Mulheres em movimentos políticos e sociais

Mestre em História (PUC-SP, 2016)
Graduada em História (PUC-SP, 2010)

Considerando desde o início da Idade Contemporânea – ou seja, da Revolução Francesa de 1789 – até os dias atuais, podemos dizer que a participação das mulheres em movimentos políticos e sociais experimentou avanços expressivos.

No próprio processo que marcou a transição da Idade Moderna para a Contemporaneidade, a revolução do século XVIII na França, o papel das mulheres foi bastante significativo, ao promoverem movimentos como a Marcha sobre Versalhes, em 5 de outubro de 1789. Na ocasião, um grupo com milhares de pessoas das classes populares, principalmente mulheres, protestou contra o aumento do preço dos alimentos e a escassez de pão.

Marcha das Mulheres sobre Versalhes, desenho de autor desconhecido, 1789.

Durante toda a Revolução, as mulheres participaram de diversos movimentos, inclusive na defesa de seus próprios direitos. Em 1791, a Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã foi proposta como resposta à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, que estabelecia a igualdade de direitos e a liberdade aos franceses após a queda do Antigo Regime, mas não incluía as mulheres em suas determinações. Porém, sua autora, Olympe de Gouges, foi condenada e morta.

Ao mesmo tempo, em outra nação europeia, a Inglaterra, o movimento feminista surgia, com o pioneirismo de Mary Wollstonecraft, que a partir de 1792 publicou obras em defesa dos direitos das mulheres em diversas esferas, como o voto e a educação, defendendo que esses direitos fossem iguais aos dos homens. Seus escritos são considerados os fundadores do feminismo.

Também no mesmo período, fora da Europa, a Revolução Haitiana (1791-1804) contou com a importante articulação de mulheres em seus desdobramentos. O resultado foi a independência da antiga ilha de São Domingos, colônia francesa, e o fim da escravidão no local.

No final do mesmo século em que o Haiti se tornou independente, as mulheres conseguiram o direito de voto na Nova Zelândia. Em 1893, o voto feminino ocorreu pela primeira vez no país, sendo uma conquista do movimento sufragista liderado por Kate Sheppard.

As ideias de Wollstonecraft, mencionada, difundiram-se, e em 1897 surgiu na Inglaterra a União Nacional pelo Sufrágio Feminino. Após greves de fome e demais protestos organizados pelas mulheres, em 1918 elas conseguiram o direito de voto no país.

Nos Estados Unidos, o movimento sufragista das mulheres, influenciado pelas ideias de Wollstonecraft, surgiu em meados do século XIX. Após décadas de lutas, o voto feminino foi conquistado em 1919.

Porém, é importante lembrar que o voto foi apenas uma das muitas (e das primeiras) pautas das mulheres na luta por seus direitos desde o século XVIII. Além das questões relacionadas à igualdade de direitos entre mulheres e homens, outros temas ganharam evidência na luta de movimentos femininos ao longo da história contemporânea, como a escravidão negra e o racismo.

Ademais, as mulheres tiveram participação essencial em diversos movimentos de contestação ou derrubada de sistemas políticos impostos em determinadas conjunturas. Como exemplos, podemos mencionar a participação das mulheres da Comuna de Paris, em 1871, e Revolução Russa de 1917.

No decorrer dos séculos XX e XXI, além do crescimento da participação das mulheres em movimentos políticos e sociais, levando à conquista de vários direitos, verificou-se a diversificação das reivindicações das lutas femininas, buscando superar não apenas a opressão fundamentada no sexo, mas as opressões de raça e classe ainda presentes.

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Referências:

D’ANGELO, Helô. Quem foi Mary Wollstonecraft, autora de um dos documentos fundadores do feminismo. Cult, 5 set. 2017. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/mary-wollstonecraft-220-anos-de-morte/7/. Acesso em: 18 abr. 2019.

POOLE, Hilary (org.) et al. Direitos Humanos: referências essenciais. São Paulo: Edusp, 2007.

WOLLSTONECRAFT, Mary. Reivindicação dos direitos da mulher. São Paulo: Boitempo Editorial, 2016.