Imigração alemã no Brasil

Graduada em História (UFF, 2017)
Mestre em Sociologia e Antropologia (UFRJ, 2012)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2009)

O século XIX marca o início do fluxo migratório de alemães para o território brasileiro, seguindo a tendência de outros correntes imigratórias de europeus para o Brasil: por um lado, o Brasil buscava nos europeus força de trabalho para as lavouras cafeeiras (em substituição ao trabalho escravo, em um contexto de proibição do tráfico negreiro e de leis abolicionistas), além do projeto de embranquecimento da sociedade e a territorialização do Brasil meridional, nas proximidades da bacia hidrográfica platina. Por outro, os europeus emigravam no continente em um cenário de profundas transformações sociais, econômicas, políticas e territoriais no continente, vislumbrado em solo brasileiro a oportunidade de melhorar os padrões de vida.

O gráfico abaixo mostra o fluxo de imigrantes alemães no período entre 1824 a 1969:

Além das condições comuns aos europeus que imigraram para o Brasil, o caso alemão possui uma particularidade: o processo de unificação do território, marcado por conflitos e perseguições, além do impulso industrial que provocou o êxodo rural e a estruturação de uma massa de trabalhadores desempregados nos centros urbanos-industriais que se estruturavam na Alemanha.

Chegando ao Brasil, observa-se uma parcela de migrantes que foram direcionados para São Paulo, atuando nas lavouras cafeeiras, destacadamente no Oeste Paulista, e em algumas unidades fabris que se estruturavam no estado. Contudo, grande parte dos imigrantes ocuparam o Brasil meridional, dentro do projeto do Império Brasileiro de consolidação de fronteiras em áreas próximas a Bacia do Prata, sendo São Leopoldo (Rio Grande do Sul) a primeira colônia germânica fundada em solo brasileiro.

Os imigrantes germânicos no Brasil também foram deslocados para os centros urbanos que se formavam no país, com destaque para aqueles que viam da Alemanha com experiência em atividades econômicas tipicamente urbanas, como, por exemplo, o trabalho nas manufaturas, no comércio e os profissionais liberais. Ao longo do século XX, com o êxodo rural no brasil, alemães que antes ocupavam espaços rurais – como proprietários de terra ou força de trabalho camponesa – foram reterritoralizados para o meio urbano.

Outro traço importante da imigração alemã foi o empenho dos primeiros colonos em expandir as áreas de ocupação, objetivando trazer para o Brasil familiares que permaneceram na Alemanha e, dessa forma, atuaram na aquisição de lotes de terras que permitissem a instalação dos futuros imigrantes (filhos e netos dos colonos iniciais). O resultado desse comportamento foi a estruturação de colônias germânicas marcadas por uma grande homogeneidade e com elevados índices de natalidade, o que fez a população alemã no Brasil crescer exponencialmente ao longo dos séculos XIX e XX.

Existiu nas colônias germânicas uma forte tentativa de manutenção da cultura e da língua do país de origem, tendo como principal símbolo a construção de escolas, muito ligadas a comunidades religiosas protestantes e católicas, que seguiam à risca os moldes da educação alemã, valorizando seus hábitos e costumes. Como consequência, grande parcela dos descendentes dos colonos alemães no Brasil foram alfabetizados aprendendo apenas a língua germânica. Até 1939 era comum a publicação de obras literárias, jornais e revistas em alemão, direcionados para as populações das colônias instaladas no Brasil.

Por fim, é importante ressaltar que a presença dos alemães no Brasil foi essencial para a diversificação da produção agropecuária brasileira e no impulso industrial do país, além de toda contribuição fornecida para a construção étnica e cultural da população brasileira.

Leia também:

Referências bibliográficas:

https://brasil500anos.ibge.gov.br/territorio-brasileiro-e-povoamento/alemaes.html

http://www.brasilalemanha.com.br/novo_site/

MAUCH, C., VASCONCELOS, N.(Org). Os alemães no sul do Brasil: cultura, etnicidade e história. Canoas: Ed. Ulbra, 1994.

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