Povos sambaquis

Abordaremos aqui o tema pela ótica da arqueologia, o que significa, em linhas gerais, que comentaremos os sambaquis quanto à sua materialidade. Datados de 12.000 a 8.000 anos atrás, os povos que deixaram os sambaquis para estudo dos arqueólogos são chamados de povos de Lagoa Santa.

Os Sambaquis são, segundo Levi Figuti, “eloquentes testemunhos da presença humana em períodos que antecedem a Colonização.”. Os Sambaquis são grandes estruturas em forma de colinas, compostas em 80% por conchas de moluscos. Além disso, há neles ossos, e diversos materiais como restos de alimentos e lascas de quartzo, o que indica que o local era utilizado para trabalhos diversos. Algo muito atrativo para os arqueólogos, além da grande estrutura, é o fato de que os sambaquis contem esqueletos, sugerindo que o espaço era também usado para que estes povos sepultassem seus mortos, sendo o mais antigo esqueleto encontrado batizado de Luiza, o qual foi encontrado no abrigo nº IV da Lapa Vermelha. Alguns dos locais em que se encontram os sambaquis são: Lagoa Santa e Serra do Cipó, ao norte de Belo Horizonte e Vale do Rio Peruaçu e Lapa do Boquête, ao norte de Minas Gerais, e também locais que vão até as Cordilheiras dos Andes.

Dentre os diversos Sambaquis estudados percebe-se diferenças na realização dessas diversas práticas. Quanto ao sepultamento, por exemplo, em Lagoa Santa, segundo André Prous, encontra-se corpos em pequenas covas com pigmentos vermelhos, colares de sementes e blocos de pedra que cobriam os corpos. Já em Vale do Rio Peruaçu especula-se que os corpos eram sepultados fora dos grandes abrigos.

Quanto aos aspectos físicos dos esqueletos sepultados nos sambaquis, conforme Prous, os de Lagoa Santa apresentam características cranianas que se aproximam de populações australianas e africanas, tanto atuais como do passado, e não tanto de asiáticos atuais. Esse fato gerou a hipótese de que os primeiros imigrantes deste território podem ter sido dos primeiros grupos de Homo sapiens que migraram da África. Isso, entretanto, não se traduz necessariamente em cor de pele escura, pois outros fatores estariam envolvidos nisso.

Não se sabe muito quanto à cultura e organização social destes povos, mas os Sambaquis apresentam uma grande variedade de matérias-primas, como pedras e conchas de territórios muito distantes da estrutura em que foram encontrados. Isso pode, porém ser o resultado de trocas ou viagens de grupos pequenos, e não necessariamente indica migração ou nomadismo por parte destes povos.

Bibliografia:

FIGUTI, L. “O homem pré-histórico, o molusco e o sambaqui: considerações sobre a subsistência dos povos sambaquieiros.” In: Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, n. 3, 1993, p. 67-80. Disponível em: http://www.periodicos.usp.br/revmae/article/view/109161

PROUS, André. O Brasil Antes dos Brasileiros: A Pré-história do Nosso País. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

Arquivado em: Pré-História