Motins do Maneta

Graduada em História (UFRJ, 2016)

A insurreição conhecida como Motins do Maneta que ocorreu na cidade de Salvador, na Bahia, e foi mais uma revolta classificada como movimento nativista. Os movimentos nativistas foram um conjunto de levantes cujo objetivo principal era o protesto contra atitudes de abuso da Coroa Portuguesa, como os altos impostos. Foram também movimentos exclusivamente locais, não tendo intenção, no primeiro momento, de se separar da metrópole Portugal. Mais tarde é que os movimentos nativistas acabam indo além de uma simples revolta e se tornam para movimentos pela libertação do Brasil como foi o caso da Inconfidência Mineira.

A Inglaterra, no período do século XVIII, estava se destacando como uma das maiores potências da região e possuía vários acordos comerciais com diversos países do velho continente, incluindo com Portugal. Este era dono do Brasil, que ocupava grande parte da América do Sul, de onde a Inglaterra extraia a maior parte dos recursos para as manufaturas. Essa aliança entre Portugal e a Inglaterra é uma das alianças mais antigas da Europa, datando desde a Idade Média.

Quem não ficava satisfeito com essa aliança era a França, inimiga histórica da Inglaterra e que também possuía interesses econômicos e comerciais na colônia portuguesa na América. O rei da França, Luís XIV, queria o trono espanhol, pois acreditava que não existia a descendência direta no governo da Espanha. Os ingleses ficaram temerosos desse conflito ocorrer e os franceses conseguissem tomar o trono espanhol. Para que isso não ocorresse, a Inglaterra declarou guerra à França e teve Portugal como seu aliado. Como vingança e sendo, então, seu inimigo, o governo francês enviou o corsário Jean François Duclerc, no ano de 1710, para invadir e saquear o Rio de Janeiro.

Assim, foram enviadas naus francesas, mas com bandeiras falsas da Inglaterra. Entretanto, a farsa foi descoberta e a invasão foi combatida. A França não desistiu e no ano seguinte, em 1711, foi enviado o almirante René Duguay-Trouin para invadir o Rio de Janeiro, só que muito mais equipado. Essa invasão teve sucesso e a cidade foi tomada, saqueada e foi exigido um um resgate de altíssimo valor. Esse rombo nas finanças fizeram a Coroa Portuguesa elevar o valor dos impostos que seriam pagos pelos colonos. O preço de alguns produtos também sofreu aumento. As taxas do comércio de sal e do comércio de escravos também foram elevadas. É importante lembrar que o sal era comercializado exclusivamente com a metrópole, não poderia ser produzido no Brasil. Logo, não havia outros lugares para a compra. O estopim foi o decreto de uma taxa sobre todas as mercadorias exportadas pela colônia.

Assim, o primeiro conflito foi liderado por João Figueiredo da Costa, conhecido como Maneta, e Lourenço de Almeida, o “Juiz do Povo”, nas ruas de Salvador. Com o apoio da população, conseguiram que não ocorressem as sobretaxas. Os líderes não receberam punição.

Já o segundo momento do conflito, fio o Motim Patriota, onde Domingos da Costa Guimarães, Domingos Gomes e Luís Chafet, marcharam para o Rio de Janeiro junto com suas tropas, a fim de combater Duguay-Trouin que estava navegando na direção do Rio de Janeiro para outra invasão, fazendo-o desistir. No fim, a Coroa puniu os envolvidos severamente.

Referências Bibliográficas:

BENTO, Cláudio Moreira, Cel et GIORGIS, Luiz Ernani Caminha, Cel. Brasil Lutas internas 1500/1916. Resende/Barra Mansa: FAHIMTB/IHTRGS, 2016.

FIGUEIREDO, Luciano. Além dos súditos: notas sobre revoltas e identidade colonial na América Portuguesa. In: Tempo, Niterói, v.5, n.10, dez. 2000, p.81-95. Disponível em http://www.historia.uff.br/tempo/artigos_dossie/artg10-5.pdf (acesso em 18/09/2017)

________________. Rebeliões no Brasil Colônia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

Disponível em https://books.google.com.br/books?id=B-jTDVmIw3AC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false (acesso em 18/09/2017).

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: Uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

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