Traqueídes

Mestrado em Ciências Biológicas (INPA, 2015)
Graduação em Ciências Biológicas (UFAC, 2013)

Traqueídes são células condutoras de água, encontrada na maioria das plantas vasculares que não apresentam perfurações.

O sistema vascular é formado por xilema e floema que são contínuos através de todos os órgãos da planta, tanto vegetativos quanto reprodutivos. O xilema é formado pelo sistema vascular primário e secundário. São tecidos complexos formados por elementos condutores, células parenquimáticas, fibras e outros tipos celulares. A madeira que é comumente chamada de xilema secundário é produzida pelo câmbio vascular. O câmbio vascular é um cilindro de células que está em constante divisão e fica localizado próximo à casca, ou próximo ao lenho.

Existem dois tipos básicos de elementos traqueais: as traqueídes e os elementos de vaso.

As traqueídes são imperfuradas, típicas das gimnospermas e também são encontradas nas famílias primitivas das angiospermas. As traqueídes se posicionam em fileiras longitudinais, justapostas pelas extremidades não perfuradas.

Plantas Coníferas e Cycadales possuem apenas traqueídes para a condução de água. As Gnetales (Gnetum, Ephedra e Welwistschia) e as angiospermas, que são o grupo das plantas com flores, geralmente possuem traqueídes e elementos de vaso.

Os elementos de vaso são dotados de placas de perfuração, ocorrem em fileiras longitudinais e se comunicam através das placas de perfuração, constituindo os vasos. Os elementos de vaso são característicos das angiospermas e das ordens mais evoluídas de gimnospermas.

No curso de sua diferenciação, as traqueídes e os elementos de vaso perdem o protoplasto para se tornarem aptos para o transporte de água e sais minerais. Já nos elementos de vaso, a parede terminal de cada extremidade sofre um processo de dissolução, o que origina a placa de perfuração. A dissolução da placa de perfuração pode ser total ou parcial. Quando a placa de perfuração se encontra em estado total, dá origem a placa de perfuração simples. Quando se encontra em estado parcial, dá origem a placa de perfuração foraminada, reticulada, escalariforme, mista e radiada.

Placas de perfurações também podem ser encontradas nas paredes laterais dos elementos de vaso e, em alguns casos, nas células específicas do parênquima radial as células perfuradas de raio que estão diretamente envolvidas no transporte de água. Estas células foram descritas até o momento nas famílias botânicas Combretaceae, Euphorbiaceae, Monimiaceae e Rubiaceae.

Nos elementos traqueais a deposição de parede secundária sobre a parede primária ocorre em diferentes graus, estabelecendo diferentes padrões.

A deposição de parede secundária se dá na forma de anéis que não se conectam uns com os outros, formando padrão anelar ou helicoidal. O padrão helicoidal é semelhante ao anelar embora forme uma ou duas hélices. Esses padrões tem poucas regiões com deposição de parede secundária e por isso podem sofrer colapso facilmente, no entanto, tem a vantagem da extensibilidade. Esta condição permite que os elementos traqueais se diferenciem em tecidos que estão crescendo, já que podem se alongar e continuar funcionais, suprindo de água as partes jovens das plantas.

A deposição de parede secundária é mais extensa e cobre grandes áreas de parede primária e possui três padrões diferentes para os diferentes graus de cobertura: escalariforme, o reticulado e o pontuado. O padrão escalariforme apresenta regiões sem deposição de parede secundária, são muito regulares. O padrão reticulado, a deposição se dá de forma irregular. O padrão pontuado é o que há maior cobertura da parede primária pela secundária, sendo quase toda a parede primária coberta, exceto nas áreas de pontoações.

Nas traqueídes das coníferas, as pontoações se caracterizam por serem grandes, circulares e areoladas em suas paredes radiais. As pontoações são mais abundantes nas terminações das células, onde as traqueídes se sobrepõem a outras traqueídes.

Pontoações pareadas (par de pontoações) que se encontram entre as traqueídes de coníferas são caracterizadas pelas presença de toro. O toro é uma parte central dilatada da membrana da pontoação que consiste de lamela média e duas paredes primárias. O toro é levemente maior que a abertura ou o poro na aréola da pontoação.

Referências bibliográficas:

Judd, W.S.; Campbell, C.S.; Kellogg, E.A.; Stevens, P.F.; Donoghue, M.J. Sistemática vegetal: um enfoque filogenético. 3ª ed. Artmed, Porto Alegre. 612p. 2009.

Appezato-da-glória, B. & Carmello-Guerreiro, S.M. (Eds.) Anatomia vegetal. 3a ed. Viçosa: Editora UFV, 2012.