O instinto é um padrão de comportamento inato, ou seja, que nasce com o indivíduo e não depende de aprendizagem. Ele é comum a todos os membros de uma espécie e surge como resposta a determinados estímulos, geralmente com a função de garantir a sobrevivência e a reprodução. A palavra vem do latim instinctus, que significa “impulso” ou “estímulo”. No ser humano, o tema é estudado por diferentes áreas, como a biologia, a psicologia, a neurociência e a psicanálise, cada uma com sua própria abordagem.
Conteúdo deste artigo
Características do comportamento instintivo
De modo geral, os comportamentos considerados instintivos apresentam as seguintes características:
- São inatos: aparecem sem que o indivíduo precise aprendê-los com outros;
- São típicos da espécie: manifestam-se de forma semelhante em todos os seus membros;
- São desencadeados por estímulos específicos: por exemplo, o choro de um filhote que provoca o cuidado dos pais;
- Têm função adaptativa: contribuem para a sobrevivência do indivíduo ou para a continuidade da espécie.
Ao contrário do que se pensava em algumas teorias antigas, os instintos não são aprendidos ao longo da vida e depois transmitidos aos descendentes. Segundo a biologia evolutiva, eles se formaram ao longo de muitas gerações por meio da seleção natural: os comportamentos que favoreciam a sobrevivência e a reprodução tenderam a se manter porque os indivíduos que os apresentavam deixaram mais descendentes.
Instinto nos animais
O estudo científico do comportamento animal é chamado de etologia. Pesquisadores como Konrad Lorenz e Nikolaas Tinbergen, que dividiram o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1973 com Karl von Frisch, mostraram que muitos animais apresentam sequências de comportamento fixas e previsíveis, como a construção de ninhos, os rituais de acasalamento e o cuidado com os filhotes. Lorenz também descreveu o imprinting, fenômeno em que filhotes de aves passam a seguir o primeiro objeto em movimento que veem logo após o nascimento.
Nos mamíferos, especialmente nos primatas, comportamentos instintivos se combinam com a aprendizagem social. A proteção dos filhotes pelas mães, como mostra a imagem abaixo, é um exemplo de comportamento com forte base instintiva, aperfeiçoado pela convivência no grupo.
Instinto no ser humano
Nos seres humanos, há poucos comportamentos complexos que possam ser considerados puramente instintivos. Alguns exemplos de respostas inatas são os reflexos dos recém-nascidos, como o de sucção e o de preensão (agarrar o dedo de quem toca a palma da mão do bebê). Além disso, fala-se com frequência em “instinto de sobrevivência”, “instinto materno” ou “instinto sexual” para designar tendências gerais de comportamento.
No entanto, essas tendências são fortemente moldadas pela cultura, pela educação e pelas experiências de cada pessoa. A capacidade de refletir, planejar e controlar os próprios impulsos permite que o ser humano não aja apenas de forma automática, mas escolha como responder às situações.
O instinto na psicanálise
Sigmund Freud usou o termo alemão Trieb, que muitas vezes foi traduzido como “instinto”, mas que hoje costuma ser traduzido como pulsão. A diferença é importante:
- O instinto é um comportamento fixo e hereditário, com objetivo biológico definido.
- A pulsão, para Freud, é uma força que nasce de uma excitação no corpo e impulsiona o indivíduo a agir para reduzir um estado de tensão. Ao contrário do instinto, ela não tem um objeto fixo, que pode variar conforme a história de cada pessoa.
Segundo Freud, as pulsões ligadas à sexualidade não se limitam à reprodução: estão relacionadas à busca de prazer de forma ampla, o que ele associou ao princípio do prazer. Essas ideias causaram polêmica na sociedade de sua época, que resistia a admitir o papel da sexualidade na vida psíquica.
Em Além do Princípio do Prazer (1920), Freud propôs a existência de dois grandes grupos de pulsões em conflito permanente:
- Eros, ou pulsões de vida, voltadas à união, à preservação e à construção;
- Tânatos, ou pulsão de morte, associada às tendências de destruição, agressividade e retorno a um estado sem tensão.
Para a psicanálise, o equilíbrio entre essas forças é fundamental para a vida psíquica.
Instinto e neurociência
Durante parte do século XX, correntes da psicologia deram menos importância aos instintos, enfatizando a aprendizagem e os processos cognitivos. Mais recentemente, neurocientistas como Jaak Panksepp e Donald Pfaff retomaram o interesse pelas bases biológicas dos impulsos e das emoções. Panksepp, criador da chamada neurociência afetiva, defendeu que sistemas emocionais básicos, localizados em regiões profundas do cérebro, são compartilhados por humanos e outros mamíferos. Essas pesquisas mostram que, apesar da complexidade da mente humana, ainda temos muito em comum com outros animais.
Referências
- Instinto – Wikipédia
- Pulsão – Wikipédia
- Etologia – Wikipédia
- The Nobel Prize in Physiology or Medicine 1973 – NobelPrize.org
- Jaak Panksepp – Wikipédia
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/psicologia/instinto-humano/
