses em um porto ao sul da Espanha.

A guerra estava declarada. Filipe II organizou um ataque à Inglaterra, e, para isso, formou a chamada Invencível Armada. Em meados de 1588, cerca de 130 navios, com cerca de 25 mil homens, partiram da Espanha rumo à Inglaterra para invadi-la pelo Canal da Mancha.

Invencível Armada derrotada

Pintura de Philip James de Loutherbourg retrata a derrota da "Invencível Armada" no dia 8 de agosto de 1588.

A Inglaterra estava preparada para as batalhas com cerca de 195 navios no Canal, mas menos homens. Mesmo em um número menor de soldados em relação à Espanha, a Inglaterra, após alguns combates (sendo o maior deles a Batalha de Gravelines), nos quais utilizou estratégias inovadoras à época, venceu a frota espanhola, que bateu em retirada.

A Armada espanhola, que se mostrou vencível na ocasião, chegou à Espanha – não somente pelas perdas nos combates, mas pelas dificuldades que enfrentou no retorno, como tempestades – com, aproximadamente, metade dos navios que possuía inicialmente.

Outros conflitos ocorreram entre Espanha e Inglaterra nos anos seguintes, e em outros locais, enfraquecendo a Armada inglesa, uma vez que a espanhola se reorganizava e se fortalecia a cada batalha. Além disso, o envolvimento inglês em outros conflitos, como uma guerra na Irlanda iniciada em 1597, também contribuiu para seu enfraquecimento na Guerra Anglo-Espanhola.

A guerra estendeu-se até 1604, quando, por meio do Tratado de Londres e com interesses políticos, econômicos e religiosos, James I (sucessor de Elizabeth I), e Filipe III (sucessor de Filipe II), estabeleceram a paz entre os reinos.

Referências:

Invencível Armada. Britannica Escola. Disponível em: https://escola.britannica.com.br/artigo/Invenc%C3%ADvel-Armada/480660. Acesso em> 25 abr. 2019.

LISBOA, Rodney Alfredo Pinto. Royal Navy: evolução e superioridade do poder naval britânico na era dos navios a vela. Revista Navigator, v. 8, n. 16, 2012. Disponível em: http://www.revistanavigator.com.br/navig16/art/N16_art2.pdf. Acesso em: 25 abr. 2019.