Alce

Graduação em Ciências Biológicas (Unicamp, 2012)
Mestrado Profissional em Conservação da Fauna Silvestre (UFSCar e Fundação Parque Zoológico de São Paulo, 2015).

O alce (Alces alces) é um mamífero pertencente à família dos cervídeos, chamado de moose na América do Norte e eurasian elk na Europa. Distingue-se pelo formato de taça das suas galhadas (geralmente nos machos), que podem atingir 1,6 metros de comprimento. São nativos do Paleártico e Neoártico e estão distribuídos em regiões circumpolares. Na América do Norte, os alces são encontrados em grande parte do Alasca, Canadá e Estados Unidos. Encontram-se também, no nordeste da Europa e norte da Ásia. Existem fatores que provavelmente limitam sua distribuição ao norte, como comida suficiente e profundidades de neve acima de 70 cm, por períodos mais longos. Sua distribuição ao sul é limitada pelos climas quentes que têm temperaturas acima de 27°C por longos períodos.

Pode ser encontrado em uma variedade de habitats nas frias regiões do hemisfério norte do globo que possui cobertura sazonal de neve. Eles habitam os biomas Floresta Temperada e Taiga, incluindo a zona Tundra-subalpina. Os habitats incluem a floresta boreal, folhas largas e mistas (conífera-decídua). Dentro dessas florestas, eles preferem o estágio inicial de sucessão, onde a folhagem é abundante.

Alce. Foto: David Osborn / Shutterstock.com

Características

Os chifres do Alces alces podem pesar até 35 Kg, os maiores chifres de um mamífero no mundo. São herbívoros e não possuem os incisivos superiores. Comem brotos de árvores, vegetação rasteira, plantas aquáticas e folhas de árvores e arbustos, gostam muito de Pinus silvestres. Estes animais são beneficiados por atividades como fogo, inundação, exploração de madeira e a ação glacial que aumentam a qualidade e a quantidade do tipo de alimento que eles gostam. Neste tipo de ambiente há aumento de densidade da espécie. Além dos habitats florestais, os alces procuram áreas próximas à água, como lagos, pântanos, lagoas e rios, onde também encontram bastante alimento, como o salgueiro para a espécie norte americana.

Um macho pesa em torno de meia tonelada (500 Kg), mas existe uma subespécie no Alasca que pode pesar até 700 Kg. A fêmea é mais leve, pesando em torno de 400 Kg. Seu grande tamanho, junto a incapacidade de suar, para regular a temperatura e o calor produzido pela fermentação em seus intestinos faz com que eles não possam tolerar temperaturas superiores a 27°C por muito tempo. É o maior cervo do mundo, podendo chegar a 2,3 metros de altura. Possuem atividade crepuscular, são bons corredores e podem nadar bem. São solitários a maior parte da vida, mas podem se juntar na estação reprodutiva (nos haréns). Em outra época do ano não são territorialistas, tendo tolerância em sobrepor áreas de vida, dependendo do sexo e da idade.

Reprodução

São animais que possuem dimorfismo sexual, uma vez que a fêmea é menor. São poligâmicos, podendo formar haréns ou pares transitórios. Os haréns são formados por machos dominantes (possuem tamanho do corpo e dos chifres maiores) que reúnem fêmeas para acasalar. Outros machos grandes desafiam o macho dominante, em busca do direito de acasalar. A reprodução ocorre entre setembro e outubro, sendo que a gestação dura até 231 dias, nascendo de um a dois filhotes, com um peso médio de 16 Kg. Os filhotes vivem com a mãe mais ou menos até um ano de vida. A maturidade sexual é alcançada aos 2 anos, mas se desenvolvem até os 4 ou 5 anos de idade, quando estão no melhor pico reprodutivo. Estudos apontam que um Alce começa a ter problemas de saúde por volta dos seus 8 anos de vida, mas podem alcançar até 15 anos na vida selvagem.

Um alce macho na tundra do Alasca. Foto: Chase Dekker / Shutterstock.com

Ameaças

A perda de habitat e pressão de caça são os impactos causados por seres humanos. Apenas cerca de metade dos filhotes chegam à idade adulta, devido à predação por grandes carnívoros, como ursos, lobos e pumas. Ursos predam mais na primavera e lobos mais no inverno. Apesar de sofrerem grande pressão de caça nas áreas naturais, não são considerados ameaçados de extinção. São listados como “pouco preocupantes” pela IUCN.

Referências:

Bowyer, R., V. Van Ballenberghe, J. Kie. 2003. Moose: Alces alces . Pp. 931-964 in G Feldhamer, B Thompson, J Chapman, eds. Wild mammals of North America: Biology, management and conservation. Baltimore, MD: John Hopkins University Press.

Peek, J. 2007. Habitat relationships. Pp. 351-375 in A Franzmann, C Schwartz, eds. Ecology and management of North American moose. Boulder, CO: University Press of Colorado.

https://animaldiversity.org/accounts/Alces_americanus/

https://animaldiversity.org/accounts/Alces_alces/

https://www.fs.fed.us/database/feis/animals/mammal/alam/all.html

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