O Nome da Rosa

Este romance, publicado em 1980, consagrou internacionalmente a carreira literária do italiano Umberto Eco fora dos circuitos acadêmicos. A obra obteve sucesso quase instantâneo em várias partes do mundo, e tornou-se ainda mais conhecida depois de ser convertida em linguagem cinematográfica, em 1986, dirigida por Jean-Jacques Annaud e protagonizada por Sean Connery e Christian Slater.

Neste enredo centrado na Era Medieval, em um dos inúmeros mosteiros que se disseminaram nesta época por toda a Europa, uma série de crimes abala o recanto sagrado e um frade franciscano, Guilherme William de Baskerville, detetive que se comporta como o famoso Sherlock Holmes, neste livro homenageado pelo nome do protagonista, que alude a uma das histórias mais conhecidas deste herói das narrativas policiais, O Cão dos Baskervilles. O personagem principal é assessorado por seu discípulo, o noviço Adso de Melk.

Os dois religiosos mergulham sem hesitação nos meandros mais obscuros e labirínticos desta inquirição, apesar dos obstáculos criados por alguns dos integrantes da ordem local. Seguindo todas as pistas e indícios possíveis, eles descobrem finalmente o que motivou os assassinatos. William e Adso concluem que eles estão associados à existência de uma biblioteca que preserva secretamente obras consideradas apócrifas, ou seja, não aceitas pela Igreja Medieval. Eco cria uma suposta obra do filósofo Aristóteles que versa sobre a questão do riso. Empenhado em não permitir que este livro se torne acessível a todos, o monge comete seus crimes com as armas da intolerância e da mais completa irracionalidade.

Com a leitura desta obra é possível observar como é a vida no interior de um monastério da Idade Média. O leitor se vê diante da oportunidade de compreender como a Igreja, nesta época mais que em qualquer outra, impediu a livre disseminação do saber, mantendo nas trevas o homem medieval, daí ser este período conhecido justamente por seu mergulho nas sombras, graças à obstinação daqueles que tudo fizeram para impedir a disseminação do conhecimento e do progresso da Humanidade, considerando este avanço um perigo para a sociedade. O clero mantinha, assim, o monopólio do conhecimento.

Como a imprensa ainda não existia, as obras originais tinham que ser reproduzidas manualmente por monges copistas; desta forma, os livros eram raridades preciosas, às quais poucos tinham acesso. Esta ficção de cunho policial é na verdade uma crítica à intolerância que marcou não somente este momento histórico, mas que se estende até a atualidade, quando guerras e conflitos eclodem aqui e ali por pretextos tão absurdos quanto os que motivaram os crimes abordados nesta obra, que já se tornou um clássico universal.

Umberto Eco empreende neste romance uma jornada fictícia rumo à Era Medieval vigente na Europa, genial metáfora do dogmatismo não só religioso, mas especialmente político, que rege não só a Itália, terra natal do autor, mas também uma vasta região do Planeta. Aqui ele debate abertamente as questões que subjazem sob crenças e ideologias contemporâneas, como as antigas contraposições entre o bem e o mal, o certo e o errado, elementos essenciais da doutrina cristã.

Outra importante referência literária presente nesta obra é a biblioteca que atua como cenário das investigações de William de Baskerville, a qual parece ter sido inspirada pelo conto A Biblioteca de Babel, do escritor argentino Jorge Luis Borges, caracterizada como uma instituição universal e imortal, que abriga em si todas as publicações do Planeta. Eco vai ainda mais longe em seu tributo a este autor, criando um personagem batizado como Jorge de Burgos, que além do nome semelhante ao do argentino, é igualmente cego, como Borges.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Nome_da_Rosa
http://criticanarede.com/lds_nomedarosa.html
http://www.adorocinema.com/filmes/nome-da-rosa/nome-da-rosa.asp

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