Dinoflagelados

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2012)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2007)
Graduação em Ciências Biológicas (Universidade de Guarulhos, 2003)

A classificação biológica usada por especialistas da área inclui os dinoflagelados no filo Dinophyta (dinófitas) e classe Dinophyceae. Atualmente, estudos mais detalhados, principalmente, estudos moleculares sugerem grande correlação destes organismos com protozoários ciliados como, Paramecium e Vorticella; além dos apicomplexos, como o Plasmodium (causador de malaria). Todos estes organismos estão classificados em alveolados (Alveolata), pois apresentam pequenas bolsas membranosas alveolares sob a superfície celular. Os dinoflagelados são organismos com aproximadamente 4.000 espécies encontradas principalmente em ambiente marinho; alguns representantes em água doce. A maioria é planctônica e ocorrem desde os polos até os trópicos, estes mais representados.

Morfologia e características gerais

A maioria dos dinoflagelados é unicelular, há raros representantes filamentosos, coloniais, ameboides ou cocoides. Podem adquirir aspectos vermiformes quando parasitas de certos anelídeos. Há muitas particularidades com relação à morfologia, pois apresentam dois flagelos (biflagelados), um deles se posiciona em um sulco localizado na porção mediana, enquanto que o outro situa-se perpendicularmente (figura 1). Desta forma, o movimento (batimento) destes flagelos faz com que os dinoflagelados girem como um peão. Algumas espécies não possuem flagelos, apenas em suas células reprodutoras. Outra característica peculiar é a presença de tecas (figuras 2a,b), que são placas celulósicas rígidas e estão situadas no interior de vesículas sob a membrana plasmática. Alguns dinoflagelados são atecados (sem teca) (figura 2c).

Figura 1: Desenho esquemático de diferentes dinoflagelados que possuem teca (as setas a e b evidenciam a posição dos flagelos, note os sulcos). Ilustração: Shazz / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

A maioria dos dinoflagelados fagocitam partículas orgânicas dissolvidas, pois não possuem elementos fotossintéticos. Contudo, muitos representantes possuem estes elementos e mesmo assim se alimentam de matéria orgânica dissolvida. Quando os organismos utilizam dois métodos para realizar a nutrição são referidos como mixotróficos (mixotrofia).

Os dinoflagelados possuem vários cloroplastos e os pigmentos fotossintéticos são clorofila do tipo a e c, que geralmente mascaram-se em presença dos carotenoides, com o principal deles, a pridinina, também encontrado em algas crisófitas. A presença da pridinina sugere que os cloroplastos dos dinoflagelados surgiram de endossimbiose com diatomáceas e haptófitas. Outros dinoflagelados possuem cloroplastos verdes ou azul-esverdeados semelhantes aqueles de algas verdes ou criptomonas, sugerindo endossimbiose com estes organismos. A substância de reserva energética é o amido e como em todos os protistas há vacúolo contrátil.

Figura 2.a: Dinoflagelado do gênero Ceratium. (Foto: Rattiya Thongdumhyu / Shutterstock.com)

Figura 2.b: Dinoflagelado Karenia brevis. Foto: USFWS.

Figura 2.c: Dinoflagelado Noctiluca scintillans, sem teca, responsável pela bioluminescência expressa na figura 2.d. Foto: Maria Antónia Sampayo, Instituto de Oceanografia, Faculdade Ciências da Universidade de Lisboa / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Figura 2.d: bioluminescência de dinoflagelados. Foto: YewLoon Lam / Shutterstock.com

Ciclo de vida

A reprodução assexuada é a mais comum e ocorre por divisão binária (ou divisão celular longitudinal). Após a origem das células filhas (como um clone), cada uma recebe um flagelo e uma porção da parede celular ou teca, se encarregando de continuar a constituição.

Quando há reprodução sexuada ocorrem dois tipos de fecundação: a isogâmica, quando há fusão de gametas morfologicamente iguais e anisogâmica, quando os gametas se diferenciam morfologicamente e fisiologicamente, neste caso no tamanho. O ciclo de vida foi caracterizado como haplobionte haplonte, onde organismos adultos haploides (n) se fundem (fecundação) originando um zigoto diploide (2n); em seguida este zigoto se divide por meiose, o que caracteriza a meiose zigótica e originando novos organismos adultos haploides.

Importância ecológica

Dinoflagelados sem a presença da teca são simbiontes (zooxantelas) e vivem associados a esponjas, medusas, corais, polvos, tunicados, anêmonas-do-mar, caramujos, medusas, lulas e outros protistas. Além de trocas benéficas, a cor do organismo se refere a cor do dinoflagelado.

Quando as condições ambientais estão desfavoráveis, os dinoflagelados encistam e se depositam ao fundo dos ambientes aquáticos, permanecendo por anos. Quando as condições se tornam favoráveis, estes organismos voltam a prosperar. As correntes podem movimentar estes cistos para outras localidades e isso pode ser uma explicação para as florações (maré vermelha) que são causadas por estes organismos acontecerem em locais diferentes.

Alguns dinoflagelados são bioluminescentes (figuras 2c,d) e isso se deve a presença de luciferina e a enzima luciferase, a mesma encontrada em vagalumes, fungos e outros organismos. Os dinoflagelados são estimulados mecanicamente resultando em flashes de luz.

Bibliografia recomendada:

http://tolweb.org/Eukaryotes/3 (consultado em julho de 2018)

http://tolweb.org/Alveolates/2379 (consultado em julho de 2018)

Bicudo, C.E.M. & Menezes, M. (orgs.) 2006. Gênero de Algas Continentais do Brasil (chave para identificação e descrições). Ed. Rima, 2ª. edição, São Carlos, SP. 502p.

Evert, R.F. & Eichhirn, S.E. 2014. Raven/ Biologia Vegetal. 8ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, pp.278-316

Fidalgo, O. & Fidalgo, M.E.P.K. 1967. Dicionário Micológico. Rickia – Série Criptogâmica dos “Arquivos de Botânica do Estado de São Paulo”. Instituto de Botânica, São Paulo. 232pp.

Judd, W.S., Campbell, C.S., Stevens, P.F. & Donoghue, M.J. 2009. Sistemática vegetal: um enfoque filogenético. Artmed, 3ª. edição, Porto Alegre, RS. 632p.

Lee, R.E. 2008. Phycology. 4ª edição, Cambridge University Press, New York. 561pp.

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