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Gado Nelore

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O gado Nelore é uma raça zebuína, de origem indiana, criada no Brasil principalmente para a produção de carne. É a base da pecuária de corte do país. Segundo a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), cerca de 80% do gado de corte brasileiro é Nelore puro ou anelorado (mestiço com predomínio de sangue Nelore). Os animais são brancos ou cinza-claros, têm cupim, orelhas curtas e uma grande resistência ao calor e aos parasitas, o que explica seu sucesso nos pastos tropicais.

Origem: do Ongole indiano ao Nelore brasileiro

Na Índia, a raça se chama Ongole. O nome brasileiro vem do distrito de Nellore, na costa leste do país, no atual estado de Andhra Pradesh, de onde saíram os primeiros animais trazidos para cá. Como todos os zebuínos, pertence ao grupo Bos taurus indicus, diferente dos bovinos europeus, os taurinos.

Segundo a ACNB, o primeiro registro da raça no Brasil é de 1868, quando um navio que seguia para a Inglaterra parou em Salvador e deixou um casal de animais. Em 1878, o criador Manoel Lemgruber importou outro casal, que tinha visto no zoológico de Hamburgo, na Alemanha. Seguiram-se novas importações diretamente da Índia, e a raça se espalhou pelo Rio de Janeiro, por São Paulo e por Minas Gerais.

No início, o Nelore não era o zebu preferido. Muitos criadores davam mais valor a raças de pelagem colorida e orelhas grandes, como o Gir e o Guzerá. A situação mudou ao longo do século XX, à medida que ficaram claras as vantagens do Nelore para a produção de carne. O registro genealógico começou em 1938. As últimas grandes importações, entre 1960 e 1962, trouxeram reprodutores como Karvadi, Golias, Rastã e Godhavari, que deram origem às principais linhagens atuais. Como a Índia passou a restringir a exportação de gado, o melhoramento da raça desde então foi feito quase todo no Brasil.

Gado Nelore. Foto: AFNR / Shutterstock.com

Gado Nelore. Foto: AFNR / Shutterstock.com

Características raciais

O Nelore é um animal de porte médio, com ossatura leve e forte e musculatura compacta. As principais características do padrão racial são:

  • Pelagem e pele: pelagem branca ou cinza-clara. Nos machos, o pescoço e o cupim costumam ser mais escuros. A pele é preta, solta, fina e oleosa, e os pelos são curtos e claros. A vassoura da cauda (os pelos da ponta) e os cascos são pretos.
  • Cabeça: formato alongado, perfil levemente convexo e uma depressão no alto da testa chamada de "goteira", mais marcada nos machos. O focinho é preto e largo.
  • Orelhas: curtas, terminadas em ponta (em "ponta de lança") e voltadas para a frente, o que diferencia o Nelore do Gir e do Guzerá, que têm orelhas longas e pendentes.
  • Chifres: curtos, escuros, grossos na base e cônicos. Na variedade mocha, não existem.
  • Cupim e barbela: o cupim (giba) é bem desenvolvido nos machos e menor nas fêmeas. A barbela, a dobra de pele sob o pescoço, vai até perto do umbigo e é mais pregueada nos machos.
  • Corpo: comprido e profundo, com costelas bem arqueadas, dorso reto e garupa longa e levemente inclinada, com boa cobertura muscular.
  • Úbere: pequeno, com tetas que facilitam a mamada do bezerro.

O padrão racial também lista defeitos que impedem o registro do animal, como pelagem preta, vermelha ou malhada, cascos brancos, falta de pigmentação, umbigo grande e pendente e defeitos nos testículos, como o criptorquidismo.

Adaptação ao clima tropical

As vantagens do Nelore estão ligadas à sua origem tropical:

  • Calor: tem mais glândulas sudoríparas e uma superfície de pele maior em relação ao corpo, o que facilita perder calor. A pelagem clara reflete parte da radiação solar, e a pele escura protege contra os raios ultravioleta.
  • Parasitas: o pelo curto e denso e a pele oleosa dificultam a fixação de insetos e carrapatos, e a raça é bem mais resistente ao carrapato-do-boi do que as europeias.
  • Alimentação: aproveita bem pastagens de baixa qualidade, típicas do Cerrado na época seca.
  • Reprodução: as vacas têm facilidade de parto, bezerros pequenos ao nascer e forte instinto materno.

A raça também tem pontos fracos. Os animais são mais tardios: as novilhas demoram mais para emprenhar pela primeira vez do que as de raças europeias. A carne tende a ser menos macia e com menos gordura entremeada (marmoreio). Boa parte dos programas de melhoramento atuais trabalha justamente com precocidade sexual, ganho de peso e qualidade de carcaça.

Nelore mocho

O Nelore mocho tem as mesmas características da raça, mas nasce sem chifres. Surgiu no Brasil entre as décadas de 1940 e 1950, a partir de animais que apresentavam a mutação. Despertou interesse porque a ausência de chifres reduz ferimentos entre os animais e acidentes com as pessoas que os manejam, além de dispensar a descorna.

Importância econômica

O Brasil tem um dos maiores rebanhos bovinos do mundo. Segundo o IBGE, eram 234,3 milhões de cabeças em 2025, e o Mato Grosso tem o maior rebanho entre os estados. O Nelore é a base dessa produção, principalmente no Centro-Oeste e no Norte, onde a criação é feita quase toda a pasto. Isso ajudou a colocar o país entre os maiores exportadores de carne bovina do mundo.

A raça é muito usada na inseminação artificial e na produção in vitro de embriões. Também é a base de cruzamentos com raças europeias, como Angus e Senepol, que geram bezerros mais precoces e com carne de melhor acabamento, sem perder totalmente a rusticidade.

Referências

  • Associação dos Criadores de Nelore do Brasil. A Raça Nelore.
  • Associação Brasileira dos Criadores de Zebu. ABCZ.
  • IBGE. Produção da Pecuária Municipal 2025. Rio de Janeiro: IBGE, 2026.
Arquivado em: Mamíferos, Pecuária