Asteráceas

A família Asteraceae é considerada uma das maiores famílias do grupo de plantas angiospérmicas. Os números explicam o porquê: 3 subfamílias, 1.535 gêneros e 23 mil espécies, aproximadamente. Só na América tropical já foram identificadas em torno de 8.040 espécies pertencentes à 580 gêneros. Entre os gêneros, o maior atualmente é Senecio com cerca de 500 espécies identificadas. Os demais gêneros tem quantidade inferior a 450 espécies cada.

As asteráceas descendem de um único ancestral comum e isto é ratificado pelas características morfológicas e moleculares estudadas até então. Separadas em 13 grupos distintos que compuseram as 3 subfamílias Barnadesioideae, Cichorioideae e Asteroideae.

  • Barnadesioideae é uma subfamília arranjada por um grupo de indivíduos que se apresentam sob a forma de arbustos ou árvores, podem ser encontrados na América do Sul.
  • Cichorioideae é uma subfamília parafilética, com características peculiares como a presença de inflorescências tipo capítulo discóide, com exceção apenas das espécies da tribo Lactuaceae que tem seus canais resiníferos e lactíferos muito bem desenvolvidos.
  • Asteroideae é monofilética, ou seja, descende de um único ancestral comum, e uma característica inerente à este grupo é a presença de apenas duas linhas marginais no tecido do estigma, não tem canais lactíferos e as flores do disco tem lobos muito curtos.

O importante é ressaltar que os caracteres morfológicos são fundamentais para a identificação e separação dos grupos.

Esta família é quase cosmopolita, podendo facilmente ser identificada em muitos lugares ao redor do mundo, só não está presente mesmo no continente antártico. Entre as subfamílias citadas apenas a distribuição de Barnadesioideae é restrita e limitada à América Tropical, e estas são se apresentam sob a forma de arbustos ou ervas. Essa subfamília pode ser encontrada mais comumente em regiões mais abertas, como em campos, mas também pode se desenvolver e se adaptar bem em ambientes de floresta. Inclusive há alguns exemplares de Barnadesioideae que são resistentes às queimadas, é uma marca evolutiva e adaptativa que as favorece quando as adversidades ocorrem.

A importância econômica está associada ao valor medicinal da maioria das asteráceas e sua utilização acontece principalmente pelas comunidades populares detentoras de conhecimentos medicinais tradicionais. Por exemplo, em algumas situações se utiliza Arnica para tratar edemas oriundos de baques e quedas; Calea pinnatifida para tratar vermes; ou as espécies do gênero Acmella para cuidar de dores de dentes. Há ainda algumas espécies que são muito utilizadas para conter eventuais venenos provenientes das picadas de cobra, são as espécies do gênero Mikania. São também bastante comercializados o inseticida natural extraído de Chrysanthemum coccineum e o adoçante conhecido como esteviosídeo extraído da espécie Stveia rebaudiana.

O mercado econômico também é movimentado pela produção de alimentos de Asteraceae, como a alface, o girassol, a chicória e a alcachofra. Além, é claro, dos exemplares ornamentais muito procurados e consumidos, entre eles as margaridas, as gérberas, as dálias, os crisântemos, as wedelias, as gazânias e as zínias.

Normalmente na natureza podemos encontrar espécies de Asteraceae sob a forma de ervas, arbustos e árvores. Sendo que uma característica morfológica interessante da família é a presença dos canais resiníferos e laticíferos. Há também a produção de poliacetilenos e óleos aromáticos, como os produzidos pela calêndula. As folhas são simples, não tem estípulas, podem ser inteiras ou levemente denteadas, com nervação peninérvea ou palminérvea. Estão dispostas alternamente, em alguns casos podem estar opostas ou verticiladas. As inflorescências se apresentam em capítulos solitários bem definidos e segregados uns dos outros ou unidos entre si. São capítulos que podem conter apenas flores do disco ou com flores do raio em volta das flores do disco, e estas mais ao centro.

As flores das asteráceas, tão vistosas e algumas tão conhecidas, são sésseis, sem uma maturação determinada, podendo ser uni ou bissexuais (em alguns casos podem até ser estéreis). A simetria pode ser actinomorfa ou zigomorfa e são flores epíginas (com ovário ínfero). As sépalas se encontram modificadas, arranjadas de modo a comporem um papus com cerdas e escamas, e quase sempre estão unidos. Já as pétalas estão em número de cinco e unidas formando um tubo. A corola pode ser actinomorfa ou zigomorfa, se for este último as pétalas podem estar dispostas duas na porção superior e três na porção inferior ou a porção superior pode estar mais ausente e a inferior ter três lobos.

O ovário é ínfero, com dois carpelos unidos entre si, apenas um lóculo e um óvulo. Este óvulo está fixado na porção basal do ovário. O disco nectarífero está situado bem próximo do ápice do ovário. As espécies de Asteraceae possuem cinco estames, anteras quase sempre unidas (sinanteria), com alguns apêndices que formam uma estrutura tubular por onde o pólen será liberado. O estilete se projeta ao longo deste tubo empurrando os grãos de pólen até que cheguem aos agentes polinizadores (na maioria das vezes são insetos). Nos neotrópicos o agente polinizador mais comum é a abelha e a dispersão ocorre por anemocoria. Em outros gêneros as sementes são transportadas por animais, sejam aderidas ao corpo ou ingeridas pelo animal.

O fruto é do tipo aquênio, podendo ter várias formas, entre elas chato, alado ou espinhoso.

A família Asteraceae tem recursos que garantem, em parte, sua evolução. Os principais subterfúgios são os poliacetilenos e as lactonas sesquiterpências, esses compostos estão presentes em abundância nas asteráceas, funcionam como uma "defesa natural" e inibem a predação de suas espécies.

Bibliografia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Asteraceae
http://www.freewebs.com/rapinibot/embriofitas/parte9.pdf