Musical

O musical é uma expressão artística do teatro, estendendo-se ao cinema e à televisão. Está no contexto do musical o diferente gênero de óperas, inclusive a ópera chinesa, de musicais modernos, e de cabarés. A base da estrutura cênica do musical é uma narrativa apoiada em composições musicais, que irão acompanhar o diálogo, ser o próprio diálogo, e/ou integrar os números coreográficos do espetáculo. Na apresentação de um musical há uma banda de música, orquestra, ou efeitos sonoros que servem de suporte para o espetáculo.

Os musicais que conhecemos hoje que são apresentados na Broadway, nos cinemas e nas mais variadas casas de espetáculos foram influenciados pela comédia musical, que é um tipo de peça musicada surgida na Inglaterra no final do século XIX, e que em seguida vem fazer sucesso nos Estados Unidos no início do século XX.

A comédia musical se caracteriza por enfatizar a narrativa dramática, interligando a fala e o canto. Podemos dizer que o marco inicial do teatro musical foi “Show Boat”, em 1927, música de Jerome David Kern e libreto de Oscar Hammerstein, o primeiro grande espetáculo americano nesse gênero. Seguindo a este vieram muitos outros sucessos, como: “Oklahoma!”, em 1943, “My Fair Lady”, em 1956, “West side story”, em 1957, “Hello Dolly”, em 1964, entre outros. Foi em “Oklahoma!” que a composição coreográfica tomou maior importância dentro do musical americano, pela capacidade de combinar diálogos, canções, coreografias, e melodias orquestradas. Inicialmente, na comédia musical, a dança não tinha tanto espaço nas montagens, mas com desenvolvimento de novas habilidades técnicas dos atores-cantores-bailarinos e com a necessidade de se produzir mega-produções, um novo estilo de dança surge para enquadrar-se nessa nova estética do show bissenes: o Jazz dance.

Até então eram utilizados bailarinos formados apenas pela técnica do balé clássico, que soubessem sapatear ou fazer algum número exótico.

O público da Broadway desejou que as produções musicais possuíssem uma estética própria americana. Desta forma o musical americano passou a ser de grande escala, em sua produção, mas não possuindo um estilo definitivo, flutuando em sua estética. Tal qual o continente americano buscando a novidade tecnológica, sendo barulhento como uma metrópole e não possuindo um padrão definido. È característica dos musicais americanos fazer releituras de clássicos da literatura, isto por perceber que não era mais interessante investir nos velhos e sentimentais clichês dramáticos. Desta forma começaram a fazer releituras de Shakespeare como, “A Megera Domada” transformada em “Kiss me, Kate”, “Romeu e Julieta”, que inspirou “West Side Story”, entre outros.

Uma montagem de musical tende a ser mais cara que outras produções teatrais, devido ao número de profissionais envolvidos em cena e fora dela. Os ensaios precisam acontecer simultaneamente em espaços distintos, para que o processo de montagem de coreografias, de músicas e de cenas com diálogos não sejam interrompidos, e que em determinado momento, próximo à estréia, a direção de cada linguagem artística se encontre com o diretor geral, frente ao elenco, para então o espetáculo começar a tomar o corpo final.

Algumas pessoas consideram um show de música com banda, um musical, porém a essência do musical é a inter-relação dramática entre as linguagens da música, do teatro e da dança.

Fontes
ACHCAR, Dalal. Ballet, Arte, Técnica e Interpretação. Cia brasileira de artes gráficas: Rio de Janeiro, 1980.
BERTHOLD. Margot. História mundial do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2004.

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