Nomenclatura Botânica

Mestrado em Ciências Biológicas (INPA, 2015)
Graduação em Ciências Biológicas (UFAC, 2013)

Nomenclatura botânica é a disciplina que trata de dar nomes aos taxa por meio de princípios e regras listados pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica.

Os grupos taxonômicos devem receber nomes para que seja estabelecido uma comunicação eficiente, para que aspectos relacionados com a identidade, com as relações filogenéticas e outros aspectos biológicos sejam acessados pelos sistematas botânicos bem como por outros cientistas.

Os princípios e regras de nomenclatura botânica tem sido desenvolvidos e atualizados ao longo de uma série de congressos internacionais e estão listados no Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ICBN). O propósito principal do ICBN é fornecer um nome correto para cada grupo taxonômico dentro de um sistema estável (um sistema de classificação).

A utilização de nomes científicos é fundamental para uma comunicação eficiente e acurada sobre as plantas em um contexto global. Os nomes científicos são latinizados. Cada táxon (unidade taxonômica) tem seu nome e este é utilizado no mundo inteiro.

O sistema de nomenclatura binomial foi utilizado pela primeira vez por Carolus Linnaeus, na obra Species plantarum, publicada em dois volumes no ano de 1753. Os nomes científicos são binomiais, compostos por duas palavras latinizadas. A primeira palavra é o gênero, a segunda é o epíteto específico e pode ser um adjetivo, um nome por aposição ou um nome possessivo. O nome científico é escrito em itálico ou sublinhado. A primeira letra do nome genérico sempre é maiúscula. O ICBN recomenda que o epíteto específico seja escrito sempre em letra minúscula.

O epíteto específico é seguido pelo nome do autor. O autor é o nome da pessoa que descreveu o táxon pela primeira vez. Os nomes dos autores devem ser abreviados segundo uma lista de abreviaturas apropriadas. O epíteto específico não deve repetir o nome genérico como em Benzoin benzoin, tal nome é conhecido como tautônimos.

Por exemplo, o nome científico completo da faveira é Parkia nitida Miq. O gênero é Parkia, o epíteto específico é nidita (um adjetivo que significa “brilhante”) e o nome do autor é Miquel (que é abreviado como Miq.). Outros exemplos de nomes científicos seriam: Euterpe precatoria Mart., Ruta graveolens L., Parkia multijuga Benth., Cedrela odorata L., Mauritia flexuosa L.f.

Exemplos de epíteto específico e o seu significado

aridus – arido; asper – áspero; azureus – cor azul-celeste; edulis – comestível; affinis – relacionado; alatus – alado; chloranthus – com flores verdes; gracilis- fino, tenro; graveolens – com aroma forte; humilis- anão; incanus – grisalho; laevigatus – liso; latifolius – com folhas largas; macrocarpus – com frutos grandes; rufus – vermelho; sativus – cultivado,

Estes epítetos são adjetivos e estão no masculino. Sua utilização deve sempre concordar com o gênero do nome genérico. A maioria dos epítetos específicos se referem aos atributos característicos da planta que podem ser morfológicos, ecológicos, ou químicos, a área de distribuição do táxon, o nome do primeiro coletor do táxon entre outros.

O ICBN estabelece princípios nomenclaturais como:

  1. A nomenclatura botânica é independente da nomenclatura zoológica.
  2. A aplicação de nomes para grupos taxonômicos é regida por meio de tipos nomenclaturais.
  3. A nomenclatura dos grupos taxonômicos se baseia no princípio de prioridade de publicação.
  4. Cada táxon deve ter apenas um único nome correto, exceto em casos específicos.
  5. Os nomes científicos são escritos em latim ou latinizados, independentemente da sua origem.
  6. As regras de nomenclatura são retroativas, exceto quando expressamente indicado.

Para descrever um táxon recém descoberto, o ICBN define alguns passos importantes para garantir que o novo nome seja validado publicamente. Estes passos se aplicam para espécies.

  1. O nome deve ser em latim ou latinizado, binomial. Não deve duplicar outro nome que já exista.
  2. A categoria do nome deve ser claramente indicada.
  3. Um espécime tipo deve ser designado.
  4. A descrição da planta deve ser em latim ou outra língua, acompanhada de breve diagnose (atributos da espécie) em latim.
  5. Todas as informações devem ser validamente publicadas.

Leia também:

Referências bibliográficas

Raven, P. H.; Eichhorn, S. E.; Evert, R. F. Biologia Vegetal. 8ª ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 2014

Judd, W.S.; Campbell, C.S.; Kellogg, E.A.; Stevens, P.F.; Donoghue, M.J. Sistemática vegetal: um enfoque filogenético. 3ª ed. Artmed, Porto Alegre. 612p. 2009.