Função emotiva ou expressiva

Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF)
Graduação em Letras (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira, FUNCESI)

Quando expomos os nossos sentimentos, as nossas emoções, as nossas ideias sobre os acontecimentos, usamos a função emotiva ou expressiva da linguagem! Esse tipo de função está focado no “eu”, ou seja, na pessoa que diz... Por isso, é carregada de subjetividade... É a voz, o olhar, o ponto de vista do sujeito para os acontecimentos. Com isso, ele se aproxima dos fatos. Vamos analisar na prática essa função da linguagem? Para tal, leia este texto sobre um livro fictício chamado “A ameixeira”:

Eu achei o livro “A ameixeira” muito interessante! Adorei lê-lo! Gostei demais da forma envolvente com que a autora desenvolve a história! Impossível não se emocionar! Somos levados a refletir com a protagonista Ester sobre as mudanças em nossas vidas com a passagem do tempo... Ela viveu até os dezoito anos em um sítio onde havia uma linda ameixeira! Quantas histórias guardam essa árvore... Histórias de Ester, que sempre se refugiava naquela abençoada sombra, quando se sentia triste, quando queria brincar, quando queria ler... Gostava de ver as maritacas e os jacus, com toda aquela barulhada, saboreando as ameixas... Ficava quietinha para não assustá-los... Era lá também que, mais tarde, ela pensava nas inquietações da adolescência... Inquietações com as quais certamente você vai se identificar, tal como eu me identifiquei... Agora, de volta ao sítio, depois de um longo tempo em uma cidade grande, Ester se reencontra com a ameixeira e a ela confidencia, envolta de muita emoção, toda a sua vida distante dali... Leitura imperdível para todos aqueles que desejam, assim como Ester, fugir do estresse, da poluição, da barulhada e se abrigar à sombra daquela ameixeira...

(Texto elaborado pela autora deste artigo para a abordagem da função emotiva ou expressiva da linguagem.)

No texto acima, a emissora (a enunciadora) expõe os seus pensamentos e sentimentos em relação à obra. Nota-se que o “eu” é bem marcado no texto, a começar pelo uso da 1ª pessoa do singular em “Eu achei o livro ‘A ameixeira” muito interessante!’ e “[...] tal como eu me identifiquei...”. Verbos como “achei” explicitam a voz do sujeito, a opinião do sujeito.

Repare que adjetivos como “interessante”, acompanhado do advérbio que exprime intensidade “muito”; e “imperdível” evidenciam a subjetividade de quem diz, isto é, evidenciam os pensamentos de quem diz sobre o livro “A ameixeira” e a leitura dele. Sinais de pontuação como o ponto de exclamação e as reticências – usadas várias vezes para sugerir o prolongamento da ideia, deixando um espaço também para a imaginação do destinatário – reforçam a subjetividade. Vale acrescentar a presença dos verbos “Adorei”, “Gostei” e “se emocionar”, que expressam sentimentos.

Para concluir

Usamos a função expressiva ou emotiva, como o próprio nome indica, quando queremos ou precisamos expressar os nossos pensamentos, as nossas emoções e os nossos sentimentos em relação aos acontecimentos. Nesse caso, entra em cena a subjetividade, ou seja, o ponto de vista do sujeito. Vários elementos atuam na construção dessa subjetividade: a 1ª pessoa do singular, determinados adjetivos e advérbios, verbos que exprimem sentimentos, a presença de sinais como ponto de exclamação e reticências, expressões como “Eu acho”, “Eu considero”, “Eu penso”.

Referência:

BARROS, Diana Pessoa de. A comunicação humana. In: FIORIN, José Luiz. (org.) et al. Introdução à Linguística. 6.ed. 7ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2019. p. 25-53.

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