Schistosoma

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

Schistosoma é um gênero de vermes parasitas da classe Trematoda. Esses organismos com o corpo achatado parasitam capilares sanguíneos causando uma doença muito prevalente nas populações humanas conhecida como esquistossomose. O dimorfismo sexual entre indivíduos adultos machos e fêmeas é uma característica única e marcante, os diferenciando dentro todos os vermes platelmintos. Existem mais de 20 espécies de Schistosoma no mundo, mas o mais comumente associado a infecções que ocorre no Brasil é o S. mansoni.

Schistosoma mansoni. Foto: CDC/ Lynn W. Herring

Observando a morfologia dos Schistosoma adultos, nota-se que eles são seres de simetria bilateral, com um tegumento sincicial cobrindo seus corpos. Tanto o macho quanto a fêmea possuem ventosas orais e ventrais, com tubo traqueal curto bifurcado em cecos intestinais de fundo cego. O macho tem órgãos sexuais próprios (vesícula seminal, testículos e poro genital) enquanto a fêmea possui vulva, ovário único e glândulas vitelíneas que ocupam mais de 60% de seu volume corporal. Seus sistemas excretor e osmorregulador se baseiam em células flama e para a circulação eles utilizam a globina do sangue de seus hospedeiros. O macho possui ainda uma estrutura essencial chamada de ginecófaro. Este nada mais é que um canal no qual a fêmea pode se abrigar enquanto os vermes adultos acasalam. Macho e fêmea distinguem consideravelmente em tamanho e forma, com o macho sendo comumente maior e mais largo.

O ciclo de vida dos Schistosoma é consideravelmente complexo, apresentando diversos tipos morfológicos dependendo do hospedeiro e ambiente. Inicialmente, os ovos do parasita vão parar no ambiente através das excretas de um hospedeiro infectado. Os ovos são resistentes e, em contato com a água, liberam os miracídeos. Esta primeira forma é geralmente ciliada, capaz de se deslocar ativamente. Com uma vida média de doze horas, os miracídeos possuem um apurado sistema sensorial que combina foto, termo e quimiotropismo, auxiliando-os a encontrar seu hospedeiro intermediário, os moluscos (geralmente caramujos do gênero Biomphalaria). Com movimentos giratórios e enzimas, os miracídeos conseguem penetrar no molusco, infectando-os para o resto de suas vidas. Em alguns casos, quando a carga parasitaria é muito elevada, os caramujos morrem.

No interior dos moluscos, por 4 a 8 semanas, o miracídeo sofre modificações fisiológicas se tornando um esporócito primário e depois secundário. Depois dessa maturação, o esporócito origina as cercarias, forma livre nadante que utiliza sua grande cauda para buscar seu hospedeiro definitivo, que podem ser muitos vertebrados, incluindo o ser humano. As cercarias podem sobreviver por até 40 horas no ambiente (dependendo da espécie) mas o seu quimiotropismo por moléculas presentes na pele de seus hospedeiros facilita sua dispersão e rápida infecção. Através da secreção de enzimas proteases e colagenases, as cercarias são capazes de romper a pele e entrar no hospedeiro. Assim que a invasão ocorre, a cauda é perdida e o corpo se modifica, especialmente o tegumento, dando origem ao esquistossômulo. Por alguns dias eles permanecem na pele, até atingirem a corrente sanguínea. Quando levados ao sistema porta hepático, os esquistossômulos se diferenciam em sua forma adulta. Machos e fêmeas se associam, migrando para veias mesentéricas inferiores. Rapidamente a fêmea começa a liberar ovos, que podem migrar pela corrente sanguínea e atravessar a mucosa do intestino ou da bexiga, onde se misturam às fezes e a urina e são liberados, completando o ciclo de vida do parasita.

Ciclo de vida do parasita causador da Esquistossomose. Ilustração: Centers for Disease Control and Prevention (CDC) [traduzido por InfoEscola]

Referências:

Jamieson, B. and Haas, W., 2017. Miracidium of Schistosoma. Schistosoma Biol Pathol Control77.

Lawton, S.P., Hirai, H., Ironside, J.E., Johnston, D.A. and Rollinson, D., 2011. Genomes and geography: genomic insights into the evolution and phylogeography of the genus Schistosoma. Parasites & vectors4(1), pp.1-11.

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