Complexo de inferioridade

Graduanda em Psicologia (PUC-SP)

O termo complexo, criado pelo psiquiatra Theodor Ziehen, é muito utilizado na Psicologia.

Psicologia Analítica

Os complexos são conceitos importantes para a Psicologia Analítica.

Seu fundador, Carl Jung, designa como tais os fragmentos soltos de personalidade (ou grupos de conteúdos psíquicos separados do consciente) com funcionamento no inconsciente, de onde influem sob a consciência.

Estímulos como o sentimento de inferioridade podem ativar os complexos do sujeito, ocasionando um momento psicologicamente carregado no qual a consciência está prestes a ser perturbada, tendo como consequências dores e reações irracionais. Tal gatilho é denominado constelação.

Psicanálise

A expressão Complexo de Inferioridade foi criada por Alfred Adler, discípulo dissidente de Sigmund Freud. Ela designa o conjunto de atitudes, representações e comportamentos que são expressões disfarçadas de um sentimento de inferioridade ou das reações deste.

Para Adler, tal sentimento seria consequente de fatores como apresentação de anomalias, questões orgânicas e/ou influência desfavorável do meio no qual o sujeito está inserido.

Assim, tais variáveis constitucionais e seus estados análogos na infância dariam origem ao sentimento, exigindo compensação no sentido de uma exaltação do sentimento de personalidade: o sujeito forçaria para si um objetivo final fictício que atrairia suas forças psíquicas, a procura de compensar, com maior ou menor êxito, sua deficiência.

Freud apresenta divergências quanto à teoria, alegando que esta apresenta uma concepção narrativa insuficiente e parcial. Segundo o pai da psicanálise, o sentimento, em vez de ser considerado um fator etiológico último, deve ser compreendido e interpretado como um sintoma.

Ademais, F. acrescentou que a origem do complexo pode corresponder também a danos reais ou fantasísticos que a criança sofreria, relacionados à perda do amor e castração.

Por fim, apontou que, estruturalmente, tal sofrimento traduziria a tensão entre ego e superego, sublinhando o parentesco desse sentimento com o de culpa.

Referências bibliográficas:

LAPLANCHE, J; PONTALIS, J. B. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

ROUDINESCO E PLON, Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

STEIN, Murray. Jung – O Mapa da alma. SP: Cutrix, 2000.

Arquivado em: Psicologia