Xiitas

Recebe o nome de xiita aquele adepto do islamismo que segue a principal corrente minoritária da religião em todo mundo, sendo que a vertente duodecimana , baseada na crença dos chamados doze imãs, representa 80% de toda a comunidade xiita.

Do mesmo modo como existem as divisões teológicas dentro da religião cristã, que originaram as diversas denominações, como por exemplo católicos romanos, protestantes ou ortodoxos, além de outros segmentos, o mesmo aconteceu no caso do islamismo, que pouco após o seu estabelecimento já apresentou divisões similares, sendo as duas maiores correntes o sunismo e o xiismo. A origem do termo "xiita" vem da abreviatura da expressão "shīatu Ali", que significa "seguidores", "facção", ou "partido" de Ali (Ali era casado com Fátima, filha de Maomé, e pai de seus netos Hasan ibn Ali e ibn Hussein Ali).

O início do cisma entre sunitas e xiitas ocorre logo após a morte de Maomé em 632, quando se seguiu um conflito entre os primeiros fiéis da religião acerca de quem seria de fato o legítimo sucessor do profeta. Os sunitas ainda hoje sustentam que Abu Bakr, pai de Aisha, esposa de Maomé, seria o sucessor de direito, baseado no método de escolha ou eleição de líderes (shura), aprovado pelo Alcorão e que legitimara o consenso da ummah (nome dado ao conjunto de todas as comunidades islâmicas no mundo). Os xiitas, por sua vez, acreditam que Maomé ordenou divinamente seu primo e genro Ali, de acordo com o comando de Deus para ser o próximo califa, fazendo dele e de seus descendentes os sucessores diretos de Maomé.

De modo bastante curioso, o xiismo é considerado dentro da religião islâmica como o segmento mais progressista, menos tradicionalista, o que difere bastante da imagem cunhada pela mídia em geral, especialmente após a Revolução Iraniana de 1979, na qual os aiatolás (chefes religiosos existentes apenas no xiismo) transformaram o Irã em uma república islâmica, onde os sacerdotes exerciam o poder de fato. Além disso, os xiitas vêm repetidamente sendo retratados como extremistas, fanáticos, o que historicamente se mostra como incorreto. A filosofia, cosmologia e espiritualidade xiita revelam influências gregas, persas e gnósticas, além de serem responsáveis por grande parte do desenvolvimento intelectual islâmico. Surpreendentemente, para muitos leigos, é o xiismo que entende que cada pessoa deve buscar individualmente a verdadeira visão do Mundo e dos Homens;

As mais importantes comunidades xiitas localizam-se no Irã, o único país, aliás, cuja maioria da população é xiita. Outros países onde o xiismo possui destaque são Paquistão, Iraque e Iêmen. No restante dos países islâmicos, o segmento é pouco significativo, representando porcentagens mínimas.

Bibliografia:
Islamismo. Disponível em: < http://areligiao.blogs.sapo.pt/3312.html >. Acesso: 18/01/13.

Arquivado em: Islamismo