Os erros de português na redação do Enem são avaliados principalmente na competência 1, que observa o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. A análise não se resume a contar palavras escritas incorretamente: inclui a construção das frases, o emprego das regras gramaticais, as convenções da escrita e a adequação do registro ao texto dissertativo-argumentativo.

Caderno com anotações e caneta. Foto: Phil Slattery / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
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O que a competência 1 avalia?
A matriz do Inep considera a capacidade de escrever de maneira formal e compreensível. Isso não significa usar palavras raras ou construir períodos excessivamente longos. É necessário organizar as orações e selecionar expressões que comuniquem o sentido pretendido com precisão.
Entre os aspectos observados estão:
- convenções da escrita: ortografia, acentuação, uso de maiúsculas, hífen e separação de palavras no fim da linha;
- gramática: concordância, regência, pontuação, emprego de pronomes, tempos verbais e crase;
- registro: adequação à escrita formal, evitando abreviações de conversa e marcas de oralidade incompatíveis com a situação;
- vocabulário e sintaxe: escolha precisa de palavras e construção de períodos que permitam compreender as relações entre as ideias.
Existe desconto fixo por erro?
Não há, na matriz pública, uma regra de “menos tantos pontos por vírgula”. Cada avaliador atribui um nível à competência, de acordo com o conjunto do texto. Os níveis vão de 0 a 200 pontos, em intervalos de 40. A frequência e a variedade dos desvios, sua recorrência e a qualidade da estrutura sintática importam para o enquadramento.
Para o nível máximo, espera-se excelente domínio da escrita formal. A cartilha admite desvios como excepcionalidade, desde que não caracterizem reincidência. Portanto, um desvio isolado não permite prever sozinho a nota, e a repetição de problemas pode revelar uma dificuldade mais sistemática.
Também não é correto somar automaticamente “40 pontos perdidos” a cada ocorrência. Os intervalos correspondem aos níveis da avaliação, não a uma tabela de multas por palavra.
Problemas frequentes e exemplos
Concordância e verbos impessoais
Em “Os estudantes precisa de apoio”, o verbo não concorda com o sujeito plural. A forma adequada é “Os estudantes precisam de apoio”. Já o verbo haver, no sentido de existir, permanece no singular: “Há dificuldades”, e não “Hão dificuldades”. Os exemplos ilustram regras, não um cálculo automático de perda de pontos.
Pontuação
Separar sujeito e verbo por vírgula, sem uma expressão intercalada que justifique a marcação, prejudica a estrutura: “A falta de recursos, dificulta a permanência” deve ser “A falta de recursos dificulta a permanência”. A vírgula não deve ser usada apenas porque o leitor faz uma pausa na fala.
Outro problema é acumular várias ideias sem organizar os períodos. Escrever uma frase muito longa não demonstra, por si só, domínio sintático; é melhor estabelecer relações claras entre as orações.
Regência e crase
Em “garantir acesso a educação”, a relação entre a preposição exigida por “acesso” e o artigo de “educação” pede a forma “garantir acesso à educação”. A crase depende dessa combinação, e não de uma regra segundo a qual toda palavra feminina deve recebê-la.
Registro e precisão
Abreviações como “vc” e “pq” não são adequadas ao registro solicitado. Também é preciso observar palavras semelhantes: em “O governo deve concertar o problema”, a ideia de reparar exige “consertar”. Trocar uma palavra simples por outra desconhecida pode introduzir imprecisão em vez de melhorar o texto.
O que pertence às outras competências?
Fuga ao tema, falta de desenvolvimento dos argumentos, problemas de coesão e ausência de proposta de intervenção não são apenas “erros de português”. O Enem tem competências distintas para avaliar a compreensão da proposta, a organização argumentativa, os mecanismos de articulação e a intervenção.
Uma redação sem desvios gramaticais ainda pode ter desempenho insuficiente nesses outros aspectos. Da mesma forma, errar uma palavra não zera automaticamente a redação inteira. As hipóteses de nota zero previstas nas orientações do exame não devem ser confundidas com o enquadramento na competência 1.
Como revisar?
Uma estratégia útil é fazer leituras com objetivos diferentes: primeiro verificar tema e argumentação; depois, observar a forma. Na revisão linguística, vale conferir o sujeito de cada verbo, as relações que exigem preposição, a pontuação dos períodos e a grafia das palavras sobre as quais há dúvida.
Durante a preparação, reescrever o próprio texto a partir de uma devolutiva do professor ajuda a reconhecer padrões recorrentes. O objetivo não é decorar uma lista de proibições, mas desenvolver controle consciente da escrita formal.
Fontes
- Inep — A Redação do Enem 2026: Cartilha do(a) participante.
- Ministério da Educação — Como estudar redação para o Enem na prática.
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/redacao/erros-de-portugues-na-redacao-do-enem/