Gestalt

Graduanda em Psicologia (PUC-SP)

Gestalt” é uma palavra alemã desprovida de tradução direta na língua portuguesa. Termos aproximadamente correlatos a ela são “forma”, “padrão” ou “totalidade”.

Ela denomina uma escola de pensamento criada pelos psicólogos Max Wertheimer, Kurt Koffka e Wolfgang Kohler nos anos de 1920. Esta afirma que um todo não é uma simples soma de duas partes, propondo que o comportamento e os meandros da mente não devam ser estudados separadamente.

Nela, a organização perceptual é dividida nos seguintes princípios:

  • Lei da semelhança: ela afirma que os sujeitos tendem a agrupar itens que são semelhantes.
  • Lei da simplicidade (pragnanz): A tradução do termo em alemão é “boa figura”. Ela afirma os sujeitos veem que vemos objetos em sua forma mais simples possível.
  • Lei da proximidade: ela afirma que os sujeitos tendem a agrupar objetos que estão perto uns dos outros.
  •  Lei da continuidade: ela estabelece que os sujeitos tendem a achar o caminho mais ameno quando os pontos parecem conectados por linhas curvas ou retas. Estas, em vez de elementos individuais, aparecem como se pertencessem umas às outras.
  • Lei do preenchimento: ela afirma que os sujeitos tendem a preencher os vazios resultantes dos agrupamentos de objetos em conjunto, de modo que passam a serem vistos como um todo.
  • Figura-fundo: ela mostra que os sujeitos tendem a reconhecer uma parte de um evento como a figura (primeiro plano) e a outra como o fundo.

Gestalt-terapia

A terapia da Gestalt é uma abordagem criada entre as décadas de 1940 e 1950 pelo psiquiatra Fritz Perls (1893-1970) e pela psicóloga Laura Perls (1905-1990).

Ela é existencial, auto-sustentada, experimental e integralmente ontológica, pois reconhece tanto a atividade conceitual quanto formação biológica da Gestalten.

Como filosofia, tem os processos de diferenciação e integração. Se a primeira leva a polaridades duais, a segunda unifica os opostos. Dessa forma, um objetivo é promover tal processo, de forma que o indivíduo experimente a situação total (Gestalt). Assim, mobilizando os recursos do sujeito e apoiando seus desejos e necessidades, visa a avaliação dele da realidade com seus detalhes, experimentando suas possibilidades, aumentando sua capacidade de abrir mão de respostas prontas, ideias pré-concebidas e relacionamentos esgotados; diminuindo sua necessidade de controle das situações ou apoio nos ambientes e seus medos de imprevistos. É possível dizer, portanto, que o processo terapêutico resulta em despertares.

A concentração deste é sobre todo o ser por meio de aspectos como o comportamento, a fala, a postura e posição diante o mundo. Ele ajuda a identificar quem o indivíduo é em um cenário de situações e emoções, sem a urgência das situações de emergências.

Técnicas são utilizadas na experiência. Algumas delas são:

  • Interpretação de papéis. Um frequente é o da situação “cadeira vazia”, em que o sujeito fala com o objeto como se alguém estivesse sentado nele.
  • Trabalho com sonhos. Eles são lidos como mensagens existenciais, o que se difere da interpretação psicanalítica. Desse modo, o terapeuta, que não assume saber mais que o paciente, pode sugerir que o sujeito os escreva ou escolha um que achar representativo para encenar (act-out).
  • Liberação de sentimentos de raiva em situações como, por exemplo, bater em um sofá com tacos acolchoados.
  • Trabalho do aqui e agora. Pode ocorrer por meio de dizeres como “eu estou ciente de que...”, o que ajuda o sujeito a manter-se no presente e separar os sentimentos de interpretações e julgamentos.

Referências:

STEVENS, John. Isto é Gestalt. São Paulo: Summus Editorial, 1997

YONTEF, Gary. Processo, Diálogo e Awereness: ensaios em gestalt-terapia. São Paulo: Summus Editorial, 1998

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