Sílabas poéticas ou métricas

Mestra em Literatura e Crítica Literária (PUC-SP, 2012)
Graduada em Letras (PUC-SP, 2008)

A métrica é o componente poético que constitui as normas da versificação clássica, fixando as regras que regem as produções em verso. Tanto a medida quanto o ritmo dos versos são criados a partir de um sistema de versificação ou de metrificação.

O verso, por ser uma sucessão de sílabas poéticas, adquire uma estrutura rítmica e harmônica devido aos seus intervalos regulares. A métrica é, então, a disciplina que estuda a contagem silábica dos versos, o seu ritmo, a estruturação em estrofes, a rima e as formas fixas.

Em literatura, a contagem silábica recebe o nome de escansão uma espécie de decomposição dos versos em seus elementos métricos, principalmente no que diz respeito à sonoridade, como é o caso das sílabas tônicas (fortes).

A metrificação, ao considerar a tonicidade das palavras, exerce função primordial na construção do próprio gênero poesia ao garantir pela regularidade dos versos e pela rima que a poesia mantenha a sua musicalidade, já que a poesia nasce a priori para ser cantada.

As definições da contagem dos versos variam de acordo com a quantidade de sílabas poéticas, podendo ser:

  • 1 sílaba: verso monossílabo.
  • 2 sílabas: verso dissílabo.
  • 3 sílabas: verso trissílabo.
  • 4 sílabas: verso tetrassílabo,
  • 5 sílabas: verso pentassílabo, mais conhecido como redondilha menor.
  • 6 sílabas: verso hexassílabo.
  • 7 sílabas: verso heptassilabo, mais conhecido como redondilha maior.
  • 8 sílabas: verso octossílabo
  • 9 sílabas: verso eneassílabo.
  • 10 sílabas: verso decassílabo.
  • 11 sílabas: verso hendecassílabo
  • 12 sílabas: verso duodecassílabo, mas conhecido como Alexandrino.
  • 13 sílabas ou mais: verso Bárbaro.

Quando os versos são tradicionais, a metrificação do poema é fixa variando, normalmente entre uma até doze sílabas poéticas. Ainda que seja algo baseado no rigor, as formas fixas ganham singularidade nos poemas engenhosos de cada poeta.

Um exemplo são os versos decassílabos de camões na obra Os Lusíadas, a forma pode ser fixa, mas o primor literário na escolha crucial de cada palavra faz parte da habilidade e do talento do poeta.

Igualmente acontece com os poemas em redondilha menor e redondilha maior, que entre os trovadores é muito usual. A estrutura é retomada de maneira inovadora e diferenciada até em canções, como as de Chico Buarque ou fazendo parte de poemas modernos e contemporâneos.

Na poesia moderna, a métrica passa a ser livre, é o poeta quem escolhe quantas sílabas poéticas quer utilizar em cada verso. Essa liberdade poética se evidencia no ritmo e na sonoridade do poema. Além disso, a poesia moderna passa a usar também os versos brancos, aqueles que não têm rima.

Mesmo com o avanço e a inovação que permitem a liberdade poética, a metrificação sempre será um elemento primordial para os poetas, afinal, para aplicar as formas fixas é necessário entender o seu mecanismo e para romper com elas também.

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