Prolactina (PRL)

Doutora em Ciência Animal (UFG, 2020)
Mestrado em Ciências Veterinárias (UFU, 2013)
Graduação em Ciências Biológicas (UEG, 2010)

A prolactina é um hormônio hipofisário, que possui como principal função desencadear a produção de leite pelas glândulas mamárias durante a lactação. É secretada em quantidade variada devido a estímulos como a amamentação, ovulação, alimentação, acasalamento e tratamento com estrógeno.

Ela foi descrita em humanos pelo endocrinologista Dr. Henry Friesen, no final da década de 60, mas já havia sido relatada em outros animais desde a década de 30, pelo biólogo Oscar Riddle. Atualmente, são atribuídas a esse hormônio diversas funções, tanto em humanos, quanto em outros mamíferos, aves e peixes.

A química da prolactina e sua produção

A prolactina pertence à família de proteínas somatotropina/prolactina, uma vasta família que inclui a somatotropina e os lactogênios placentários, entre outras. É codificada pelo gene PRL, localizado no cromossomo 6 p22.2-p21.3.

A maior parte da prolactina é produzida na adenohipófise (hipófise anterior) pelos lactotropos. No entanto, também é produzida fora dessa glândula em várias células e tecidos como fibroblastos da pele, linfócitos, glândula mamária, cérebro, próstata, tecido adiposo e decídua basal da placenta.

A prolactina hipofisária é um polipeptídeo de 199 aminoácidos com peso molecular de 23kDa. Porém, sua produção fora da hipófise pode gerar algumas alterações estruturais em suas moléculas, de forma que podem ser adicionados grupos químicos, formar dímeros, polímeros e agregados. Assim, ela apresenta funções diferentes.

No entanto, a função diferencial que ela exerce também é influenciada pelos receptores dos tecidos aos quais a prolactina se liga. O seu receptor típico é uma proteína transmembrana unipasso da família das citocinas tipo 1, que estão presentes em diversos tecidos como glândulas mamárias, testículos e ovários, útero, fígado, pulmões, coração, cérebro, rins e glândulas suprarrenais, ossos, músculos, pele, hipófise e células do sistema imunológico.

Após a ligação aos receptores, a prolactina estimula sua fosforilação que desencadeia estímulos no núcleo celular, o que controla a proliferação celular e a expressão gênica, a depender a célula ativada.

O controle da produção da prolactina na hipófise é feito pelo eixo hipotalâmico-hipofisário e é basicamente modulada por inibição. Os neurônios túbero-infundibulares, localizados no núcleo arqueado do hipotálamo produzem o neurotransmissor dopamina, o qual é secretado na hipófise anterior e inibe a secreção e a produção da prolactina, além de inibir a proliferação dos lactotropos.

No entanto, algumas substâncias podem estimular sua produção por agir diretamente nos lactotropos ou no neurônios dopaminérgicos do hipotálamo, como, a tiroliberina, a serotonina, a vasopressina, a ocitocina e o peptídeo intestinal vasoativo.

Funções

Atualmente são descritos mais de 300 funções exercidas pela prolactina em humanos e outros animais, por exemplo, além de estimular a produção de leite em mamíferos e aves a prolactina estimula a regulação osmótica em peixes. Dessas diversas funções, outras principais são:

1) Reprodução

A prolactina impede a reprodução durante a lactação, quando seus níveis estão mais altos, por inibir a liberação do hormônio liberador de gonadotropina hipotalâmica (GnRH) e impedir a ovulação pela inibição direta da atividade da enzima aromatase ovariana.

Durante a gestação, ela também influencia na progressão da gravidez.

2) Metabolismo

Produz diversos efeitos no metabolismo da glicose e dos lipídios. A prolactina aumenta a sensibilidade a insulina e as funções dos adipócitos. No entanto, em casos de hiperprolactinemia, o excesso desse hormônio auxilia no desenvolvimento de diabetes mellitus e obesidade.

3) Osmorregulação

A prolactina causa diminuição da excreção renal de sódio e potássio e aumento da liberação de cloreto de sódio no suor. Além disso, aumenta a absorção intestinal de água e íons.

4) Sistema imunológico

A prolactina diminui a imunidade da mãe se os níveis estiverem elevados durante a gestação, favorecendo sua manutenção.

5) Outros efeitos da prolactina

  • Influencia a neurogênese e reparação do sistema nervoso.
  • Diminui o desenvolvimento de cardiomiopatia após o parto.
  • Influencia na resposta à ansiedade e ao estresse.
  • Pode aumentar o risco de câncer de mama e próstata, quando os níveis são elevados por muito tempo.
  • Estimula o crescimento e descamação dos pelos em mamíferos e na troca de penas de aves.

Referências:

BOLE-FEYSOT, Christine et al. Prolactin (PRL) and its receptor: actions, signal transduction pathways and phenotypes observed in PRL receptor knockout mice. Endocrine reviews, v. 19, n. 3, p. 225-268, 1998.

GUELHO, Daniela et al. Prolactina e metabolismo–uma perspetiva diferente de uma hormona multifuncional. Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, v. 11, n. 2, p. 268-276, 2016.

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