República do Acre

Mestre em História (PUC-SP, 2016)
Graduada em História (PUC-SP, 2010)

Publicado em 09/07/2019

A história da América Latina no século XIX é marcada pelos processos de independências das ex-colônias de Portugal e Espanha, dos quais nasceram diferentes países, como o Brasil, em 1822, e a Bolívia, em 1825.

No final do mesmo século, os dois países americanos mencionados se envolveram em disputas pelo território do atual estado brasileiro do Acre. É dessa fase a proclamação da República do Acre.

Em 1867, o Tratado de Ayacucho determinou que a região, anteriormente parte dos domínios espanhóis na América, pertencia à Bolívia. Alguns anos depois, inserida no contexto de expansão científica e tecnológica mundial, a exportação do látex provindo da região foi largamente ampliada. Nesse período, o Acre passou a ser ocupado por brasileiros.

Após disputas, os bolivianos foram vencidos pelos brasileiros. Porém, para evitar que os bolivianos, expulsos, voltassem a ocupar a região, Ramalho Júnior, governador do estado do Amazonas à época, promoveu, em 1899, uma expedição liderada pelo espanhol Luis Gálvez Rodríguez de Arias.

Na ocasião, Gálvez proclamou, em meados de julho do mesmo ano, a República do Acre, com capital em Porto Acre. Gálvez, ainda, propôs que o Acre fosse anexado ao Brasil, o que não ocorreu. No início do ano seguinte, o governo brasileiro pôs fim à República recém-proclamada, e, logo depois, ainda em 1900, uma missão militar foi organizada pela Bolívia a fim de dominar a região. Seringueiros brasileiros impediram seu avanço.

Novamente, o Amazonas enviou uma expedição ao Acre. A Expedição dos Poetas, como ficou conhecida, foi formada por cerca de 130 profissionais liberais e boêmios, entre outros, de Manaus e liderada por Orlando Correa Lopes. No final de 1900, a Segunda República do Acre foi proclamada, com Rodrigo de Carvalho como presidente.

As disputas entre Brasil e Bolívia continuaram na região, e pouco tempo depois da proclamação da nova república, ela foi dissolvida por militares bolivianos. Ainda no início do século XX, a companhia Bolivian Syndicate, formada por ingleses e estadunidenses, foi autorizada, pela Bolívia, a controlar e explorar a região do Acre.

Brasileiros se opuseram à determinação, e, comandados pelo gaúcho Plácido de Castro, iniciaram, em 1902, o processo de retomada da região – começava a Revolução Acreana. Em janeiro de 1903, a Terceira República do Acre foi proclamada, tornando o estado novamente independente. A ação foi apoiada pelo presidente brasileiro Rodrigues Alves, e um governo militar foi instaurado para controlar a região, gerando a insatisfação da Bolívia.

Diante da ameaça de uma guerra, Brasil e Bolívia resolveram assinar um acordo de paz em março de 1903, oficializado em novembro do mesmo ano. O Tratado de Petrópolis determinou a anexação do Acre pelo Brasil em troca do pagamento de 2 milhões de libras esterlinas à Bolívia e a cessão de parte da região do Mato Grosso. Além disso, determinou-se a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, ligando o Brasil à Bolívia. Em 1904, Rodrigues Alves incorporou o Acre definitivamente ao Brasil.

Referências:

ABREU, Alzira Alves de (coord.). Dicionário histórico-biográfico da Primeira República (1889-1930). Rio de Janeiro: Editora FGV, 20015.

DONATO, Hernâni. Dicionário das batalhas brasileiras. São Paulo: Ibrasa, 1996.