Funções da Linguagem

Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF)
Graduação em Letras (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira, FUNCESI)

Nós usamos a linguagem para diferentes fins, não é verdade? Sempre estamos nos comunicando, interagindo com os outros... Nesse contexto, entram em cena as funções da linguagem: função poética, função fática, função apelativa ou conativa, função expressiva ou emotiva, função metalinguística e a função referencial ou informativa. Cabe ressaltar que as funções resultam dos efeitos de sentido provocados pelas escolhas linguísticas e os procedimentos adotados em sua composição. Um texto pode apresentar mais de uma função da linguagem. Normalmente, há um predomínio de uma sobre as outras, tendo em vista a finalidade comunicativa. Vamos saber mais a respeito das funções da linguagem?

Função apelativa ou conativa

Função da linguagem, centrada no destinatário, para influenciar o seu comportamento, persuadindo-o de algo. Desse modo, espera-se uma resposta dele. Esse tipo de linguagem tem presença predominante em textos publicitários:

Você está cansado do seu banco? Então, venha para o nosso!

Conheça o restaurante “Casa da Vovó”! Aqui, você se sente em casa!

Função metalinguística

Função da linguagem focada na própria linguagem. Usa-se a linguagem para explicar a própria linguagem. Veja um exemplo:

Não devemos dizer “ele ou ela interviu”. Mas, “ele ou ela interveio”. Isso porque a conjunção do verbo “intervir” segue a conjunção do verbo “vir”.

A palavra “grama” é masculina quando se refere a peso. Isso quer dizer, por exemplo, que não podemos comprar quinhentas gramas de presento, mas quinhentos gramas de presento.

Função expressiva ou emotiva

Função da linguagem centrada no “eu”, isto é, em quem diz. Emprega-se essa função quando se deseja expressar os pensamentos, as emoções, os pontos de vista sobre os acontecimentos. Nessa perspectiva, impera-se a subjetividade:

Acho que o povo necessita de um bom serviço de transporte público. Já estou cansada de fazer reclamações sobre os constantes atrasos e a superlotação dos ônibus. Mas até agora, nenhuma solução... Não aguento mais esse descaso!

Fiquei encantada com o livro! Não gosto de romances açucarados, mas “Encontro na colina” é arrebatador! Você não conhece desgrudar do livro, de tão envolvente que é a leitura. O encontro entre Sofia e Matheus comove, emociona!

Função fática

Função da linguagem com foco no contato (físico ou psicológico) entre os envolvidos na situação comunicativa. Os interlocutores buscam estabelecer ou manter contato.

Oi, tudo bem?

Tudo joia!

Aguardo o seu retorno, viu?

Função referencial ou informativa

Função da linguagem centrada no contexto com a intenção de informar um acontecimento. Usam-se estratégias, como a 3ª pessoa do singular e a citação de fontes que sustentam as informações prestadas. Dessa maneira, há um distanciamento entre quem diz e o fato noticiado:

Polícia prende suspeito de tráfico de drogas

Prefeitura lança o programa “Amigos do Livro”

Termina hoje o prazo para a declaração do Imposto de Renda

Função poética

Função da linguagem usada em textos mais ricamente elaborados, que rompem com a linguagem considerada “normal”. Busca-se o novo e o belo. Figuras de estilo, sonoridades de palavras e ritmos são algumas marcas dessa função, centrada na mensagem:

Soneto

Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

(Álvares de Azevedo)

Para concluir:

Informar um acontecimento; influenciar o comportamento do outro, persuadindo-o; estabelecer ou manter contato com alguém; explicar um componente linguístico; expor um sentimento ou um ponto de vista sobre um fato... Enfim, a linguagem é usada para diferentes finalidades comunicativas.

Referências:

AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. Rio de Janeiro: Garnier, 1994. (Fragmento).

BARROS, Diana Pessoa de. A comunicação humana. In: FIORIN, José Luiz. (org.) et al. Introdução à Linguística. 6.ed. 7ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2019. p. 25-53.

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