A importância da Educação Física nas escolas

Graduação em Educação Física (Unesp, 1999)
Mestre em Ciências da Motricidade (Unesp, 2002)
Doutorado em Integração da América Latina (USP, 2013)

Publicado em 20/07/2022
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A Educação Física enquanto disciplina surge em 1882, com Rui Barbosa. Seu objetivo era o desenvolvimento de corpos e mentes nas escolas. Mas o esporte já era praticado: atividades como remo, natação e futebol já eram vistos no século XIX.

Foi em 1930, na Era Vargas, que a Educação Física passa a ser obrigatória nos diferentes níveis de ensino, como uma maneira de promover hábitos saudáveis e de higiene em toda a população.

Após a Segunda Guerra Mundial, toda a Educação Física escolar foi voltada aos esportes de rendimento, privilegiando os mais aptos e apresentando, portanto, um caráter tecnicista.

O quarto momento relevante da Educação Física na escola foi a década de 80, quando múltiplas vozes passam a pensar e a exercer a Educação Física na escola. Assim, essas abordagens vão desde estudos psicomotores, passando por propostas desenvolvimentistas, até as abordagens de cunho social.

Atualmente, há frentes também diversas, mas duas se destacam: a abordagem cultural, proposta por Neira e a abordagem saúde renovada, proposta por Nahas.

Mas, afinal, por que a Educação Física é importante na escola?

Ora, a Educação Física promove o aprendizado pelo movimento humano, o que significa que este aprendizado se dá em diversos sentidos, como o aprendizado do corpo, o aprendizado cognitivo e o aprendizado social. Assim, pensando esses múltiplos sentidos da aprendizagem, significa dizer que há múltiplas maneiras de aprendizagem.

Um documento promovido pelo Ministério da Educação em 1996, denominado Parâmetros Curriculares Nacionais, apresenta três elementos que são necessários de serem contidos em uma aula de Educação Física. São eles: parte conceitual – onde os conceitos são trabalhados; parte procedimental – onde a aula é executada; parte atitudinal – onde as atitudes e valores são trabalhados. Nesse sentido, é possível perceber que uma aula de Educação Física se compromete em ir além da execução de movimentos ou da prática esportiva por si só.

Isso significa que o movimento humano faz parte sim da prática da Educação Física escolar, e que ele pode ser tanto trabalhado sozinho quanto de maneira a subsidiar outras temáticas, como as sociais por exemplo.

Como foi dito anteriormente, duas vertentes têm trabalhado objetivos distintos entre si das aulas de Educação Física: a Educação Física Cultural e a Saúde Renovada. A proposta da saúde renovada pretende dar autonomia para o aluno sobre a prática da atividade física e as consequências sobre sua saúde. Já a proposta da Educação Física Cultural pretende trazer toda a carga cultural enraizada na prática a ser realizada. Nesse sentido, percebe-se que se trata de objetivos distintos para uma aula de aula de Educação Física, ainda que, de modo algum, eles sejam excludentes.

Ora, o sentido da Educação Física na escola envolve, portanto, o desenvolvimento da coordenação motora, das capacidades físicas, mais tarde, propõe a autonomia no que se refere aos exercícios físicos, sem esquecer do lado cultural que permeia tudo isso. Como se vê, a Educação Física se mostra uma disciplina completa, isso sem esquecer a proposta de formação cidadã, proposta pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (1996).