Coníferas (Divisão Coniferophyta)

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2017)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2012)
Graduação em Biologia (UNITAU, 2006)

Publicado em 11/01/2019

As coníferas, da Divisão Coniferophyta, pertencem ao grupo das gimnospermas. As gimnospermas são plantas vasculares que possuem sementes, porém não apresentam flores ou frutos. Nessas plantas não ocorre mais a dependência direta da água para a reprodução. O grupo das coníferas apresenta o maior número de espécies entre as gimnospermas, e nele estão inclusas as araucárias, pinheiros, abetos, píceas, sequoias e ciprestes. Estão localizadas geralmente em regiões frias, formando grandes florestas nas zonas temperadas do hemisfério norte. O pinheiro-do-paraná ou araucária (Araucaria angustifolia) é uma gimnosperma que ocorre na região sul do Brasil (Figura 1). Esta espécie produz uma semente comestível, o pinhão (Figura 2), que é muito apreciada tanto pelos seres humanos quanto pelos animais.

Figura 1: Indivíduo adulto de araucária. Foto: Costa Rodrigues / Shutterstock.com

 

Figura 2. Detalhe da semente comestível da araucária, chamada de pinhão. Foto: Iuliia Timofeeva / Shutterstock.com

Reprodução

Assim como em todas as gimnospermas, nas coníferas a geração esporofítica (2n) prevalece sobre a gametofítica (n). As estruturas reprodutivas estão organizadas quase sempre em estróbilos, os quais são popularmente conhecidos como pinhas ou cones. Em muitas espécies as folhas são alongadas e em forma de agulha, denominadas acículas. Nos pinheiros elas estão agrupadas em feixes, cada um com um número determinado de acículas, que pode variar entre uma e oito, dependendo da espécie. Certas características das folhas de coníferas evidenciam adaptações a condições ambientais de falta de água, como uma cutícula espessa recobrindo a epiderme e estômatos localizados na superfície abaxial (parte inferior).

Os pinheiros do gênero Pinus estão entre as coníferas mais conhecidas, por isso eles serão utilizados como exemplos para o ciclo de vida deste grupo (Figuras 3 e 4). Essas plantas são monoicas, ou seja, no mesmo indivíduo estão presentes tanto os estróbilos masculinos (microsporângios) quanto os femininos (megasporângios), sendo estas estruturas as responsáveis pela produção dos micrósporos e dos megásporos, respectivamente. Os esporos nas gimnospermas e nas angiospermas ficam retidos no esporófito, não sendo liberados como ocorre nas plantas vasculares sem sementes.

Figuras 3 e 4: Representantes das coníferas. Indivíduo adulto de pinheiro (esq.). Estróbilos masculinos (setas) e femininos nos pinheiros (dir.). Fotos: Peter Turner Photography, Iryna Loginova / Shutterstock.com

Cada micrósporo formado dará origem ao gametófito masculino, também conhecido como grão de pólen. Ele é uma estrutura muito pequena, composta por apenas quatro células, que permanecem protegidas pela parede do esporo. Nos estróbilos femininos existe um tecido de revestimento (2n) denominado tegumento, que protege o megasporângio. No tegumento há uma abertura, chamada de micrópila, por onde os grãos de pólen penetram. No interior do megasporângio está presente um tecido nutritivo conhecido como nucelo (2n) e uma célula diploide que sofre meiose e origina quatro células haploides, sendo que três se degeneram e apenas uma é viável.

A polinização ocorre quando os grãos de pólen são liberados do microsporângio e transportados pelo vento. Este tipo de polinização é chamado de anemofilia. O megásporo se desenvolve no interior do óvulo originando o gametófito feminino, que se diferencia na região próxima a micrópila em um arquegônio contendo uma oosfera. O grão de pólen germina e forma uma estrutura longa, chamada de tubo polínico, que cresce em direção ao arquegônio. Uma das células do grão de pólen, a célula generativa, se divide por mitose, formando os dois gametas masculinos, que nas coníferas não possuem flagelos. Essas células penetram no tubo polínico e uma delas fecunda a oosfera, originando o zigoto, enquanto a outra se degenera.

O zigoto se desenvolve no embrião, que permanece no interior do megagametófito. Este passa a acumular reservas nutritivas e ao seu redor desenvolve-se uma casca dura. Essas estruturas dão origem a semente, que será liberada quando estiver madura. Ao cair no solo, se as condições forem favoráveis, a semente germinará e originará uma nova planta, reiniciando o ciclo. O ciclo de vida do pinheiro está ilustrado na figura 5.

Figura 5 – Ciclo de vida do pinheiro, uma conífera. Ilustração: Kazakova Maryia / Shutterstock.com [adaptado]

Referência bibliográfica:

Raven, P.; Evert, R.F. & Eichhorn, S.E. 2007. Biologia Vegetal. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 830 p.