Idade do Ferro

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)
Doutora em História (USP, 2018)

A Idade do Ferro faz parte do que conhecemos como Idade dos Metais, que é subdividida em Idade do Cobre, Idade do Bronze e Idade do Ferro, marcando o fim do que chamamos de pré-história. Entretanto o termo pré-história é comumente utilizado para designar os povos e ações humanas no tempo anterior à escrita. Sabe-se, pelo estudo de artefatos e objetos deixados por estes povos, que não é possível considera-los apenas como pré-históricos. O termo carrega a ideia que a história só existe quando existe escrita e as ações dos homens na terra podem ser analisadas por outros meios que não só os documentos escritos, como é o caso dos grupos humanos que viveram no período denominado de Idade do Ferro.

Ferramentas de ferro encontradas onde hoje é o Belarus. Foto: Dzmitry Samakhvalau / via Wikimedia Commons [CC-BY-SA 4.0]

Marcando a transição da história anterior à escrita ao que estabelecemos como Idade Antiga, a Idade do Ferro é precedida pela Idade do Bronze, o que significa uma alteração nas formas de vida e sobrevivência, marcados pelo domínio de técnicas para fundição do ferro e sua utilização em ferramentas e armas, utilizadas no cotidiano. O período que define a Idade do Ferro é estabelecido pelo primeiro surgimento que se tem acesso de sociedades com conhecimento do manuseio do ferro, datado de 1200 anos a.C., ou seja, no século XII a.C., nas regiões do Oriente Próximo e do Sudeste da Europa. Entretanto, a data de início do período varia em diferentes regiões pois depende de quando cada uma das sociedades dominou o ferro. No restante da Europa, por exemplo, a datação da Idade do Ferro é posterior.

A Idade do Ferro marca, portanto, uma era arqueológica referente à utilização deste metal na fabricação de ferramentas e armas. A principal datação é a de que este período durou de 1.200 a.C. a 550 a.C. Entretanto já há indícios da utilização do ferro desde 3.200 a.C., mas sua larga utilização não se espalhou até o completo domínio da técnica fosse desenvolvido. Esta técnica envolvia a capacidade de fundição do minério de ferro; a remoção das impurezas; e a regulação da quantidade de carbono. Somente após o domínio desta técnica que utilização do ferro foi disseminada. Assim, mesmo que os primeiros artefatos encontrados no Egito datem de 3.200 a.C., eles não são suficientes para estabelecer o início da Idade do Ferro a partir deste século pois, até então, o bronze era o material mais utilizado para confeccionar as armas e ferramentas necessárias para estas sociedades.

Assim, o ferro substituiu o bronze pois era mais facilmente encontrado e a durabilidade dos materiais confeccionados era maior. Não há, entretanto, nenhuma ruptura brusca que marque o fim da Idade do Bronze e o início da Idade do Ferro, e durante o início da última há uma certa continuidade com as culturas da primeira.

No Oriente Próximo o ferro teve um uso limitado inicialmente, e era conhecido desde 3.000 a.C. como um metal precioso e raro. Somente séculos depois que o conhecimento do manuseio do ferro se difundiu e marcou a vida cotidiana dessas populações. Entre 1.200 e 1.000 a.C. o que se viu foi uma troca de conhecimento que se espalhou e que fez do ferro um metal utilizado para além da confecção de artefatos cotidianos mas também para feitura de adornos como joias.

É o domínio do ferro que marca a transição da Idade do Bronze para a Idade do Ferro, pois, a partir do conhecimento técnico do seu manuseio novos artefatos puderam ser confeccionados. A arqueologia mostra que o desenvolvimento destas sociedades, mesmo que ágrafas, envolve ações de homens e mulheres no tempo e, portanto, são também históricas.

Referências:

https://global.britannica.com/event/Iron-Age

http://www.bu.edu/anep/Ir.html

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