Shogun

O Shogun ou Xogum, no idioma português, era o antigo comandante do exército japonês, honraria e prerrogativa militar comum nesta época, conferida pelo próprio Imperador em pessoa. Anteriormente esta expressão era mais longa e formal, ‘Seii Taishōgun’, com o sentido de ‘Grande General Apaziguador dos Bárbaros’, depois foi abreviada simplesmente para Shogun.

Até 1192 esta designação foi usada como referência a este militar, quando ele liderava os soldados que eram conduzidos na luta contra os emishi, populações que residiam na região norte do Japão, que então se contrapunham aos imperadores japoneses. A partir deste ano, porém, disseminou-se o título de Shogun para o detentor desta patente do Exército, o qual ocupou igualmente a posição de administrador deste país, do século XII até 1868.

Formalmente era o Imperador quem governava o Japão, mas na realidade era o Shogun quem detinha o poder para gerir o país, embora sempre assumindo as responsabilidades em nome de seu superior. Nas relações com outras nações, porém, muitas vezes era difícil a compreensão da estrutura política japonesa; assim, diversos estadistas ignoravam a presença e o papel do soberano, e viam o Shogun como o verdadeiro ‘monarca’ do Japão.

Alguns autores estrangeiros contribuíram para que, fora do país asiático, houvesse uma visão mais próxima do real significado desta figura política. Um deles, James Clavell, autor do clássico Shogun – A Gloriosa Saga do Japão, narra uma trama que se desenrola no século XVII, era das grandes descobertas e das épicas navegações. Neste livro, um piloto inglês, John Blackthorne, desembarca na costa japonesa, justamente quando o país se encontra abalado em virtude da acirrada luta pelo posto de Shogun, aqui definido como a mais significativa posição militar desta nação.

O Japão vivenciou um longo período feudal que se estendeu de 1185 até 1868, quando então o país ingressou na era moderna. Apesar de ter muitas similaridades com o feudalismo vivenciado no Ocidente, ele se baseava em aspectos essencialmente orientais. O Shogun, que conferia seu título à denominação deste regime, era ao mesmo tempo senhor de terras e líder militar. Ele se submetia ao soberano do Japão, mas seus subordinados serviam apenas a este general e condutor político.

Historicamente o Japão conheceu três xogunatos. O primeiro, iniciado em 1192 por Minamoto no Yoritomo, entrou para a história como ‘xogunato Kamakura’, e era regulado por três integrantes do clã Minamoto e pelos membros do clã rival, o Hojo, que haviam tomado para si o poder.

O xogunato seguinte – Ashikaga -, foi instituído em 1338 por Ashikaga Takauji; ele perdurou até 1573, quando a autoridade política foi usurpada por Oda Nobunaga, famoso militar da era Azuchi-Momoyama. Nesta era a crise do regime recrudesceu, conferindo espaço para que diversos senhores de clãs entrassem em disputa pela liderança do xogunato. É justamente o momento político abordado no livro de Clavell.

Houve um terceiro xogunato, o Tokugawa, que durou de 1603 a 1868, conhecido também como Período Edo. Daí em diante, coube ao Imperador Meiji resgatar o papel de governante que deveria caber aos soberanos japoneses, dando início à Restauração Meiji.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Xogum
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2647418&sid=1762281471223778441052274&k5=CF2A81B&uid=
http://www.worldlingo.com//ma/enwiki/pt/Emishi

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