Escritores do Parnasianismo

Pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura (Mackenzie, 2016)
Licenciada em Letras Português-Inglês (FMU, 2012)

O Parnasianismo iniciou-se na França, entre 1860 a 1866. Foi um período contemporâneo ao Realismo e ao Naturalismo, sendo considerado poético e com traços diferentes do Realismo. Além disso, trouxe uma preocupação com a beleza e a estética.

Os escritores franceses se juntaram e começaram a pensar em novas formas de escrever, depois de adquirirem influências externas. Eles queriam valorizar a arte, retomar ao clássico e utilizar a beleza na escrita.

No Brasil, o movimento parnasiano iniciou-se em 1882, com a publicação das “Fanfarras”, de Teófilo Dias, e foi até 1922, quando recebeu críticas dos modernistas.

Na época, o país passava pelos seguintes acontecimentos: a Abolição da Escravatura (1888) e a Proclamação da República (1889), que mostram o desejo de uma população em busca da liberdade.

Com o fim do Regime Militar e um Progresso Material, em que o capitalismo estava crescendo, fez-se surgir diferenças de classes sociais. Foi possível notar, a partir de então, a arrogância nas pessoas que eram detentoras de poder e dinheiro, isto é, quem ganhava mais mandava mais e quem ganhavam menos mandava menos.

Além das influências sociais e políticas, há também a influência francesa. Os autores do período parnasiano queriam viver com mordomia, no luxo demasiado, semelhante aos indivíduos da sociedade boemia da França, mas somente em aparência.

A Tríade Parnasiana

A tríade parnasiana ficou conhecida como o grupo de três escritores parnasianos brasileiros, que obtiveram maior destaque:

Antônio Mariano Alberto de Oliveira (1857-1937) foi um poeta, professor e farmacêutico, muito conhecido pelo pseudônimo Alberto de Oliveira.

Considerado um mestre da estética e renomado poeta parnasiano, destacou em seus poemas a perfeição formal, além da métrica rígida e a linguagem aprimorada.

Autor de “Canções Românticas”, “Sonetos e Poemas”, “Versos e Rimas”, com destaque em “Meridionais”:

Vaso Grego

Esta, de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então e, ora repleta ora, esvazada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e, do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas
Qual se essa a voz de Anacreonte fosse.

Raimundo Correia (1850-1911) foi juiz e poeta brasileiro. O autor foi enquadrado no Parnasianismo a partir do livro “Sinfonias”, antes atuava no Romantismo com influência de Castro Alves e Gonçalves Dias.

As suas obras tratavam sobre perfeição formal dos objetos e a cultura clássica. Utilizava de versos impressionistas para falar sobre a natureza, e tem como marca a poesia de meditação que o pessimismo e a desilusão são características.

Autor de “Primeiros Sonhos”, “Versos e Versões”, “Aleluias”, “Poesias”, “Lucindo filho”, “Sinfonias”.

As Pombas

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...

Olavo Bilac (1865-1918) foi um jornalista, contista, cronista e poeta brasileiro, além disso, foi considerado o principal representante do parnasianismo no país. Em suas obras, usava de linguagem elaborada e inventava estruturas gramaticais, além de buscar a perfeição métrica.

Autor de “Poesias”, “Poesias Infantis”, “Tarde”, “Crônicas e Novelas”, “Ironia e Piedade”, entre outros.

Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" Eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e, em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".