Plantas carnívoras

Mestrado em Ciências Biológicas (INPA, 2015)
Graduação em Ciências Biológicas (UFAC, 2013)

Planta carnívoras capturam presas, absorvem seus metabólitos e utilizam em seu crescimento e desenvolvimento. São plantas de beleza exótica.

Plantas carnívoras possuem ampla distribuição geográfica, ocorrendo em regiões quentes e úmidas, em florestas tropicais, nas tundras gélidas da Sibéria ou nos desertos da Austrália. São reconhecidas mais de 500 espécies pelo mundo todo apesar de serem restritas exclusivamente a ambientes pobres em nutrientes, solos encharcados de brejos, com pH baixo e às vezes pedregoso.

O Brasil reúne mais de 80 espécies de plantas carnívoras divididas em 6 gêneros: Drosera, Genslisea, Utricularia, Heliamphora, Brocchinia e Catopsis. As mais comuns são as Droseras que se distinguem pela presença de uma substância pegajosa (mucilagem) que aprisiona insetos voadores. As Genliseas e Utricularias são chamadas de violetas-do-brejo, são aquáticas, com pequenas vesículas que capturam protozoários. As Heliamphoras atraem insetos com suas cores vivas e néctar perfumado. Brocchinia e Catopsis são bromélias e capturam suas presas através dos pelos em suas folhas.

Planta carnívora da espécie Utricularia vulgaris. Foto: Jeff Holcombe / Shutterstock.com

Origem das plantas carnívoras

As primeiras plantas carnívoras surgiram na terra há cerca de 65 milhões de anos atrás. Acredita-se que estas plantas tenham evoluído a partir de plantas que capturavam parasitas para se defender deles, como é o caso da planta Plumbago. As plantas desenvolveram métodos de aprisionamento e digestão de animais (através de enzimas digestivas), para utilizarem suas proteínas, ricas em nitrogênio como fonte de nutrientes.

Ao longo do tempo, as plantas carnívoras desenvolveram estratégias de atração e captura de suas presas em eficientes armadilhas de captura. Entre os mecanismos de atração estão as cores vivas, odores nectaríferos, padrões de luz ultravioleta e a luz refletida em gotículas de mucilagem presente nas armadilhas. Estas plantas se alimentam de insetos, organismos aquáticos microscópicos, lesmas e caramujos, aranhas e centopeias e excepcionalmente pequenos vertebrados como sapos, pássaros e roedores. As armadilhas de captura são reconhecidas em quatro tipos básico: de sucção, ascídios, folhas colantes e em jaula.

Armadilhas de sucção

No tipo sucção, mini vesículas possuem uma pequena entrada, rodeada por gatilhos que, quando estimulados, promovem a abertura da entrada. Devido a diferença de pressão entre o interior e o exterior da vesícula, quando a entrada é repentinamente aberta, tudo ao redor é levado para dentro incluindo a presa que estimulou o gatilho. Este tipo de armadilha é utilizada por todas as espécies de Utricularia.

Armadilhas do tipo ascídios

O tipo ascídios, as folhas são altamente especializadas, inchadas e ocas como se fossem urnas. Elas possuem uma entrada no topo e um líquido digestivo no interior que a presa ao cair no líquido digestivo passa a ser digerida. Os restos podem se acumular no fundo chegando muitas vezes a encher a armadilha até o topo. Este tipo de armadilha captura desde pequenos invertebrados até pequenos vertebrados e está presente em gêneros como Cephalotus, Darlingtonia, Heliamphora, Nepenthes, Sarracenia entre outros.

Nepenthes villosa. Foto: NepGrower [Public domain], via Wikimedia Commons

Armadilha de folha colante

Na armadilha do tipo folha colante, glândulas colantes estão distribuídas pelas folhas ou até mesmo pela planta toda. É o tipo mais simples de armadilha de captura e na maioria das vezes capturam pequenos insetos voadores. É a armadilha de captura encontrada em Drosera.

Armadilha de jaula

Na armadilha do tipo jaula as folhas das espécies de plantas carnívoras são modificadas em duas metades com gatilhos no interior. Quando os gatilhos são tocados pelas presas, a metade de cada folha se fecha em alguns segundos, esmagando a presa dando início ao processo digestivo.

Dionaea muscipula. Foto¹: Bouba at fr.wikipedia (photo by Bouba) [GFDL or CC-BY-SA-3.0], via Wikimedia Commons

A carnivoria supre apena a demanda de nutrientes necessários para a sobrevivência de espécies com esta síndrome. O carbono obtido de insetos capturados é limitado e o crescimento de plantas carnívoras depende incondicionalmente da fotossíntese, não constituindo vantagem adaptativa para outras espécies fora desta condição evolutiva. Plantas carnívoras são autotróficas e a produção de carbono através da fotossíntese é fundamental para seu crescimento.

Referências bibliográficas:

Espírito-Santo, M. M., Werneck, M. S. Efeitos da umidade do solo e da cobertura vegetal na distribuição e abundância de DROSERA MONTANA (DROSERACEAE). Acta bot. bras. 13(3): 299-305. 1999

Matos, E. H. S. F. Espécies de plantas carnívoras e o seu cultivo. Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico – CDT/UnB. 2012