Romance policial

Mestra em Literatura e Crítica Literária (PUC-SP, 2012)
Graduada em Letras (PUC-SP, 2008)

Publicado em 22/02/2019

No século XIX, o escritor Edgar Allan Poe cria o personagem August Dupin, um detetive que inserido em seus contos de mistério Os Crimes da Rua Morgue, O Mistério de Marie Roget e A Carta Roubada, inicia as chamadas narrativas de enigma. Essas histórias de detetive é que dão origem ao romance policial.

A figura do detetive é elemento primordial na configuração do gênero policial. No caso dos textos de Poe, August Dupin é um sujeito de raciocínio lógico de grau elevado, conseguindo solucionar mistérios e desvendar os crimes. Com relação à estrutura, os textos policiais têm como fio condutor o método investigativo em três planos, que estão intimamente ligados: a vítima, o crime e a investigação.

Os leitores aderem rapidamente às narrativas policiais porque se trata de uma leitura prazerosa que propõe o restabelecimento da paz social após o embate entre o bem (detetive) versus o mal (assassino). A punição nunca é feita pelo investigador, não existe a justiça com as próprias mãos, ele entrega o contraventor para os órgãos competentes (polícia ou poder judiciário).

Em muitas narrativas policiais, a figura do detetive apresenta um perfil psicológico atrelado à solidão e à austeridade e, normalmente, o seu parceiro é uma figura mais descontraída e acaba fazendo o contraponto. Desta forma, a caracterização psicológica propõe o mergulho nos dramas pessoais de cada personagem, ação importante para o desenrolar da narrativa. E quando o detetive atua sozinho, as testemunhas, a sociedade ou a justiça exercem o papel de parceria, pois todos querem ver o crime desvendado.

Seguindo a estética literária proposta por Edgar Allan Poe, outros escritores produzem narrativas policiais de muito sucesso e grande recepção entre o público leitor. Dentre os detetives mais famosos dos romances policiais, destacam-se:

  • Hercule Poirot e Miss Marple, de Agatha Christie;
  • Monsieur Lecoq, de Émile Gaboriau;
  • Philip Marlowe, de Raymond Chandler;
  • Sam Spade, de Dashiell Hammett;
  • Sherlock Holmes, de Conan Doyle.

Os sucessores de Poe retomam a proposta dele, mas aprimoram e atualizam as características literárias do gênero policial. A escritora Agatha Christie, por exemplo, não foca tanto no mero embate entre detetives e criminosos, ela promove a deterioração do gênero e isso lhe rende o apelido de “dama do crime”.

Já o personagem Sherlock Holmes supera a fama de seu criador, o escritor Conan Doyle, por ser apresentado de forma mais humanizada e ganhando a empatia dos leitores. Ainda hoje, muitas pessoas desejam conhecer o The Sherlock Holmes Museum, na 221B Baker Street, em Londres – local fictício onde o detetive Holmes mora.

Na literatura brasileira, merecem destaque os seguintes detetives das narrativas policiais:

  • Azucena, de Patrícia Melo;
  • Espinosa, de Luiz Alfredo Garcia-Rosa;
  • Guedes, de Rubem Fonseca;
  • Venício, de Joaquim Nogueira;
  • Walter Jacquet, de Tailor Diniz.

É interessante notar que a evolução do romance policial permite que não somente o gênero masculino figure como personagem principal na trama investigativa, como normalmente acontece em sua origem. O gênero feminino passa a exercer a função protagonista, como é o caso da investigadora Azucena, do livro Fogo-Fátuo, de Patrícia Melo.

Referências:

MASSI, Fernanda. O romance policial místico-religioso: um subgênero de sucesso. 1. ed. São Paulo: Editora Unesp Digital, 2015.

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