Viremia

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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Em termos médicos, a viremia é caracterizada pela presença de partículas virais no sangue. Clinicamente, a viremia é uma condição de extrema preocupação uma vez que quando os vírus estão circulando pelo corpo eles podem atingir virtualmente qualquer órgão ou tecido.

A viremia pode ocorrer de forma primária ou secundária. A viremia primária indica que o vírus entrou na corrente sanguínea a partir de um ponto inicial associado àquela infecção. A viremia secundária ocorre quando altas cargas virais estão presentes no sangue após a replicação dos vírus que já estão colonizando um ou mais tecidos corporais. Comumente a viremia secundária está associada a maior concentração de partículas virais uma vez que a replicação ocorre com mais eficiência em órgãos mais suscetíveis, que nem sempre representam o local inicial da infecção (como na viremia primária).

Em muitas doenças virais, tratamentos e vacinas tem maior eficiência no combate da condição primária da viremia. Depois que o vírus atinge outros tecidos e passa a se replicar com maior eficácia, sintomas mais severos costumam ocorrer, dificultando ou até mesmo inviabilizando o tratamento.

Além da categorização de primária e secundária, as viremias também podem ser definidas como ativas ou passivas. A viremia passiva é aquela em que não há um local primário de infecção e replicação viral, ocorrendo na picada de insetos que atuam como vetores/agentes transmissores de doenças virais. Nestes casos o vírus é depositado automaticamente na corrente sanguínea pela ação do inseto, que perfura a derme. Na viremia ativa o vírus precisa colonizar células de algum tecido ao qual tenha contato. Uma vez bem-sucedido, ele pode se replicar e ocasionalmente chegar ao sangue, atuando ativamente para isto.

Em diversas infecções virais crônicas, tal como a causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), a viremia é um fator crucial que deve ser monitorado para o acompanhamento da condição de saúde do paciente e da eficácia do tratamento. Pacientes soropositivos com viremia alta (seja pela infecção recente ou por outros fatores genéticos), em que a carga viral detectada fica entre 200 e 1000 cópias do vírus por mL de amostra costumam ter dificuldade em responder bem aos tratamentos atuais que utilizam antivirais. Do mesmo modo, a viremia baixa persistente, ou seja, quando há detecção de até 200 cópias em mais de 25% das amostragens de carga viral sanguínea, também são associados aos casos mais comuns de falha do tratamento. Por isso, mesmo nestes casos, deve-se buscar complementar o tratamento com outros medicamentos que auxiliem a função ótima dos antivirais ou aumentar a vigilância sobre o paciente em relação ao tratamento adequado (dosagens e uso periódico recomendado dos coquetéis). Os tratamentos bem-sucedidos estão associados com viremia baixa intermitente ou viremia indetectável (menos de 40 cópias virais/mL) e costumam ocorrer em pacientes que apresentam idade mais avançada no início do tratamento antirretroviral e que combinam terapias de inibidores de transcriptase reversa com inibidores de integrases.

A viremia também é um dado epidemiológico essencial no combate a doenças virais que atingem regiões, países ou continentes inteiros. Na dengue, por exemplo, é importante saber a carga viral do paciente contaminado pois no período de viremia alta, que geralmente ocorre um pouco antes do aparecimento dos sintomas até uma semana depois, ocorre a maior transmissibilidade. Desta forma, uma maneira de evitar a disseminação do vírus seria isolar o paciente neste período, evitando o contágio de outras pessoas através da população local de mosquitos.

Referências:

Ibrahim, K.Y., 2010. Escape transitório da viremia plasmática de HIV-1 e falência virológica em indivíduos sob terapêutica anti-retroviral: incidência e fatores associados (Doctoral dissertation, Universidade de São Paulo).

Coombs, R.W., Collier, A.C., Allain, J.P., Nikora, B., Leuther, M., Gjerset, G.F. and Corey, L., 1989. Plasma viremia in human immunodeficiency virus infection. New England Journal of Medicine321(24), pp.1626-1631.

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