Medicina Romana

Mestre em História Comparada (UFRJ, 2020)
Bacharel em História (UFRJ, 2018)

Publicado em 04/12/2021
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Sabe-se que a civilização romana influenciou grandemente o mundo ocidental em diversos âmbitos, inclusive na medicina. No princípio da realização das práticas médicas pelos romanos, a medicina era empírica e dominada pela dimensão religiosa, tendo a deusa Minerva como responsável pela cura de enfermidades. Os cidadãos romanos acreditavam que existia um deus para cada função fisiológica ou doença, de modo que os tratamentos envolviam orações e rituais.

A medicina romana, até meados do século III a.C., sofreu influências itálicas, cujo predomínio da terapia familiar permitia a prática da cura por quaisquer indivíduos, sem restrições ou regulamentações. Além disso, os romanos costumavam fazer de maneira privada os próprios remédios e emplastros.

Somente após a chegada dos gregos à Roma, no período conhecido historicamente como transição (entre os séculos III a.C. e I d.C.) a medicina realmente passou por um processo evolutivo. A penetração das práticas gregas, por meio de seus médicos escravizados em Roma, proporcionou a mistura com as práticas romanas, juntando teoria e prática. Neste contexto, a medicina passou de uma prática privada/familiar para uma atividade profissional.

Os médicos romanos tinham como característica a dimensão prática da medicina muito acentuada, tendo trazido inúmeras contribuições científicas na área da cirurgia. Em contraponto, os gregos dedicavam-se fundamentalmente ao aspecto teórico das doenças.

Os primeiros médicos romanos foram os escravos gregos. Por conta de seus conhecimentos de cura, estes indivíduos recebiam tratamento privilegiado em relação aos outros escravos. No entanto, estes médicos gregos enfrentaram resistência do senado romano para conquistarem um lugar profissional em Roma. Eram mal vistos e hostilizados por cobrarem por seus serviços.

A partir do século I d.C., a medicina romana passou por uma era de escolas médicas. Importantes médicos desenvolveram trabalhos científicos de relevância para a compreensão dos fenômenos fisiológicos humanos. Pode-se dizer que a medicina foi introduzida em Roma definitivamente por um médico grego chamado Asclepíades de Bitínia; ele recusava a ideia hipocrática de que as doenças eram causadas por desequilíbrios de humores. Além disso, ele desconfiava da dimensão curativa da natureza, e defendia que deveria haver intervenções médicas nos casos de enfermidades.

Outro marco na história da medicina romana foi o trabalho do médico Áulio Cornélio Celso (século I), a primeira obra sobre medicina a ser impressa em latim, De medicina (1478). Além deste, Plínio, o Velho (século I) apesar de não ter sido médico, apresentou contribuições para a medicina romana. tendo escrito o trabalho História Natural, que, dentre outros temas, abordou a fisiologia animal e a medicina. A maioria destes trabalhos foi recuperado e publicados com a invenção da prensa móvel, a partir do século XV.

Dioscórides (século I) foi um médico militar atuante durante o reinado de Nero (37-68 d.C); aproveitava as oportunidades que tinha de viajar com o exército romano para estudar as espécies botânicas locais. Dessa forma, é considerado o primeiro estudioso a lidar com a botânica aplicada à medicina. Sorano de Éfeso foi um médico que dedicou-se à ginecologia e obstetrícia, tendo realizado um tratado sobre ginecologia que permaneceu como único estudo sobre o tema até pelo menos o ano de 1400.

Cláudio Galeno (c. 129 - 217) foi um dos maiores médicos gregos, perdendo apenas para Hipócrates. Após sua decisão de viver em Roma, tornou-se médico de aristocratas e escreveu inúmeros livros sobre medicina. Com a dissecação de cadáveres humanos proibida na Roma antiga; Galeno dissecou, então, animais e criou suas teorias sobre anatomia humana a partir de comparações entre os organismos.

Referências:

GUARINELLO, Norberto Luiz. História Antiga. 1.ed., 2. reimpressão. Contexto. São Paulo, 2016.

MUDRY, P. Reflexões sobre a medicina romana. Romanitas - Revista de Estudos Grecolatinos, [S. l.], n. 8, p. 179–193, 2016.

SOUSA, Maria Adriana São Marcos. A arte médica em Roma antiga nos De Medicina de Celso. Ágora. Estudos Clássicos em Debate 7 (2005)

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